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Léa Drucker em cena de "Caso 137"
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Caso 137’, uma ficção que é a mais real possível

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 13 de abril de 2026
5 Min Leitura
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Léa Drucker em cena de "Caso 137"
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Dirigido por Dominik Moll, Caso 137 é um thriller ágil que, acima de tudo, nos convida a olhar para a nossa própria realidade com mais empatia, e também com preocupação.

Existem diversos filmes em que um sistema considerado funcional, ou até “o melhor possível”, é dissecado por pessoas que fazem parte dele. De Tropa de Elite 2: O Inimigo agora é Outro (2010, José Padilha) a A Operação Condor (2026, André Sturm), essas obras nos fazem refletir sobre o nosso papel dentro da sociedade. Afinal, vivemos inseridos em uma engrenagem coletiva que depende de indivíduos nem sempre são dignos de confiança, uma das discussões centrais em Caso 137.

A trama acompanha Stéphanie, investigadora do departamento de assuntos internos da polícia francesa, ou seja, alguém encarregado de investigar outros policiais. O caso envolve um jovem gravemente ferido durante um protesto em Paris. Conforme avança na apuração, Stéphanie descobre conexões inesperadas e passa a entrar em conflito com os próprios colegas.

De um lado, está a família de Guillaume Girard. Tradicional, inocentes perante a realidade em que vivem, registrando em vídeo sua ida à manifestação quase como um evento festivo. Há entusiasmo em participar de uma causa coletiva, mesmo que distante de sua realidade imediata.

Léa Drucker em cena de "Caso 137"

Léa Drucker em cena de “Caso 137”- Divulgação Autoral Filmes

Do outro, estão os policiais responsáveis pela contenção do protesto. A missão era clara: controlar a multidão a qualquer custo. No entanto, como vemos com frequência ao redor do mundo, a violência empregada ultrapassa limites, e raramente gera consequências proporcionais.

Em uma semana marcada pela morte de Thawanna da Silva Salmázio, em um confronto com a polícia em Belo Horizonte, Caso 137 ganha ainda mais relevância. Versões conflitantes entre autoridades e familiares tornam inevitável a associação com a realidade brasileira.

A jornada investigativa de Stéphanie é construída com precisão. Ela coleta provas, conduz entrevistas e utiliza todos os recursos disponíveis, inclusive ultrapassando limites legais em determinados momentos. Sua busca por justiça deixa de ser apenas profissional e se torna profundamente pessoal, afetando inclusive sua relação com o ex-marido e seus superiores.

O ritmo do filme é dinâmico, embora por vezes repetitivo. Isso pode decorrer da própria percepção do público: há uma sensação constante de que não haverá uma resolução satisfatória para as vítimas.

Visualmente, a produção explora múltiplas abordagens. Imagens de câmeras de segurança, fotografias estáticas acompanhadas por sons não diegéticos, vídeos de celular e diferentes escolhas de lente aproximam o espectador dos personagens. Nos depoimentos dos envolvidos, marcados por justificativas frágeis, é difícil não reconhecer paralelos com situações do cotidiano.

Jonathan Turnbull e Léa Drucker em cena de "Caso 137"

Jonathan Turnbull e Léa Drucker em cena de “Caso 137”- Divulgação Autoral Filmes

A paleta de cores mais fria reforça o tom sóbrio da narrativa. Ainda assim, alguns momentos poderiam ser melhor desenvolvidos. A relação de Stéphanie com o ex-marido, por exemplo, revela complexidade em pouco tempo de tela e merecia maior aprofundamento.

Baseado em fatos reais, Caso 137 se aproxima, em diversos momentos, de um documentário. Essa sensação de realismo é uma de suas maiores forças, e também um de seus aspectos mais desconfortáveis.

Logo na abertura, um policial é confrontado com suas próprias ações e escolhe se isentar da culpa, mesmo diante de evidências contrárias. Ao final, situações semelhantes se repetem, reforçando a ideia de um ciclo contínuo e difícil de romper.

Com trilha sonora discreta, o destaque de Caso 137 recai sobre o roteiro, a montagem e a atuação de Léa Drucker. A atriz conduz o filme com firmeza, interpretando uma personagem que não se encaixa no arquétipo heroico. Stéphanie não é uma salvadora, mas alguém em busca do que é certo em um sistema que parece cada vez menos comprometido com isso.

E talvez seja justamente por isso que figuras como ela se tornam tão importantes. Porque, diante de estruturas falhas, a pergunta que permanece é inevitável: o que nos resta se ninguém mais estiver disposto a confrontá-las?

Distribuído pela Autoral Filmes, Caso 137 estreia nos cinemas em 16 de abril.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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