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Cinema e StreamingCrítica

Crítica – Rindo à Toa – Humor sem Limites

Por
Alvaro Tallarico
Última Atualização 29 de março de 2023
4 Min Leitura
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Rindo à toa para ficar numa boa

O documentário começa mostrando imagens do Rio de Janeiro nos anos 80. Praia lotada, desbunde. Então vemos diversas figuras como Miguel Falabella, Marcelo Tas, Pedro Cardoso, Regina Casé… De repente, manifestações diversas, o povo na rua. A censura está acabando e uma nova liberdade surge permitindo experimentações variadas e uma explosão cultural, e do humor, protagonista aqui.

O filme Rindo à Toa – Humor sem Limites, dirigido por Cláudio Manoel, Alvaro Campos e Alê Braga, é uma grande homenagem ao humor brasileiro, especialmente da transição entre a ditadura e a democracia, com enfoque entre 1985 e 2000. Seguimos os filhos do Pasquim, o tablóide Planeta Diário e a revista Casseta Popular, nascendo, tomando forma, e, depois, dando origem ao programa televisivo Casseta & Planeta, que tem grande destaque no longa.

Temos vários depoimentos que elevam o debate como de Marisa Orth, Evandro Mesquita, Cláudio Paiva, Fernanda Young e Boni. A oportunidade de ouvir Marcelo Tas explicar como, junto com Fernando Meirelles, criou o repórter Ernesto Varela, precursor do CQC Brasil.

Acompanhamos o surgimento de bandas que tinham o humor como carro-chefe, Premeditando o Breque, Vexame, Ultraje a Rigor, Blitz.

Laerte e Angeli são um show à parte.

rindo a toa -crítica-filme - vivente andante
foto: Globo Filmes / Divulgação

O mais valoroso do filme é botar em pauta algumas discussões relevantes sobre o limite do humor. Será que tem? Deve ter? Como era nessa época? E como é agora? Como não ofender? A batalha entre politicamente correto e o politicamente incorreto. A busca desse equilíbrio. Mas, humor é para equilibrar? Não é para destoar? Humor é anarquia? Parece que não há limite para criação, mas dá para passar do ponto. Além disso, temos um sistema que absorve tudo, por exemplo, o movimento Punk, hoje é um estilo vendido em lojas, da mesma forma que o hippie.

Programas que trouxeram uma revolução para televisão com novas linguagens como TV Pirata e Armação Ilimitada, que apresentava Zelda (Andréa Beltrão), uma intelectual fora dos padrões estéticos que é a única namorada dos dois heróis, Juba (André di Biasi) e Lula (Kadu Moliterno). A forma como o título deste programa protagonizado por dois surfistas foi escolhido é uma marola. O Programa Legal de Regina Casé, o Sai de Baixo. Vemos mais sobre produções da Globo e as mudanças e inovações que vão se desenrolando. Passamos também pelo humor tosco de Hermes e Renato no final dos anos 90 na MTV Brasil.

No fim, fica uma admiração pelo cômico e suas nuances, o que ontem fazia morrer de rir hoje não tem mais graça. Contudo, o que não tem graça mesmo é a falta de liberdade. E com relação à censura, fica a impressão de que a maior é feita pelo próprio público, pela sociedade, ou seja, a falta de sucesso. Quando agride, passa dos “limites”, a sociedade responde.

Tags:armação ilimitadacasseta e planetaCinemacriticafilmeshumorhumor sem limitespoliticamente incorretorindo a toa
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ.
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