Monday, November 28, 2022

Crítica | ‘Noites de Paris’ comove com nostalgia e sutileza

Noites de Paris (Les Passagers de La Nuit) se passa nos anos 1980, e tem um jeito de anos 80. Um outro tempo de filme, com transições lentas que nos fazem voltar ao passado. O filme conta a história de Elisabeth, em atuação carismática de Charlotte Gainsbourg, que nos faz ver aquela mulher como uma vizinha. Ela sobreviveu a um câncer de mama, foi deixada pelo marido, e passa por dificuldades financeiras com seus dois filhos adolescentes: Judith (Megan Northam) e Matthias (Quito Rayon-Richter).

Elisabeth acaba conseguindo um emprego de atendente de telefone em um programa de rádio noturno, apresentado por Vanda Dorval (Emmanuelle Béart), para onde os ouvintes ligam para realizar confissões. Em seguida, conhece Talulah (Noée Abita), uma bela jovem de 18 anos que vive pelas ruas, e a leva para casa. A menina mexe com os sentimentos de Matthias (de 15 anos).

Singela esperança

A direção de arte recria com exatidão a atmosfera dos anos 80 e enquanto via eu achava que estava vendo um filme feito nessa época. O diretor francês Mikhaël Hers nos guia com singeleza por diversos personagens entregando uma obra bonita de várias formas que namora com a nostalgia, mas consegue ser atemporal. Noites de Paris é sobre bondade e como novas conexões podem gerar novos movimentos, renascimentos e descobertas.

O sexo surge em momentos pontuais, sem vulgaridade, mas com sensualidade delicada, sinuosa e frágil. Mikhaël ainda homenageia o próprio cinema e sua capacidade de nos transportar e resgatar. Ainda por cima, insere cenas de outros filmes como Noites de Lua Cheia (1984), de Éric Rohmer. O tom existencialista, e delicadamente otimista, comove nessa história de sete anos, que vai de 1981 até 1988.

Próximas sessões:

Quinta, 13/10 – 17:00 – Estação NET Gávea 4
Sexta, 14/10 – 21:30 – Reserva Cultural Niterói 2

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