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Seung-Yeon Han e Ji-Hoon Lee em cena de "Meu Pior Vizinho"- Divulgação Sato Company
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Meu Pior Vizinho’ é boa comédia romântica a moda antiga

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 9 de novembro de 2025
5 Min Leitura
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Seung-Yeon Han e Ji-Hoon Lee em cena de "Meu Pior Vizinho"- Divulgação Sato Company
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Dirigido por Lee Woo-Cheol, Meu Pior Vizinho retrata com leveza e humor as nuances do amor moderno

Em diferentes países, o amor é expresso de maneiras distintas. Basta comparar os inúmeros reality shows de relacionamento disponíveis em plataformas de streaming, como a Netflix, para perceber contrastes marcantes entre produções brasileiras e sul-coreanas. Enquanto no Brasil é comum que o primeiro encontro envolva gestos físicos como segurar as mãos ou um beijo, na Coreia do Sul, marcada por tradições culturais e convenções sociais mais reservadas, o afeto se manifesta de forma muito mais sutil. É nesse contexto que surge Meu Pior Vizinho, uma leve e encantadora comédia romântica que adapta, com toques de cultura local, o filme francês Um Amor Inesperado (2015, Clovis Cornillac).

Conhecida mundialmente por seus Doramas, a Coreia do Sul construiu um estilo próprio de retratar o amor, com uma estética cuidadosa, ritmo delicado e profundo respeito emocional pelos personagens. Em Meu Pior Vizinho, Woo-Cheol explora essas características com sensibilidade, transformando o cotidiano de dois adultos solitários em um retrato poético da conexão humana.

Seung-Yeon Han em cena de "Meu Pior Vizinho"- Divulgação Sato Company

Seung-Yeon Han em cena de “Meu Pior Vizinho”- Divulgação Sato Company

A história acompanha Ra-ni, uma designer e artista, e Seung-jin, um aspirante a cantor, que vivem em apartamentos vizinhos, somente separados por uma fina parede. O convívio forçado e o incômodo causado pelos sons que atravessam o muro dão início a uma divertida guerra de ruídos, uma disputa que, aos poucos, se transforma em diálogo, curiosidade e, inevitavelmente, afeto.

A premissa evoca o mito greco-romano de Píramo e Tisbe, jovens amantes de famílias rivais que se comunicavam apenas por uma fenda na parede. De forma moderna e sutil, o filme resgata esse simbolismo, fazendo do som e da distância o elo que aproxima os protagonistas, e por consequência, o design sonoro é um dos grandes trunfos da obra, funcionando como fio condutor da narrativa e traduzindo em ruídos, silêncios e batidas o crescimento emocional entre os personagens.

Com 1 hora e 54 minutos de duração, o longa raramente perde o rumo, embora se alongue em alguns momentos, especialmente nas cenas envolvendo os amigos de Seung-jin, personagens secundários que não chegam a ter características próprias que justifiquem tanto tempo em tela. Ainda assim, essas pequenas distrações não comprometem o encanto da produção, que encontra seu ponto alto nas sequências românticas e visuais.

Meu Pior Vizinho alterna entre uma estética realista e momentos de fantasia, brincando com elementos de animação e distorções visuais que quebram a expectativa do espectador, trazendo frescor e leveza, reforçando o caráter lúdico da narrativa e o desejo do diretor de oferecer uma experiência de conforto, mais do que de inovação.

Ae Yeon Jeong e Seung-Yeon Han em cena de "Meu Pior Vizinho"- Divulgação Sato Company

Ae Yeon Jeong e Seung-Yeon Han em cena de “Meu Pior Vizinho”- Divulgação Sato Company

O arco dramático de Ra-ni, especialmente suas crises pessoais destacadas pela irmã, e a jornada pessoal de Seung-jin para ser um cantor, poderia ter sido mais explorado. Da mesma forma, a separação do casal soa um tanto forçada, existindo somente para seguir a fórmula clássica da comédia romântica. No entanto, desde o início, a produção deixa claro que seu objetivo não é surpreender o público, mas acolhê-lo dentro de uma estrutura familiar e emocionalmente satisfatória, por consequência, o desfecho previsível não é um defeito, mas uma escolha coerente com a proposta da obra: entregar ao espectador o conforto de um romance que segue o coração acima de tudo.

Com fotografia delicada, trilha sonora envolvente e uma narrativa que mistura humor, cotidiano e poesia, Meu Pior Vizinho é o tipo de filme perfeito para uma tarde chuvosa, sem tentar reinventar o gênero, mas o celebrando, reafirmando o valor das pequenas histórias e dos gestos contidos. É uma produção que, ao seguir à risca o “livro de regras” dos Doramas, encontra beleza justamente na simplicidade, entregando exatamente o que promete: um romance doce, esteticamente encantador e emocionalmente reconfortante.

Distribuído pela Sato Company, Meu Pior Vizinho estreia nos cinemas no dia 13 de Novembro.

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Tags:CinemacomediaComedia Românticacriticacritica meu pior vizinhoLee Woo-Cheolmeu pior vizinhonetflixsato company
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