Crítica | ‘Nostalgia’ é bonito, mas cansa

“Nostalgia” é um filme do diretor italiano Mario Martone, baseado em romance homônimo de Ermanno Rea. Conta a história de Felice, que volta à Nápoles, sua cidade natal, após passar 40 anos vivendo fora do país. O motivo da viagem é reencontrar a mãe, que está doente. Porém, Felice decide ficar na cidade por motivos mais profundos, que só revela ao padre da região. Como diz a própria sinopse no site do Festival do Rio, “um passado que o devora”.

É interessante a brincadeira que o diretor – ou o autor do livro – faz com a palavra “nostalgia”. Geralmente relacionada a algo bom que temos saudade, nesse caso está relacionada a um passado não tão bom. Afinal, algo que o devora não pode ser algo positivo. Porém, na cabeça do protagonista, isso se mistura. A razão de sua nostalgia o aflige, mas, ao mesmo tempo, traz boas lembranças. Esse paradoxo é o que torna o enredo interessante. E talvez se esse houvesse sido o único foco, o longa teria sido mais envolvente. Contudo, a vontade de dar luz a vários assuntos ao mesmo tempo deixou o filme bastante raso.

 Muitos temas, pouco desenvolvimento

Sabemos que, geralmente, é possível desenvolver uma quantidade maior de assuntos na literatura. Em um livro é mais fácil falar sobre vários temas e conseguir destrincha-los bem para que o leitor os entenda. Em um filme, porém, há limitações. A duração de uma obra audiovisual e a incapacidade de deixar claro para o espectador o que o personagem está pensando são apenas dois obstáculos na adaptação de uma obra literária para as telas. Parece que ao transpassar o livro para o cinema, o diretor pecou pelo excesso.

O longa quer tratar de vários temas ao mesmo tempo. Além da óbvia nostalgia de uma juventude, também tenta falar de amizade, da relação entre mãe e filho, de velhice, de falta de valorização dos idosos, de violência, entre outros assuntos. É tanta coisa ao mesmo tempo que acaba não se aprofundando em assunto nenhum. Fica um filme que trabalha tudo na superfície, muitas vezes confuso, com cenas sobrando e cansativo. A fotografia ajuda e os takes mostrando a cidade também. Mas não dá muito mais que isso.

No final, o foco principal do personagem é resolvido em poucos minutos e o desfecho do longa é previsível. Talvez, se o diretor tivesse escolhido por trabalhar mais minunciosamente no foco principal de Felice, o espectador se surpreenderia mais com seu fim.

Serviço

Nostalgia (Nostalgia)

Itália/França, 2022

Ficção, 118 minutos

Direção: Mario Martone

Próxima sessão:

Quarta, 12/10 – 16:00 – Estação NET Gávea 1

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