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Olga
CríticaEspetáculos

Crítica | ‘Olga’ no Armazém da Utopia: A história que os documentos tentaram apagar

Por
Cadu Costa
Última Atualização 20 de agosto de 2025
4 Min Leitura
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Foto: Thiago Gouvêa
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Tópicos
  • Olga
  • Atriz cria ponte entre personagem e público
  • Serviço: Peça “Olga”
  • Leia mais:

Há histórias cujo peso transcende o tempo, e a de Olga Benário Prestes é uma delas. A nova montagem da Companhia Ensaio Aberto, em cartaz no Teatro Armazém Utopia, não se contenta em recontar essa trajetória; ela a escava, confronta e joga luz sobre as verdades que a história oficial tentou esquecer. O resultado é um espetáculo forte, um “documentário cênico” que, mesmo optando por um caminho que por vezes privilegia o fato em detrimento da dramatização, se revela uma experiência teatral impactante e necessária.

Olga

A dramaturgia de Luiz Fernando Lobo, construída a partir de uma vasta pesquisa em arquivos, estabelece o tom da obra: esta não é uma ficção, mas uma reconstituição que usa a frieza dos documentos – muitos deles falsos ou manipulados na época – para ressaltar a brutalidade dos fatos. Vemos a saga da militante comunista alemã, sua vinda ao Brasil, a luta na Intentona Comunista, a prisão e a extradição ilegal para a Alemanha nazista, grávida de sete meses, durante o governo de Getúlio Vargas. A peça não hesita em apontar os responsáveis, como o chefe de polícia Filinto Müller, e em lembrar que a história é frequentemente escrita pelos vencedores.

O grande trunfo da montagem é o uso do espaço cênico e da tecnologia. No palco do galpão, um telão semitransparente serve como uma membrana entre o passado e o presente. Sobre ele, são projetados documentos, fotos de época e depoimentos, enquanto os 14 atores em cena interagem com essas memórias, por vezes na frente, por vezes por trás da projeção, como se estivessem assombrados pela história que narram. Essa escolha cria uma experiência visual fascinante, colocando o espectador como testemunha de um tribunal onde as provas são apresentadas de forma artística e contundente.

Foto: Thiago Gouvêa

Atriz cria ponte entre personagem e público

A atriz Tuca Moraes, que vive Olga, entrega uma performance de grande força. Sua abordagem é diferente da memorável interpretação de Camila Morgado no cinema em 2004. Enquanto o filme buscava a catarse dramática, Tuca atua como uma ponte entre a personagem e o público. Ela lê trechos das famosas cartas de Olga com uma emoção contida, mas palpável, como quem nos confidencia ao vivo a dor e a resiliência da revolucionária. Fisicamente, sua semelhança com a Olga histórica é notável e contribui para a veracidade da proposta.

Ainda que a opção pelo formato documental possa, em alguns momentos, criar uma distância emocional que uma encenação mais tradicional talvez não criasse, a peça é um grande espetáculo. É um ato de coragem e um lembrete poderoso de que certas histórias precisam ser contadas, recontadas e, principalmente, confrontadas. “Olga” é mais do que teatro; é um serviço à memória.

Tuca Moraes interpreta Olga Benário – Foto: Thiago Gouvêa

Serviço: Peça “Olga”

Local: Teatro Vianinha | Armazém da Utopia (Região Portuária, Rio de Janeiro)
Temporada: De 16 de agosto a 29 de setembro
Sessões: Sextas, sábados, domingos e segundas, às 20h
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
Vendas: Sympla (www.sympla.com.br/armazemdautopia) e na bilheteria do teatro.
Classificação: 14 anos.
Duração: 90 minutos.

Leia mais:

  • Balé Folclórico da Bahia inicia turnê histórica

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Tags:Armazém da UtopiaDestaque no Viventeolgaolga benárioolga benário prestespeça olgaTeatroTuca Moraes
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PorCadu Costa
Cadu Costa era um camisa 10 campeão do Vasco da Gama nos anos 80 até ser picado por uma aranha radioativa e assumir o manto do Homem-Aranha. Pra manter sua identidade secreta, resolveu ser um astro do rock e rodar o mundo. Hoje prefere ser somente um jornalista bêbado amante de animais que ouve Paulinho da Viola e chora pelos amores vividos. Até porque está ficando velho e esse mundo nem merece mais ser salvo.
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