Crítica | Dente por Dente

Dente por Dente participou do Fantastik Festival, onde recebeu o prêmio de Melhor Longa pelo Júri ACCRJ e Júri Popular. Uma produção Glaz Entretenimento em parceria com a Globo Filmes e distribuído pela Vitrine Filmes. Estreia neste dia 28 de janeiro e tem no elenco Juliano Cazarré, Paolla Oliveira, Paulo Tiefenthaler e Renata Sorrah.

Aqui, se eu puder fazer uma correção, diria que é um filme de Juliano Cazarré, Aderbal Freire Filho, Phillip Lavra e Juliana Gerais, inclusive esta última com uma presença linda em cena, ainda que breve. Já Paulo e Renata pouco aparecem, o que pode ser uma referência para o jeito escuso e sombrio de seus personagens.

O que mais chama a atenção para o filme, além do elenco de peso, é a sua temática. Vemos na produção uma ousadia inteligente, que poderia dar mais certo caso tivesse um roteiro mais limpo e cenas melhor elaboradas. A banalidade das cenas pareceu casual e despropositada, ainda que na cenografia pouco seja deixado ao acaso. Uma grande vantagem da concepção é que tudo é muito factível, crível e por esta razão, ainda mais assustador.

Lobby

Grandes construtoras, com milhões em investimento, lobby político, terrenos e conexões ilícitas com setores corrompidos da força policial e jurídica versus grupos marginalizados alvos de remoções generalizadas e históricas sem qualquer apoio político, comoção social ou igualdade midiática são um prato cheio, rendendo da comédia ao terror, dos documentários ao suspense. Suspense que no filme bebe duma fonte sobrenatural quase religiosa, nos deixando reféns de uma narrativa que parece apenas poder contar com forças justiceiras ocultas na resolução das questões que desumanizam e geram revolta moral interior na película.

O papel de Juliano (Ademar) é uma ambiguidade virtuosa para mim. Talvez eu conheça poucos como ele, um personagem que se mostra alheio ao que acontece no seu entorno ou que escolhe não ver. Contudo, em seus sonhos e reflexões reconhece exatamente aquilo que está errado e permite que recaia sobre ele o peso das suas inações. Não parece a princípio entender sua posição nos jogos perigosos que o cercam, mas ao mesmo tempo enxerga além do que os outros querem mostrar.

Pergunto-me se seria ele um personagem comum que eu não tenha visto regularmente ou se teria nele um erro de construção. Homem simples, de trato bruto e mão na massa. Durante as horas em claro, à base de remédios, faz seu trabalho, filosofa sobre presente, passado, imagem, reflexo, sonho e realidade. Não é impossível, mas talvez a parte mais magnifica da história.

Vale a pena assistir, não é meu gênero favorito, mas tenho visto mais títulos similares nos últimos três anos e este não foi enfadonho, prende a atenção o suficiente e cria expectativa.

Boa sessão a todos!

Aliás, veja o trailer:

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