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Cena de "Ruas da Glória"- Divulgação Festival do Rio
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Ruas da Glória’ viaja entre amor, cilada e longas cenas de sexo

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 24 de março de 2026
5 Min Leitura
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Cena de "Ruas da Glória"- Divulgação Festival do Rio
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Dirigido por Felipe Sholl, Ruas da Glória retrata relação obsessiva

Existe uma vertente do cinema que se sustenta pelo impacto. Cineastas como Lars von Trier e Yorgos Lanthimos utilizam cenas viscerais, por vezes traumáticas, para extrair emoção e pathos do espectador. Em alguns casos, esses momentos se integram à narrativa e impulsionam a história, como em Ninfomaníaca (2013-14, Lars von Trier). Em outros, porém, tornam-se um peso morto, criando um desconforto que pouco contribui para o desenvolvimento dramático, e é nesse segundo caso que Ruas da Glória se encaixa.

Ao retratar a relação obsessiva e carnal entre Gabriel, Caio Macedo, um professor de cursinho sexualmente reprimido, e Adriano, Alejandro Claveaux, um garoto de programa, Ruas da Glória tinha diversas possibilidades narrativas. Poderia explorar a relação dos personagens com a cidade do Rio de Janeiro, aprofundar seus passados ou desenvolver melhor o conflito emocional que os une. No entanto, essa conexão central nunca se estabelece de forma convincente, deixando o espectador sem entender plenamente a origem dessa paixão, e caindo em um território de posse e desejo que não agrada ninguém.

Alejandro Claveaux e Caio Macedo em cena de "Ruas da Glória"- Divulgação Festival do Rio

Alejandro Claveaux e Caio Macedo em cena de “Ruas da Glória”- Divulgação Festival do Rio

O choque se manifesta principalmente nas longas cenas de sexo entre os protagonistas. Sequências extensas, marcadas por intensidade sonora e física, colocam o espectador em uma posição de voyeurismo quase compulsório. Diferente de obras que utilizam o erotismo de forma mais integrada e sensível, como Baby (2025, Marcelo Caetano), aqui o recurso se torna excessivo e contraproducente, enfraquecendo tanto o relacionamento dos personagens quanto a própria representação do cinema queer.

Em um momento em que o cinema LGBTQIA+ busca reafirmar sua potência narrativa frente à hegemonia heteronormativa, Ruas da Glória recorre a retratos ultrapassados. Seus personagens são vazios de conteúdo e em grande parte, estereotipados e pouco desenvolvidos, limitados a funções narrativas superficiais.

Esteticamente, Ruas da Glória apresenta uma fotografia predominantemente escura, pontuada por cores artificiais associadas ao ambiente da prostituição masculina. Ainda assim, não há um destaque visual significativo que sustente a proposta. O erotismo exacerbado levanta inclusive questionamentos semelhantes aos feitos a Azul é a Cor Mais Quente (2013, Abdellatif Kechiche), no sentido de até que ponto essas escolhas refletem mais os interesses do diretor do que as necessidades da narrativa.

Conhecemos pouco de Gabriel, que deveria ser o centro da história, e ainda menos de Adriano, reduzido a um objeto de desejo e de satisfação carnal. Os personagens secundários também carecem de profundidade, existindo apenas como apoio funcional à trajetória do protagonista, sem participar ou afetar diretamente o conflito, mas sim à narrativa, quando, e se, ela necessitar deles.

Diva Menner em cena de "Ruas da Glória"- Divulgação Festival do Rio

Diva Menner em cena de “Ruas da Glória”- Divulgação Festival do Rio

Na última edição do Festival do Rio, Alejandro Claveaux, Adriano, e Diva Menner, Mônica, foram premiados com o Troféu Redentor de melhor ator e melhor atriz coadjuvante. No entanto, essas escolhas são discutíveis. Adriano aparece pouco e é construído de forma limitada, enquanto Mônica, embora apresente nuances interessantes, depende excessivamente do protagonista para funcionar dramaticamente, e pouco é marcante fora uma sequência de ópera ao final da produção.

Ruas da Glória possuía o potencial para se afirmar como um raro exemplo de cinema erótico no cenário contemporâneo. No entanto, ao priorizar o choque em detrimento da construção narrativa, acaba comprometendo suas próprias ambições. A decadência de Gabriel é evidente, mas seu arco carece de sustentação dramática consistente.

Ao final, resta a sensação de que havia um filme melhor escondido dentro dessas quase duas horas, um que nunca chega a se concretizar. O pathos está presente, mas é um bem diferente daquele que Felipe Sholl pretendia provocar.

Distribuído pela Retrato Filmes, Ruas da Glória estreia nos cinemas no dia 02 de Abril.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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