Idealizada por Gabriel Martins, O Natal dos Silva traz o sentimento nacional para as produções natalinas, com muita briga, caos e, acima de tudo, amor.
Costumo perguntar às pessoas qual feriado é melhor: “Natal ou Ano Novo?”. Afinal, apesar de ambos serem sinônimos de festa e confraternização, o Ano Novo tem um clima mais voltado à celebração e renovação, enquanto o Natal carrega um sentimento muito mais caloroso de união e família, abraçando tudo aquilo que vem junto, incluindo atritos, confusões e sentimentos controversos. Enquanto produções natalinas são tão comuns internacionalmente, no audiovisual brasileiro são mais restritas, fazendo com que O Natal dos Silva ganhe merecido destaque.
Primeira série realizada pela produtora mineira Filmes de Plástico, O Natal dos Silva nasce da falta sentida por Gabriel Martins de produções natalinas brasileiras, assim, o quarteto composto por Gabriel Martins, André Novais Oliveira, Maurílio Martins e Thiago Macêdo Correia aceitou o desafio de construir uma produção natalina tipicamente nacional, abraçando todas as complicações que vêm com isso.

Grande elenco em cena de “O Natal dos Silva”- Divulgação Canal Brasil
A escolha do nome “Silva” foi um tiro certeiro: sendo um sobrenome extremamente comum no Brasil, permitindo que essa grande família representada simbolize qualquer família da audiência, ainda mais com seus integrantes que realmente existem em qualquer grupo familiar: a mãe estressada, o “tio do pavê”, o parente distante que só aparece quando precisa de algo, o familiar que só existe na memória e na dor interna, entre tantos outros que a série utiliza com gosto.
Com cinco episódios rápidos, O Natal dos Silva se passa na noite de Natal e conta a história da primeira reunião de família desde a morte da matriarca: dona Zelina. Quem conduz o encontro é Bel, vivida por Rejane Faria, a filha mais velha que tenta manter viva a tradição da festa, mesmo estando nitidamente irritada e esgotada, algo que só se intensifica com a chegada dos convidados. Entre atritos, xingamentos, preconceitos e anúncios de casamento, os Silva percebem o abismo invisível que se criou entre eles, mas também o amor que ainda persiste.
Esteticamente, graças aos diferentes diretores que se revezam, O Natal dos Silva mantêm uma narrativa em comum, mas com cada arco oferecendo um olhar distinto sobre essa família. Seja no segundo episódio, filmado inteiramente em plano-sequência, seja nos demais, orquestrado com câmera na mão, ou planos estáticos, levando a audiência a acompanhar de maneiras distintas esta dor silenciosa presente em cada membro. E, como toda boa narrativa familiar, é preciso que um elemento externo chegue para que tudo encontre um fluxo.

Grande elenco em cena de “O Natal dos Silva”- Divulgação Canal Brasil
Esse elemento externo surge em Lin, mulher trans e noiva de Luciano, filho de Bel. Nesse ambiente onde o não dito tem tanta força, ela é colocada no olho do furacão, chegando a ser atingida por detritos emocionais que voam em sua direção, porém, com um olhar fresco e leve, consegue contornar e unir a família novamente, após muito caos ter sido instaurado.
A bomba dos Silva realmente se intensifica no terceiro episódio, dirigido e roteirizado por André Novais, onde um amigo secreto expõe toda a roupa suja da família no melhor estilo novela, exemplificando que apesar da união familiar, viver é difícil, ainda mais quando se sente solidão, ressentimento e amargura no meio de tanta gente.
Com um elenco de mais de vinte personagens, O Natal dos Silva dá destaque, mesmo que breve, à grande parte da família: a tia que foi abraçada pelo grupo, embora não seja “oficialmente” parte dele; o filho distante que fugiu para os EUA e finge que está tudo bem, quando nada poderia estar mais longe disso; o tio que fala sem pensar e se culpa mais do que todos os outros juntos, entre tantos personagens que são acima de tudo: humanos.

Grande elenco em cena de “O Natal dos Silva”- Divulgação Canal Brasil
O Natal dos Silva carrega todas as marcas do cinema contemporâneo nacional, especialmente da vertente mineira, mas talvez pelo clima narrativo sua história seja mais acessível ao grande público do que uma produção como Marte Um (2022, Gabriel Martins). Apesar de alguns tropeços e pontas soltas que são introduzidas e não concluídas, como a questão da venda da casa de Dona Zelina, a série se fortalece em seus diálogos, analogias e momentos de humanidade, especialmente no último episódio, carinhosamente nomeado “Oração”, onde diversos personagens se confessam e abrem o coração.
Consciente de que ninguém é perfeito, O Natal dos Silva traz algo único ao audiovisual brasileiro, subvertendo conceitos profundamente enraizados no imaginário do público e criando paralelos com o nosso cotidiano. Abrindo um enorme potencial de continuidade, já que ainda há muito a explorar nesses personagens.
Ao final, o sentimento que a série traz se resume com perfeição em uma fala de Gabriel Martins: “Com todas as faltas que os Silva tiveram, eles sobreviveram.”, um sentimento de perseverança tipicamente brasileiro.
O trailer da produção pode ser encontrado no Instagram Oficial da ‘Filmes de Plástico’.
O Natal dos Silva estreia no dia 27/11 e terá episódios exibidos semanalmente na TV pelo Canal Brasil, sempre às 21h30, além de reprises em horários alternativos. A programação se encerra no dia 25/12 com uma maratona a partir das 19h e a exibição do último capítulo, para que toda a família possa aproveitar junta. Paralelamente, o Globoplay (Plano Premium) disponibilizará um episódio por semana até o encerramento da série.
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