- 1. César Camargo Mariano: uma mulher que não admitia mentiras
- 2. Celina Silva: a preocupação de Elis com os filhos
- 3. Elis Regina: “Também sou filha de Deus, mereço”
- 4. Rita Lee: a “pimenta super doce” que inspirou uma música
- 5. João Marcello Bôscoli: o temperamento de Elis Regina também passou pelo machismo
- 6. Ione Cirilo: longe dos palcos, uma Elis cotidiana
- 7. A carta deixada para João Marcello
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Elis Regina continua presente na memória brasileira pela força de sua voz, pela personalidade marcante e por interpretações que atravessaram gerações. Mas, por trás da cantora consagrada, existia uma mulher com relações, conflitos, desejos, dúvidas e uma intensa dedicação aos filhos. É justamente essa dimensão mais íntima que está no centro de “Elis & Eu”, documentário original já disponível exclusivamente no Universal+.
Inspirado no livro Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe, do produtor musical João Marcello Bôscoli, filho mais velho da cantora, o documentário parte das memórias pessoais de João para reconstruir diferentes aspectos da personalidade de Elis Regina.
A produção reúne imagens raras e lembranças de pessoas que conviveram com a artista em diferentes momentos de sua vida. Entre os entrevistados estão Rita Lee, Milton Nascimento, César Camargo Mariano, Ronaldo Bôscoli, Wanderléa e Roberto Menescal, além de familiares e amigos.
O resultado é um retrato que procura ir além da Elis conhecida pelos palcos. As lembranças apresentadas no documentário revelam uma mulher intensa, exigente, generosa, divertida, inquieta, pioneira e profundamente ligada aos filhos.
Mais do que estabelecer uma única interpretação sobre Elis Regina, “Elis & Eu” apresenta diferentes perspectivas sobre a mesma mulher. Algumas dessas visões aparecem em frases que ajudam a entender a cantora para além de sua trajetória artística.
1. César Camargo Mariano: uma mulher que não admitia mentiras
A personalidade forte de Elis aparece na lembrança de César Camargo Mariano, músico, produtor e companheiro da cantora.
“Ela foi uma excelente mãe, uma excelente pessoa, uma excelente companheira, uma pessoa muito brava que não admitia mentiras. Ela só falava a verdade e às vezes essa posição incomoda um pouco as pessoas.”
A declaração mostra uma Elis que não separava facilmente sua personalidade de sua maneira de encarar a vida. A mesma firmeza que aparecia diante de questões profissionais também fazia parte de sua convivência pessoal.
2. Celina Silva: a preocupação de Elis com os filhos
A relação de Elis com a maternidade também aparece no depoimento de Celina Silva, jornalista e secretária da cantora nos últimos anos de sua vida.
“As mães hoje trabalham fora e tem uma culpa muito grande. A Elis trabalhava fora, mas ela procurava dar esse amor para eles de uma outra forma.”
A fala ajuda a apresentar um dos aspectos centrais do documentário: a tentativa de compreender como Elis conciliava uma carreira profissional intensa com a vida familiar.
A própria cantora falou sobre essa questão em 1978.
3. Elis Regina: “Também sou filha de Deus, mereço”
Em uma declaração de 1978, Elis Regina refletiu sobre sua relação com os filhos e sobre a necessidade de conciliar trabalho, família e momentos pessoais.
“Não é muito difícil conciliar as coisas, desde que a gente aja muito às claras. Quer dizer, se hoje tem trabalho, eles compreendem. Ou ‘hoje eu não vou sair para trabalhar, eu vou sair para ir ao cinema’. Também sou filha de Deus, mereço. E eles são pessoas compreensivas.”
A frase apresenta uma artista consciente da necessidade de equilibrar diferentes papéis. Elis reconhecia a importância do trabalho, mas também reivindicava o direito de viver momentos fora dos compromissos profissionais.
Essa dimensão cotidiana contribui para o retrato construído pelo documentário, que não se limita aos grandes momentos da carreira.
4. Rita Lee: a “pimenta super doce” que inspirou uma música
A personalidade de Elis também foi transformada em música por Rita Lee.
Ao falar sobre Doce de Pimenta, composição feita em homenagem à cantora em 1978, Rita resumiu a impressão que Elis causava:
“A gente ficou babando, que pessoa mais incrível. O mínimo que a gente podia fazer era uma música, né? Então é pimenta, mas uma pimenta super doce, super genial, super mãezona de todo mundo, né?”
