Arte milenar vira tema de livro | Sona, Contos africanos desenhados na areia

Sona – Contos africanos desenhados na areia é o novo lançamento da Editora do Brasil. Lusona é uma arte milenar africana de contar histórias a partir de desenhos complexos na areia. A saber, esse é um conhecimento ancestral transmitido aos mais jovens pelo povo Tchokwe, de Angola, que mantém viva esta habilidosa arte. Os Tchokwe (quioco, na forma aportuguesada) habitam predominantemente o nordeste de Angola e partes do noroeste da Zâmbia, além de áreas no sul da República do Congo.

Em Sona – Contos africanos desenhados na areia, o autor Rogério Andrade Barbosa, pesquisador de literatura africana, apresenta ao leitor essa arte de contar e ilustrar histórias na areia, passada de geração em geração. O livro, que tem formato vertical, apresenta alguns desses desenhos e a maneira como as crianças aprendem a utilizar a técnica e contar suas próprias experiências. Aliás, tal aprendizado une matemática à arte abstrata. Além disso, faz com que honrem suas tradições e respeitem os mais velhos de sua comunidade, os mestres ancestrais akwa kuta sona.

Em verdade, a técnica leva anos para ser aperfeiçoada. Inclusive, é largamente utilizada também para o ensino de conceitos matemáticos como Análise Combinatória, Mínimo Múltiplo Comum (MMC) e Máximo Divisor Comum (MDC). O artista começa alisando a areia, em seguida, com a ponta dos dedos, cria os pontos equidistantes, chamados de tobe, que serão as guias para as linhas que percorrerão a história e seus personagens. Posteriormente, o narrador traça linhas – retas e curvas com inclinação de 45 graus – em volta dos pontos, sem tirar os dedos da areia, até finalizar o desenho.

Sona – Contos africanos desenhados na areia integra a coleção Cometa Literatura e já está disponível na loja online da Editora do Brasil.

Sobre Rogério Andrade Barbosa

Escritor, palestrante, contador de histórias, professor de Literatura Africana (pós-graduação – UCM/RJ). Alem disso, ex-voluntário das Nações Unidas na Guiné-Bissau. Graduou-se em Letras na UFF (RJ) e fez Pós-Graduação em Literatura Infantil Brasileira na UFRJ. Trabalha na área de Literatura Afro-Brasileira e em programas de incentivo à leitura, proferindo palestras e dinamizando oficinas sobre a cultura africana. Tem mais de 30 anos de experiência como escritor, com mais de 100 livros publicados, alguns traduzidos para o inglês, espanhol, alemão, sueco e dinamarquês. Participou como autor, palestrante e contador de histórias em eventos literários e Feiras do Livro na Alemanha, Cuba, Itália, México, Peru, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Etiópia, República Dominicana e Portugal.

Entre os prêmios e distinções recebidos, destacam-se: Altamente Recomendável para Crianças e Jovens – FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil). The White Ravens, Alemanha 1988 e 2001 (Selecionado para o acervo da Biblioteca Internacional de Literatura Infantil e Juvenil de Munique); Lista de Honra do IBBY – International Board on Books for Young People, Suíça, 2002; Troféu Vasco Prado (Jornada Nacional de Literatura), Passo Fundo, 2003; Prêmio da Academia Brasileira de Letras de Literatura Infantojuvenil, Rio de Janeiro, 2005 e Prêmio Ori 2007 (Secretaria das Culturas do Rio de Janeiro) – Homenagem aos que se destacam na valorização da matriz negra na formação cultural do Brasil.

Sobre Thais Linhares

Nasceu no Rio de Janeiro e atua na área editorial e de cinema de animação. Trabalha como repórter e cartunista no coletivo de comunicação da Revista Vírus. É vice-presidente da AEILIJ – Associação de Escritores e Ilustradores e Literatura Infantil e Juvenil e comunicadora e Diretora Adjunta Administrativa do DDH – Instituto de Defensores de Direitos Humanos. Aliás, tem diversos trabalhos publicados como ilustradora, escritora e quadrinista e conta com obras suas adotadas pelo PNBE – Programa Nacional Biblioteca na Escola e outros programas municipais e estaduais de adoção de livros para bibliotecas e escolas. Além da AEILIJ, também é associada à ABIPRO e ABCA.

Em 2008, trabalhou como cenógrafa na série animada “Juro que Vi” da Multirio – Prefeitura do Rio de Janeiro. Especializou-se em roteiro para animação e em 2009 ganhou edital da Secretaria Estadual de Cultura (RJ) para desenvolvimento de roteiro de longa em animação baseado em seu texto “O Monge e a Fada”. Por fim, escreveu roteiros para a série animada “Quarto do Jobi”, da 2dLab. Entre seus prêmios recentes, estão: The White Ravens (Catálogo da Biblioteca de Munique) e o Jabuti.

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1 Comment

  • Victor
    Victor

    Muito Bom!
    Sugestão:
    Pra facilitar a compra do livro eu acho que vocês poderiam colocar um link direcionando ao site que mais beneficiaria o autor.

    Responder

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