Saturday, December 3, 2022

Elton Medeiros – O Sol Nascerá | Crítica

Sob uma direção consciente de Pedro Murad, Elton Medeiros – O Sol Nascerá é um registro de um dos maiores compositores do samba brasileiro. Ele foi o principal parceiro de Paulinho da Viola, e tem diversas composições antológicas com Cartola, Zé Keti, Hermínio Bello de Carvalho, entre outros.

Pude ver o filme durante o Festival do Rio 2022, e a obra traz o retrato de uma outra geração, Elton, cego, neto de africanos da costa da Guiné conta sua própria história ao estilo do programa “Ensaios”, da TV Cultura (como o próprio diretor disse antes do início da sessão).

O compositor foi protagonista negro e testemunha de grandes momentos da cena musical do país, como o nascimento das escolas de samba e das grandes gafieiras, e cita várias. Posteriormente, homenageia mulheres que fizeram a história da MPB. Tudo em depoimentos ao músico Vidal Assis, seu último parceiro.

O longa apresenta várias pérolas de sabedoria de Elton como “Antigamente quando a gente gostava de uma mulher, juntava uns bons violonistas e íamos fazer uma serenata na porta dela. Hoje chamam a polícia. Estamos mais incivilizados.”

Preto e Branco

A fotografia de Pedro Neri é um espetáculo. A escolha pelo preto e branco durante as falas de Elton e a cantoria de Vidal Assis se mostra acertada, aumentando o tom de passado e imprimindo um outro tipo de beleza. Pedro Murad ainda coloca cenas coloridas e imagens durante as músicas de Elton, o que é um diferencial.

Aliás, as interpretações de Vidal Assis são de uma beleza lírica, com uma voz que nos embala e complementa a conversa com Elton. O filme é poético e mostra com afeto um homem, um artista, no fim de sua vida, abrindo seu coração.

“A música te ensina a se apaixonar, e a paixão te ensina a fazer música”, diz Elton, que nos apaixona com suas falas cheias de carinho.

Próxima sessão:

Quinta, 13/10 – 18:45 – Kinoplex São Luiz 1

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