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Josh O'Connor em The Mastermind- Divulgação Mubi
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘The Mastermind’ discute jazz, fracassos e o espírito da América

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 8 de outubro de 2025
6 Min Leitura
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Josh O'Connor em The Mastermind- Divulgação Mubi
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Dirigido por Kelly Reichardt, The Mastermind une humor e tragédia na reflexão da desilusão americana, e seus inúmeros fracassos

É sempre curioso quando a ironia de uma produção já se anuncia no título. The Mastermind poderia muito bem ser o nome de uma cinebiografia sobre Albert Einstein, ou de algum outro gênio da contemporaneidade, porém, encontramos somente Josh O’Connor interpretando J.B. Mooney, um homem magro, introspectivo, sem grandes habilidades e cada vez mais afundado em seus próprios erros. Em sua inevitável contradição, o título já anuncia a tragédia: na América de Kelly Reichardt, não existe nenhuma “mente mestra”, somente alguém que sonha em melhorar de vida e fracassa de modo catastrófico.

O cinema sempre caminhou por ciclos. Hoje vivemos a era das franquias de super-heróis e do terror em ascensão. Nos anos 80 e 90, as comédias românticas ditavam tendência. Já na segunda metade do século XX, um subgênero se destacava: o filme de roubo, sendo nesse terreno que Kelly Reichardt finca seu projeto. The Mastermind recria não apenas a estética, mas a própria textura de um longa dos anos 70. Desde o jazz dominante da trilha sonora, a fotografia em película e o leve desfoque onírico das imagens, evocando um tempo passado que não somente ambienta os anos 70, mas remete às filmagens da década.

Alana Haim em cena de "The Mastermind"- Divulgação Mubi

Alana Haim em cena de “The Mastermind”- Divulgação Mubi

Assim como Os Banshees de Inisherin (2022, Martin McDonagh) utilizava a briga absurda de dois ex-amigos para simbolizar a guerra civil irlandesa, Reichardt transforma a jornada desastrada de Mooney em uma alegoria para a Guerra do Vietnã. Os Estados Unidos entraram no conflito com confiança desmedida, certos de sua superioridade, e terminaram derrotados, fragilizados e sem rumo. Mooney repete esse percurso: imagina-se capaz de roubar obras de arte em plena luz do dia, com uma equipe amadora e um plano mal traçado, e do mesmo modo que na guerra, termina inevitavelmente derrotado.

A busca de J.B. é simples, busca provar para a família e para si mesmo que pode ser ativo, destemido, e maior do que parece. Sua passividade transparece no convívio frio com a parceira e na relação frágil com os filhos, enquanto deseja ser uma versão moderna de Charlie Crocker, o ladrão elegante vivido por Michael Caine em Um Golpe à Italiana (1969, Peter Collinson), porém, o abismo entre sonho e realidade é gritante, e cada passo de ousadia é um passo a mais em direção à própria derrota.

Josh O’Connor, recém saído do papel de um ladrão sonhador em La Chimera (2023, Alice Rohrwacher), mostra novamente seu talento para personagens desajustados, trazendo em Mooney alguém que nunca aprende, e por consequência, está condenado a repetir sempre os mesmos erros. A ironia máxima surge quando, após a sucessão de fracassos, e pedidos de socorro ignorados, ele não é preso pelo roubo que arquitetou, mas sim por outro motivo qualquer, sendo este o último riso amargo daquele visto como ‘The Mastermind‘: até mesmo o castigo recebido, é o errado.

Josh O'Connor em The Mastermind- Divulgação Mubi

Josh O’Connor em The Mastermind- Divulgação Mubi

A trilha sonora marcada por um jazz, suave em alguns momentos e claustrofóbico em outros, acompanha Mooney como se fosse parte de sua própria ilusão cinematográfica, afinal, em seu próprio mundo, ele é um herói. Durante o assalto, os instrumentos parecem reforçar a atmosfera de um heist movie, porém, quando a realidade se impõe, a música cessa e o silêncio toma conta, deixando apenas as vozes internas, julgadoras, que ecoam na mente do protagonista. Se antes a vida era uma trilha de jazz, depois do fracasso resta apenas o vazio.

Ao retratar a América dos anos 70, Reichardt fala da loucura e da depressão de um país sem saída. A promessa de grandeza se dissolve no cotidiano enfadonho, e a esperança é esmagada pela repetição dos erros. The Mastermind é, portanto, mais do que uma dramédia de fracassos: é um retrato de uma nação exausta, onde sonhos se transformam em ruínas, e da mesma forma que Mooney, os Estados Unidos, até os dias de hoje, continuam buscando uma grandeza inalcançável, somente para terminarem na própria desilusão.

Com distribuição da Imagem Filmes, em parceria com a MUBI, The Mastermind estreia nos cinemas em 16 de outubro.

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Tags:Anos 70CinemacríticaCrítica The MastermindDesilusão americanaGuerra do vietnãimagem filmesJosh O ConnorKelly ReichardtLa Chimeramubisonho norte americanoThe Mastermind
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