Dirigido por Nisha Ganatra, Uma Sexta Feira Mais Louca Ainda é um presente para os fãs do original, e para todos que gostam de um filme divertido e despretensioso
Quando jovem, eu nunca tive muito interesse em assistir Sexta-Feira Muito Louca (2003, Mark Waters). Nem quando passava na Sessão da Tarde, nem no Maravilhoso Mundo de Disney, afinal, sempre achei a premissa da troca de corpos entre a filha roqueira e a mãe de cabelo curto “boba demais”. Assim, como uma criança impressionável, acabava escolhendo ver algo ainda mais “bobo”.
À medida que o segundo filme se aproximava, decidi enfrentar meu antigo preconceito e assistir ao original. Inicialmente assisti à Se eu Fosse Minha Mãe (1976, Gary Nelson), o primeiro contato que o livro Sexta Feira Muito Louca (1972, Mary Rodgers) teve com adaptações. A produção de Nelson conta com uma jovem Jodie Foster e uma elegante Barbara Harris, trocando de corpos e vivendo estas experiências, porém, na versão da década de 70, ambas não interagem entre si quando trocaram de corpos, o que faz perder grande parte da graça. Para o agrado de todos, isto foi corrigido no filme de Waters.
Ao final, percebi que Sexta Feira Muito Louca é uma das melhores comédias adolescentes que a Disney já produziu, explicando por que sua continuação chegou aos cinemas, diferente de outras sequências como Abracadabra 2 (2022, Anne Fletcher) e Desencantada (2022, Adam Shankman), que falharam em capturar a magia de seus predecessores e foram direto para o streaming, enquanto Uma Sexta Feira Mais Louca Ainda não apenas mantém esse espírito, como o amplia em diversão, caos e até momentos mais dramáticos, sem deixar de lado uma bem-vinda dose de nostalgia.

Lindsay Lohan, Sophia Hammons, Jamie Lee Curtis, Julia Butters em cena de Sexta Feira Ainda Mais Louca- Divulgação Disney
Muitas sequências de clássicos seguem a mesma narrativa com poucas variações, Abracadabra 2 novamente é um bom exemplo, falhando em reproduzir o encanto ou a originalidade do primeiro filme. Uma Sexta Feira Mais Louca Ainda também segue a estrutura do original, com um casamento e a clássica troca de corpos, mas apresenta diferenças que tornam a experiência mais leve, divertida e surpreendentemente renovada, algo raro nas produções atuais.
Um dos diferenciais é o dobro de trocas de corpo, que, graças ao carisma de seu elenco, especialmente Jamie Lee Curtis e Lindsay Lohan, mas também Julia Butters e Sophia Hammons, funciona de forma natural e cativante. As atrizes mais jovens roubam a cena em diversos momentos. Há uma organicidade nas relações entre as personagens que não estava presente em filmes como Jumanji: Próxima Fase (2019, Jake Kasdan), onde as interações soam repetitivas e sem alma. Aqui, cada troca dá um brilho novo, conseguindo se diferenciar do primeiro filme, e até mesmo emocionar em mais de um momento.
Com uma estética colorida, o filme se destaca pela fotografia vibrante e pela direção de arte, que entrega cenários e figurinos inovadores, principalmente a praia. O roteiro leva os personagens por momentos tanto cômicos quanto dramáticos, com destaque para o quarteto feminino, enquanto os personagens masculinos, Eric, Jake e Ryan, cumprem papeis secundários que remetem às esposas dos filmes clássicos dos anos 1950/60: figuras perfeitas, sem grandes conflitos ou desenvolvimento, deixando as mulheres serem o verdadeiro foco da história, como deveria ser.

Lindsay Lohan em cena de Sexta Feira Ainda Mais Louca- Divulgação Disney
O resultado é um filme leve, caótico e despretensioso, que presta homenagens ao original ao mesmo tempo que funciona de forma independente. Aprendendo com os erros de outras continuações do estúdio, Uma Sexta Feira Mais Louca Ainda mantém viva a magia da franquia, consolidando-a como um dos maiores acertos da Disney no gênero de comédia adolescente.
Siga-nos e confira outras dicas em @viventeandante e no nosso canal de whatsapp !



