Tuesday, December 1, 2020

Caffè Sospeso é um filme aromático que desperta | Netflix

Um Caffè Sospeso é um café deixado pago para uma outra pessoa que não tenha condições de comprar. Um café suspenso é um símbolo de solidariedade. Além disso, há a socialização que advém do ato de tomar um café, como uma desculpa para um encontro, uma conversa. Caffè Sospeso é também um documentário italiano dirigido com sensibilidade por Fulvio Iannucci e Roly Santos, escrito por Alessandro Di Nuzzo. Aliás, um dos méritos desses citados é conseguir surpreender o espectador que vai, aos poucos, tomando um cafézinho e conhecendo aquelas pessoas comuns – e especiais, tudo isso em pouco mais de uma hora.

Três cidades são utilizadas como base: Buenos Aires, Nápoles e Nova Iorque. Cada uma com diferentes pessoas/personagens, com questões individuais específicas. Ao longo da jornada, sentimos um gosto de urbanidade e de marcação de identidade, provenientes do café. Logicamente, enquanto assistia, tive que tomar um. O gosto do café lembra vida, infância, liga passado e futuro, conecta com o presente. Desperta e energiza o corpo de uma forma realmente única. Seus efeitos me auxiliam a escrever essa crônica, crítica, aqui e agora.

Café e a escrita

Por falar em escrever, indubitavelmente, um dos destaques do filme é o escritor e jornalista argentino Martín Malharro, que conta como cria seus personagens enquanto toma um café. Ah, esse é, foi, e será o companheiro de tantos e tantos jornalistas, escritores e demais trabalhadores. Um amigo que sugere e acelera, incita a mente e a disposição.

A explicação de Martín se entrelaça com o filme de uma forma amalgamática. Acompanhamos pessoas comuns que trabalham com café, como baristas, ou donos de lojas e organizações. Passaram por transformações, entre erros e acertos. Temos desde a empreendedora estadunidense cuja história familiar e o negócio caminham juntos até o jovem barista que passou por situações amargas, inicia seu aprendizado e mira perspectivas que antes não existiam, um doce sabor de liberdade.

Intercalando depoimentos com a rotina diária e closes talvez poéticos, Caffè Sospeso, mostra que, às vezes, quer queiramos ou não, as coisas ficam em suspenso e isso faz parte do nosso crescimento e evolução em busca de nós mesmos e novos caminhos. O destino improvisa e temos que lidar com isso. Enfim, quando vai terminando, entendemos muito melhor o título do filme, e quiçá, a vida, como um todo, e fica ainda mais interessante – e poético.

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O Poço | CRÍTICA (Netflix)
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