A Marina da Glória viveu uma noite memorável no último sábado (11) com a abertura do Festival Clássicos do Brasil, que levou ao palco quatro nomes fundamentais da música nacional. Em um cenário deslumbrante, à beira-mar e sob temperatura agradável, o público embarcou em uma viagem sonora pelas décadas de 1990 e 2000. O som impecável, a produção caprichada e o clima de celebração criaram o ambiente perfeito para revisitar discos que moldaram a história recente da música brasileira.
Gabriel o Pensador e a nostalgia do “Quebra-Cabeça”
O pontapé inicial do Festival Clássicos do Brasil ficou por conta de Gabriel o Pensador, que trouxe o repertório do clássico Quebra-Cabeça (1997). O rapper conduziu o público a uma verdadeira viagem no tempo com faixas como Lavagem Cerebral, 2345meia78, Astronauta e Cachimbo da Paz, parceria marcante com Lulu Santos.
A plateia, formada por fãs que acompanharam o lançamento do disco ainda na juventude, cantou cada verso com entusiasmo. O ponto alto veio quando parte do público e da produção subiram ao palco para cantar junto, transformando o momento em uma grande celebração coletiva.

Cidade Negra e o calor das boas vibrações
Na sequência, Cidade Negra subiu ao palco para homenagear o álbum Sobre Todas as Forças (1994), um dos marcos do reggae brasileiro. Toni Garrido e cia. comandaram o público em uma sequência irresistível de hits como Onde Você Mora?, A Sombra da Maldade e Pensamento.
O auge da apresentação veio com Girassol, quando o cantor adaptou o verso tradicional para valorizar meninas e mulheres — gesto que emocionou a plateia. Foi um show cheio de leveza, empatia e boas energias — um verdadeiro reencontro entre banda e fãs.

Nação Zumbi e o peso atemporal de “Da Lama ao Caos”
O momento mais intenso da noite chegou com Nação Zumbi, que apresentou na íntegra Da Lama ao Caos (1994). O disco, que completou 30 anos, soou mais atual do que nunca, com suas letras afiadas e batidas pulsantes ecoando força e resistência.
Sob o comando carismático de Jorge Du Peixe, o público se entregou totalmente: rodas de pogo se abriram, corpos pulavam em sincronia, e a vibração tomou conta do espaço.
Foi o ponto de maior energia do Festival Clássicos do Brasil — um verdadeiro transe coletivo, em que a fúria e a poesia do manguebeat voltaram a se encontrar no coração do Rio.

Marcelo D2 e a batida perfeita para encerrar a festa
Fechando a primeira noite do Festival Clássicos do Brasil, Marcelo D2 trouxe o repertório do premiado À Procura da Batida Perfeita (2003), costurando rap, samba, reggae e hip hop em um show contagiante. Mesmo com o público já cansado, o clima seguiu em alta.
Clássicos como Vai Vendo, A Maldição do Samba, 1967, Desabafo, Mantenha o Respeito e Qual É? incendiaram a Marina e encerraram a noite em grande estilo.
D2 mostrou mais uma vez sua habilidade em unir o experimental e o popular, celebrando duas décadas de um disco que segue influente.

Festival Clássicos do Brasil é um sucesso
A produção do Festival Clássicos do Brasil foi um capítulo à parte — técnica, som, luzes e ambientação ofereceram uma moldura digna para os artistas. O som estava claro, equilibrado, sem embates incômodos entre instrumentos ou microfones. A cenografia explorou a vista da Marina da Glória com discrição e elegância: a proximidade do mar e da noite colaborou para sensação de espetáculo ao ar livre.
O público variou ao longo da noite — parecia disperso no começo, mas ao longo dos shows aproximou-se e se impregnou. Quem chegou tardiamente encontrou espaço, mas quem esteve desde os primeiros versos do festival ganhou uma narrativa conjunta da noite toda. A infraestrutura deu conta em termos práticos: acesso, circulação e estrutura básica funcionaram bem para a escala do evento.
Por fim, a primeira noite do Festival Clássicos do Brasil cumpriu, com intensidade, a promessa de revisitar discos que marcaram gerações. Ao trazer Gabriel com Quebra-Cabeça, Cidade Negra com Sobre Todas as Forças, Nação Zumbi com Da Lama ao Caos e Marcelo D2 com À Procura da Batida Perfeita, o festival montou um panorama rico, plural e generacional.
Houve nostalgia, mas também crítica, força e relevância. A noite mostrou que revisitar clássicos não é exercício de museu: é afirmar que as músicas continuam vivas, dialogando com o presente. Quem saiu da Marina levou consigo a certeza de que a música brasileira merece esse cuidado de lembrar seu passado e que sempre é bom usá-lo para iluminar o agora.
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