Saturday, December 3, 2022

Crítica | Uma canção de amor

“Uma canção de amor” falar de muitas coisas. De solidão, de nostalgia, de morte, de um amor que ficou no passado e não foi vivido e, como tudo que não foi vivido, ficou perfeito na sua não-existência. Porém, mais do que tudo, “Uma canção de amor” fala sobre como encontrar a própria singularidade dentro de um relacionamento. E o diretor Max Walker-Silverman mostra essa busca de diversas maneiras. Em seu primeiro longa, ele acerta nas escolhas que faz durante os 81 minutos de duração de “A love song”, no original.

Um filme intimista

Segundo a sinopse no site do Festival do Rio, “Uma canção de amor” conta a história de uma mulher que aguarda, sozinha e ansiosa, a chegada de um amor do passado num camping próximo a um lago nas montanhas. A sinopse diz mais, mas paro por aqui porque o interessante do filme é ir descobrindo, junto com Faye, a tal mulher que aguarda, o que, afinal, a espera (sem trocadilho).

A fotografia, a escolha de ângulos, a movimentação da câmera, sempre mais intimista do que focada em grandes ações, vai dando ao espectador o ritmo e o clima em que essa mulher se encontra. Você pode se sentir como ela. Você sente com ela. E como você sente! E como a atriz Dale Dickey sente! Os gestos são contidos, as ações são repetitivas, mas é possível saber cada pensamento daquela mulher. É resultado de atuação impecável. E foi certeira a escolha do diretor pra contar essa história com uma atriz mais velha, quando atualmente a juventude é tão valorizada. Principalmente quando se trata de uma mulher, que é descartada quando as rugas começam a aparecer. Walker-Silverman, apesar de jovem, entendeu que essa é uma história que só poderia ser contada por alguém mais velho e mostrou que a velhice tem, sim, vida.

Trilha sonora

Por mais clichê que essa frase seja, nesse caso a trilha sonora é de fato mais uma personagem do filme. No início, a escolha dos momentos em que a música toca pode até incomodar. Principalmente depois de o motivo ser dito pela protagonista. Contudo, com o passar do filme, entende-se que faz sentido e que realmente só poderia ser assim. Porém, talvez ficasse melhor deixar o expectador pescar a razão sozinho; não era necessário ser falado por Faye.

Em síntese, é um filme interno, pra fazer prender a atenção pelo questionamento e pelas sensações. O filme acontece, também, dentro do espectador. É difícil sair da sala de cinema sem ser tocado de alguma forma.

Por fim, fique com o trailer:

Serviço

Uma canção de amor (A love song)

Estados Unidos, 2021

Ficção, 81 minutos

Direção: Max Walker-Silverman

Próximas sessões:

Sexta, 14/10 – 21:45 – Estação NET Botafogo 1
Domingo, 16/10 – 19:00 – Estação NET Gávea 2

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