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Toni Servillo em cena de "A Graça"- Divulgação Mubi
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘A Graça’ marca o retorno triunfal de Sorrentino às suas raízes

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 16 de março de 2026
6 Min Leitura
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Toni Servillo em cena de "A Graça"- Divulgação Mubi
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Dirigido por Paolo Sorrentino, A Graça é um dos filmes mais íntimos e profundos de um dos mais importantes diretores italianos contemporâneos.

Poucos cineastas atuais possuem o mesmo prestígio artístico que Paolo Sorrentino. Mesmo que suas produções dialoguem com um público mais restrito, os temas recorrentes de sua filmografia, como o significado da vida, a velhice e a forma como lidamos com a finitude, despertam empatia imediata. Essa conexão se fortalece com uma cinematografia marcante, atuações de peso e narrativas guiadas por diálogos e reflexões que encantam os amantes da sétima arte.

A Graça retoma o tipo de produção que consolidou o prestígio do diretor. Ao acompanhar os últimos dias de mandato do presidente fictício Mariano De Santis, viúvo, católico e profundamente desiludido com a própria vida, o filme resgata elementos que remetem diretamente a obras do diretor como A Grande Beleza (2013) e Juventude (2015).

Ao escolher como protagonista um presidente no fim de seu mandato, Sorrentino encontra um terreno fértil para explorar reflexões políticas e morais, juntamente com um sentimento de nacionalismo que o diretor apresenta. Essa dimensão já aparece na abertura, introduzida por letreiros da constituição italiana que detalham as funções do chefe de Estado.

Toni Servillo em cena de "A Graça"- Divulgação Mubi

Toni Servillo em cena de “A Graça”- Divulgação Mubi

O principal conflito de Mariano surge a partir de duas decisões: conceder ou não pedidos de perdão presidencial e decidir se sanciona uma lei sobre a eutanásia. Esses dilemas colocam o personagem frente a frente com sua própria moralidade, enquanto fantasmas do passado retornam para assombrá-lo, um prato cheio para um diretor sempre interessado em discutir questões existenciais.

No campo estético, A Graça entrega o que se espera de uma obra de Sorrentino: imagens grandiosas, direção de arte impecável e escolhas musicais inteligentes. Destacam-se também os diálogos e as interações entre os personagens, especialmente na relação entre Mariano e Coco Valori, uma das personagens femininas mais interessantes já criadas pelo diretor.

A principal diferença entre Parthenope – Os Amores de Nápoles (2024) e A Graça está na construção de seus protagonistas. Enquanto Parthenope pode ser resumida a poucas características, constantemente relembradas ao longo do filme, Mariano De Santis se revela um personagem muito mais complexo, cujas decisões afetam não apenas sua própria vida, mas todos ao seu redor, que apesar de não concordarem 100% com ele, se tornam companheiros e mais do que isso, amigos.

É nessas relações humanas que a força do cinema de Sorrentino se manifesta. Quando o líder das forças armadas conversa com Mariano sobre um baseado que encontrou no quarto do filho, a conversa parece banal, mas revela uma profundidade inesperada, algo comum em filmes de Sorrentino, mesmo quando em menores escala como em produções como A Graça.

Anna Ferzetti em cena de "A Graça"- Divulgação Mubi

Anna Ferzetti em cena de “A Graça”- Divulgação Mubi

O ritmo é contemplativo, as imagens são impactantes e as reflexões ganham peso à medida que a moralidade de Mariano passa a ser questionada. O espectador também é convidado a refletir sobre sua própria ética: concederíamos nós o perdão presidencial a duas pessoas que mataram por amor e piedade?

Acima de tudo, porém, o filme gira em torno de uma pergunta essencial feita por Dorotea De Santis, filha de Mariano: “A quem pertencem os nossos dias?”

Uma das escolhas mais interessantes da narrativa está na forma como o universo de Mariano é estruturado quase como um Versalhes moderno. O presidente vive confinado em um núcleo de poder cercado por vigilância e controle, uma realidade que parece ter lhe roubado gradualmente a alegria de viver. Conforme a história avança, ele passa a se aproximar do “povo comum”, seja ao esperar na sala de visitas de uma prisão ou ao participar de um almoço comunitário em uma pequena cidade.

Por fim, vale destacar que o título em português, A Graça, não traduz plenamente as nuances centrais da obra. Um título como O Perdão talvez estivesse mais próximo do núcleo da narrativa, já que toda a trajetória de Mariano gira em torno da decisão de perdoar, tanto os outros quanto a si mesmo e esta é a mensagem mais potente que podemos tirar do filme.

Distribuído pela Mubi em parceria com a Pandora Filmes, A Graça foi o filme de abertura da competição do Festival de Veneza 2025 e estreia nos cinemas brasileiros em 19 de março de 2026.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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