A definição reúne características aparentemente opostas. Elis poderia ser intensa e firme, mas também era lembrada pela generosidade e pelo cuidado com as pessoas próximas.
A homenagem de Rita Lee se transforma, assim, em mais uma perspectiva sobre a artista apresentada em “Elis & Eu”.
5. João Marcello Bôscoli: o temperamento de Elis Regina também passou pelo machismo
Para João Marcello Bôscoli, algumas das interpretações sobre a personalidade de sua mãe precisam ser observadas dentro do contexto em que ela construiu sua carreira.
“Ela sempre foi cercada de homens e eu acho que muito do que a gente fala a respeito do temperamento da Elis é machismo puro, né?”
João lembra que não era comum, naquele contexto, uma mulher ocupar uma posição de tamanha autoridade sobre sua própria produção artística.
“Não era muito normal isso, uma mulher ter opinião do que quer gravar, que arranjo ela quer, qual acorde.”
A leitura também aborda a própria imagem de Elis. Segundo João, a cantora chegou a associar o corte de cabelo ao desejo de diminuir o assédio.
A observação acrescenta ao documentário uma discussão sobre a posição ocupada por Elis Regina em um ambiente profissional predominantemente masculino e sobre a forma como sua firmeza era percebida.
6. Ione Cirilo: longe dos palcos, uma Elis cotidiana
A jornalista e amiga Ione Cirilo apresenta outra imagem da cantora, muito distante da figura pública associada aos grandes palcos.
“Fora do palco, ela era realmente uma mulher com a vida tradicional, normal. Ela ia para minha casa para fazer ficar batendo papo, fazendo tricô, bordando e trocando figurinha. Amiga, comadre mesmo.”
A lembrança revela uma Elis que também encontrava espaço para atividades simples e relações de amizade longe da exposição pública.
É justamente esse contraste que move boa parte da proposta de “Elis & Eu”: colocar lado a lado a artista reconhecida por sua intensidade e a mulher que compartilhava momentos comuns com pessoas próximas.
7. A carta deixada para João Marcello
Talvez uma das passagens mais pessoais seja a carta deixada por Elis para o filho.
“Se por ventura eu lhe falhar, não estiver à sua altura, se for menos do que você acha que merecia, não me imagine mais do que eu sou. Tenho tantos problemas como você. Não me culpe antes, procure me compreender. Sou resultado do que a vida fez comigo, inconsciente e inconsequentemente.”
A mensagem sintetiza uma das principais propostas do documentário: olhar para Elis Regina não apenas como um ícone da música brasileira, mas como uma pessoa.
Ao recorrer às memórias de João Marcello e às lembranças de quem esteve próximo da cantora, a produção constrói uma Elis que não aparece apenas como a intérprete de grandes canções, mas como mãe, amiga, companheira e mulher.
Dirigido pelo cineasta André Bushatsky, “Elis & Eu” é uma coprodução entre NBCUniversal Global Distribution, Movioca Casa de Conteúdo e Bushatsky Filmes.
A estrutura do documentário permite que diferentes pessoas apresentem suas próprias memórias. Rita Lee, Milton Nascimento, César Camargo Mariano, Ronaldo Bôscoli, Wanderléa, Roberto Menescal, familiares e amigos ajudam a formar um mosaico de lembranças.
A presença de João Marcello Bôscoli dá ao filme uma perspectiva particularmente íntima. É a partir da relação entre mãe e filho que a produção revisita acontecimentos e procura compreender a mulher que existia por trás da personagem pública.
Assim, “Elis & Eu” não se limita a recontar a trajetória profissional de Elis Regina. O documentário procura recuperar sua humanidade por meio de lembranças, imagens e relatos de pessoas que conheceram diferentes lados da cantora.
Para quem conhece Elis Regina principalmente pela obra musical, a produção oferece uma oportunidade de observar justamente aquilo que normalmente fica fora dos palcos: a convivência familiar, as amizades, a personalidade, a maternidade e as contradições de uma mulher que se tornou uma das figuras mais importantes da cultura brasileira.
“Elis & Eu” já está disponível exclusivamente no Universal+. No Brasil, o serviço pode ser acessado pelas plataformas Prime Video, Claro TV+, Vivo TV+, Meli+ e UOL Play.
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