Saturday, November 26, 2022

Crítica | ‘Chamas da Vingança’ é entretenimento descompromissado de qualidade

Stephen King é um dos autores com mais adaptações para o cinema. Algumas dessas produções são lembradas como clássicos do cinema como O Iluminado, Cemitério Maldito e A Espera de um Milagre. Em contrapartida, é difícil de esperar que entre mais de setenta adaptações, todas sejam sucessos. É o caso de Chamas da Vingança (1984), baseado no livro A Incendiária (1980). À época, o filme recebeu duras críticas e foi mal nas bilheterias. Porém a obra ganha uma nova chance em 2022 nas mãos do diretor Keith Thomas.

A trama conta a história de Charlie McGee (Ryan Kiera Armstrong), uma menina que nasceu com poderes pirotécnicos e tem bastante dificuldade de controlá-los. Os pais, Andy (Zac Efron) e Vicky (Sydney Lemmon), possuem poderes telepáticos e telecinéticos adquiridos através de um misterioso experimento científico comandado pelo governo. Quando a existência de Charlie é descoberta, a família precisa proteger a jovem a todo custo.

Aliás, se liga no trailer e segue lindo:

Apesar de não ser um primor, Chamas da Vingança entretém o espectador. Adota uma história simples, com influência clara do jogo The Last Of Us (2013), principalmente na segunda metade, e se mantém firme sem muitas surpresas. O que pode ser bom ou ruim, mas na proposta estabelecida pelo filme, não atrapalha a experiência.

O roteiro tem algumas inconsistências que se revelam ao longo do filme. Para a narrativa principal, não afeta de maneira abrupta, mas os pequenos detalhes fazem a diferença no resultado final. Mais de uma vez, são apresentadas ideias que poderiam servir como elementos para a trama, mas não são desenvolvidas. Quando acaba o longa, o espectador se pergunta o porquê daqueles elementos serem expostos para o público, se não levam a lugar nenhum.

Outro ponto do roteiro que pode causar estranhamento para o público é a falta de explicação de alguns pontos. Porém, essa ausência de exposição é proposital. O mistério por trás da organização antagonista faz parte da experiência da obra e brinca com o imaginário do espectador sobre qual é a verdadeira proporção daquela situação.

Zac Efron

As atuações são suficientes para a trama. Zac Efron se destaca do resto, adotando uma linguagem corporal interessante quando usa seus poderes, mas não encanta no geral. 

Os efeitos especiais são muito bem trabalhados, considerando o orçamento do filme. Com apenas 12 milhões de dólares, esse é o aspecto que mais apresenta dificuldades , mas a direção filma as cenas em que os efeitos são necessários de forma que não os explicita, porém passa a mensagem.

Chamas da Vingança diverte sem muitas preocupações em ser uma adaptação definitiva da obra de Stephen King. Para os fãs do autor, talvez seja decepcionante ver o tratamento que o material original recebeu, mas está longe de ser um filme ruim.

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