Monday, November 28, 2022

Crítica | Bem-vinda, Violeta

“Bem-vinda, Violeta” é daqueles filmes que arrebatam. Como o processo de escrever. Quem é escritor, ou quem faz arte de alguma forma, quem cria, sabe o quanto esse movimento é arrebatador, o quanto mexe por dentro, com suas estruturas. Portanto, enquanto a protagonista passa por esse processo de transformação interna, o espectador, paralelamente, se transforma do lado de cá.

Mas sobre o que é o filme? Bem, vamos à sinopse.

Após lançar seu primeiro romance, Violeta, Ana é convidada para a renomada “Residência do Fim do Mundo”, que acontece em uma casa no meio da Cordilheira dos Andes. Liderada pelo renomado escritor Holden, a residência segue um método criado pelo autor que instiga cada um que participa a entrar na vida de seu personagem. Ao final do período da residência, Holden escolherá um entre os cinco escritores participantes a ficar ainda mais tempo na casa isolada e receber instruções de Holden exclusivamente. Ao longo dos 109 minutos de filme, Ana tenta conhecer cada vez mais sua personagem, esbarrando nos limites entre Violeta e ela mesma.

Para ilustrar, fique com o trailer.

Escolhas angustiantes

Baseado no romance “Cordilheira”, de Daniel Galera, o filme tem roteiro de Fernando Fraiha e Inés Bortagaray. Porém, diferente do livro, que mostra Ana depois da residência de escrita, o longa foca no período em que passa nos Andes. E se aprofunda no processo interno de Ana. Em como aquela residência, a pesquisa por sua personagem mexe com suas emoções e, muitas vezes, aparece de forma física em seu corpo. A angústia da personagem transpassa a tela por causa dos movimentos de câmera escolhidos. Muitas vezes, a câmera se move junto com a atriz, e muito de perto, o que permite que o espectador se sinta Ana.

Débora Falabella, intérprete da protagonista, também é um grande fator para que o observador consiga perceber todas as sensações de Ana. Como disse o diretor Fernando Fraiha na estreia do longa no Festival do Rio, Débora se entregou de corpo e alma ao papel, e essa entrega é visível nas telas.

Outro ponto alto do filme é o ator Darío Grandinetti, intérprete de Holden. Não à toa o ator argentino ganhou a categoria de Melhor Ator no Prêmio Redentor, no Festival do Rio, pelo filme. Darío imprime o sadismo necessário para o personagem, que exige demais de seus estudantes, mas ainda mantendo uma certa aura de sensualidade que acaba envolvendo tanto seus alunos quanto quem assiste o filme.

Estreia no Brasil

Afinal, o longa, produzido pela Biônica Filmes em parceria com a RT Features e a argentina Le Tiro Cine, ainda não tem data de estreia no Brasil. Contudo, já teve exibição no Brooklyn Film Festival, em Nova York. No festival, venceu o Spirit Award na categoria Melhor longa-metragem de ficção. A exibição no Festival do Rio foi a primeira no país. Nos dias 27 de outubro e 02 de novembro será exibido, também, na 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Agora é aguardar o lançamento da estreia nacional do longa e curtir, além da história envolvente, a paisagem linda de Ushuaia, na Patagônia argentina, onde o longa foi gravado.

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