Monday, November 28, 2022

Crítica | ‘ELVIS’ atualiza e apresenta o rei do rock para um novo público

O filme Elvis ressuscita aquele que não morreu. Sim, quem nunca ouviu a frase “Elvis não morreu”. Aquele que é considerado o rei do rock, ou vendido assim, deixou uma marca histórica com seu jeito de cantar e unir o country com o R&B. Bebeu diretamente na cultura negra estadunidense e mesclou ritmo, dança e uma voz marcante.

No filme vemos isso, após uma introdução frenética, dinâmica e bem montada, vemos o menino, fã do Capitão Marvel Jr. Aliás, essa questão de citar um super-herói parece ser algo para atualizar a figura do Elvis, assim como todo o longa, em verdade. Ele é um menino branco pobre vivendo entre meninos pretos pobres. A cena em que ele tem uma catarse na igreja, enquanto cantam música gospel é linda e essa influência segue até o fim de sua vida. Essa cena volta posteriormente, numa catarse de reencontro do astro consigo mesmo e suas raízes.

Fantoche

A boa direção é de Baz Luhrmann que traz alguns belos ângulos e usa os closes com inteligência. Também usa uma estética de quadrinhos, ressaltanto o objetivo de conectar o astro com as novas gerações. A película explora a vida e a música de Elvis Presley (Austin Butler) através da visão de seu complicado relacionamento com o empresário, coronel Tom Parker (Tom Hanks). Elvis é colocado como um fantoche de Parker, que o manipula ao seu bel prazer em uma atuação razoável de Tom Hanks. Entretanto, em questão de atuação, Austin Butler é quem surpreende. Apesar de uma certa polêmica afirmando que o ator não parece com o verdadeiro Elvis, ele incorpora o astro com eficiência e emoção, viciado no amor do público, egocêntrico. Sua expressividade facial e corporal impressiona. Além disso, ele ainda canta algumas músicas (ouça a trilha sonora mais abaixo).

O filme aborda de certa forma a polêmica sobre Elvis ter se apropriado da cultura negra e contextualiza algumas situações. O roteiro procura dar os créditos das influências do cantor. Vemos B.B. King, Little Richard, Fats Domino, Mahalia Jackson, Sister Rosetta Tharpe, Arthur “Big Boy” Crudup e Big Mama Thornton. Inclusive, toda essa base musical do Elvis que aparece é uma das melhores coisas do longa, assim como sua interação com eles.

Elvis está longe de ser genial, mas o diretor mostra como o astro foi um grande produto da indústria fonográfica e hollywoodiana. E segue sendo, pois, no fim das contas, esse filme é para reapresentar o cantor e movimentar as duas indústrias em cima dele.

A trilha sonora apresenta o trabalho de Elvis abrangendo os anos 1950, 60 e 70, ao mesmo tempo em que exalta suas influências musicais e o impacto em outros artistas. Realmente é ótima e é difícil não sair cantando alguma das canções. No meu caso, “Suspicious Minds” ficou na minha cabeça.

Se liga nas faixas de Elvis Original Motion Picture, da House of Iona/RCA Records:

A trilha tem uma variedade de artistas, mesclando diferentes gêneros e sons, atualizando o repertório de Elvis. Isso também reafirma o tal tom comtemporâneo que o longa busca. Ouvimos hip-hop, por exemplo, com Eminem & CeeLo Green (“The King and I”), em seguida, Tame Impala (“Edge of Reality – Remix”) com Elvis Presley, Stevie Nicks & Chris Isaak (“Cotton Candy Man”) e o dueto de Jack White com Elvis Presley (“Power of My Love”). Austin Butler também empresta seus vocais para “Trouble” de Elvis Presley, “Baby, Let’s Play House” e muito mais. A versão de Kacey Musgraves de “Can’t Help Falling In Love” é bonita, e tem “Vegas” de Doja Cat que interpola a versão de ShonkaDukureh (que interpreta Big Mama Thornton no filme) de “Hound Dog”. Por fim, a versão de balada rock de Måneskin da versão de “ If I Can Dream” é interessante.

Elvis estreia no dia 14 de julho nos cinemas, com distribuição mundial da Warner Bros. Pictures.

Aliás, por falar em música veja o clipe do Kaialas, e siga lendo:

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