A Morte Habita à Noite | Crítica

Melancolia, desesperança e o fim de vidas estão no primeiro longa do premiado curtametragista Eduardo Morotó, A Morte Habita à Noite, que traz no elenco Roney Villela, Mariana Nunes, Endi Vasconcelos, Rita Carelli e Pedro Gracindo.

A princípio, Raul (Roney Villela), um escritor desempregado, bebe outra taça de vinho enquanto um vizinho salta para a morte. Sua namorada Lígia (Mariana Nunes, belíssima e eficiente) fica aflita com o incidente, e isso acaba afetando a relação dos dois.

Em seguida, durante uma noite estranha, Raul conhece Cássia (Endi Vasconcelos), uma jovem perdida, mas ainda cheia de vida – e de traumas. Essa união de dois seres noturnos me fez lembrar de Dois Perdidos Numa Noite Suja (2002). É a melhor coisa do filme, essa química entre eles, o desenvolvimento de uma possibilidade, a dureza de um e as vontades da outra, a forma como interagem e se energizam mutuamente, mas, ao mesmo tempo, a tristeza de ambos.

Cinzas

A participação de Rita Carelli eleva a parte final do filme, numa sequência meio sonhadora, nebulosa. No geral, a atuação de Roney é uma das melhores coisas na jornada de seu personagem sendo rondado pela morte e esperando ser o escritor que deseja enquanto faz diversos bicos. É tragicômico o momento onde trabalhando numa oficina ele diz que é escritor para os colegas.

Eu diria que A Morte Habita à Noite é poético a partir da amargura. É poesia cinza, ou com cinzas, na madrugada, entre bebidas venenosas e desilusões.

Por fim, o filme chegou aos cinemas do país em 15 de dezembro, com distribuição da Vitrine Filmes. A produção é assinada por Enquadramento Produções e Plano 9, em coprodução com Baraúna Filmes.

Aliás, se liga no trailer, e segue lendo:

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