Dirigido por Manuh Fontes, Mãe Fora da Caixa coloca Mia Mello em jornada caótica, experimental e emocionante sobre alegrias e cansaços que vêm com o papel de mãe.
Por mais que a gente planeje tudo, existem imprevistos e desafios que a vida sempre joga em cima de nós. Não importa o quanto nos preparemos: eles vão nos derrubar, e acredito que um dos maiores deles seja a questão da maternidade que chega como um furacão para o qual ninguém está realmente preparado. Sem perceber, nos vemos no meio do caos, da gritaria, das fraldas sujas, mas também de muita alegria e de um senso de que aquele é um momento único, que deve ser aproveitado de modo leve, sendo esta uma das principais mensagens de Mãe Fora da Caixa.
Inspirado no best-seller homônimo de Thaís Vilarinho, o filme conta a história de Manu, Mia Mello, uma mulher acostumada a ter toda a vida planejada nos mínimos detalhes, e de seu marido André, Danton Melo, um homem leve, atrapalhado e que ama a esposa mais do que tudo. A produção acompanha as desavenças que ambos enfrentam após o nascimento do primeiro filho, ao mesmo tempo em que lidam com a crise matrimonial que surge desse processo.

Mia Mello e Danton Melo em cena de “Mãe Fora da Caixa”- Copyright Stella Carvalho
De forma franca, rápida, otimista e divertida, muito graças a uma escolha estética não naturalista e “didática”, a produção se destaca por meio de sua estética que abraça uma montagem ágil e dinâmica, a narração onisciente de Manu, sequências oníricas e metalinguísticas, cortes acelerados, needle drops, e uma leveza que permeia toda a obra.
Com um tom bem mais leve do que outras produções sobre maternidade, como Tully (2018, Jason Reitman), Mãe Fora da Caixa tem no casal protagonista seu grande leme, além de um roteiro que une realismo e humor, com momentos dramáticos e um otimismo típico das comédias populares nacionais, se tornando o filme perfeito para toda a família, ainda que o terceiro ato, ao abraçar o caos, perca um pouco da sutileza construída até então, algo que poderia ser resolvido com uma extensão de cerca de dez minutos na produção, permitindo fechar algumas pontas soltas.

Mia Mello e Danton Melo em cena de “Mãe Fora da Caixa”- Copyright Stella Carvalho
O fato de Manu estar relembrando todos estes momentos é o que torna o filme tão especial, sobretudo por seus comentários irônicos e até depreciativos sobre seu “eu” do passado na medida que recorda as dores da maternidade, como o seio inchado pela amamentação, e reflete sobre as pessoas ao seu redor, como sua mãe e seu sogro, e as lições que cada um trouxe para o modo como ela lida com essa tempestade que é maternidade, até mesmo mudando o seu olhar da própria mãe, percebendo que a ilusão de maternidade, jamais será igual à realidade deste processo.
Mãe Fora da Caixa recorre poucas vezes à simbolismos e subtextos, deixando claro o que cada personagem está sentindo, seja no momento exato da cena, seja em interações mais profundas, como a conversa entre André e seu pai, podendo cansar o espectador que busca algo mais complexo, porém não reduz a força emocional do filme. Pelo contrário: transforma um tema já explorado em demasia de forma alegórica, porém ainda pouco discutido de forma realista no cinema: as loucuras, tristezas e, principalmente, as alegrias da maternidade, levando a algo leve e acessível, que mesmo com um otimismo exagerado, permanece uma obra que valoriza aquilo que jamais deve ser ignorado: o amor, o cuidado e o zelo das mães.
Com distribuição da +Galeria, Mãe Fora da Caixa estreia nacionalmente em 27 de novembro.
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