Se você está procurando uma experiência teatral que saia do óbvio e sacuda as ideias, a recomendação da vez no circuito carioca ocupa o Porto do Rio. Em cartaz desde o início do mês, o espetáculo “O Dragão”, da Companhia Ensaio Aberto, segue sua temporada de sucesso no Armazém da Utopia.
Com direção de Luiz Fernando Lobo, a montagem transforma o célebre texto do dramaturgo russo Eugène Schwartz em uma fábula grandiosa e urgente sobre a tirania, o poder e, acima de tudo, o perigo do conformismo social.
Abaixo, listamos por que essa produção precisa entrar no seu roteiro cultural antes que a temporada termine, no dia 8 de junho.
1. Uma fábula afiada nascida em tempos de guerra
Eugène Schwartz começou a escrever O Dragão em 1943, em pleno isolamento na Ásia Central, para onde foi banido com o Teatro de Comédia de Leningrado devido ao cerco nazista.
A história usa a estrutura de um “conto de fadas para adultos” para fazer política pura: uma cidade é dominada há 400 anos por um dragão de três cabeças, até que o herói Lancelot decide desafiar o monstro usando armas forjadas pela própria classe operária.
É uma metáfora poderosa sobre como as sociedades muitas vezes se acostumam com a opressão.

2. Um espetáculo visual com o lirismo de Marc Chagall
A estética da montagem é um show à parte. Os figurinos assinados por Beth Filipecki e Renaldo Machado, aliados à iluminação de Cesar de Ramires, buscam inspiração direta no universo fantástico, lírico e colorido das pinturas de Marc Chagall.
A atmosfera ganha ainda mais força com a trilha sonora e música original composta por Felipe Radicetti.
3. Impacto técnico e voos sobre a plateia
Não se trata de um teatro convencional. O cenógrafo J. C. Serroni projetou um dispositivo cênico ambicioso para ocupar o galpão do Armazém da Utopia.
O grande destaque técnico fica por conta de uma traquitana aérea, desenvolvida por Claudio Baltar, que faz com que os personagens Lancelot e o imponente Dragão — uma estrutura de seis metros de comprimento confeccionada por Eduardo Andrade — sobrevoem a cabeça do público durante o clímax da encenação.
4. Coletivo em cena e acrobacias aéreas
A força do espetáculo se apoia em um elenco robusto de 24 atores que se desdobram entre os personagens principais e o coro operário, lanceiros e forças de choque.
O próprio diretor, Luiz Fernando Lobo, interpreta o Dragão, dividindo o palco com Leonardo Hinckel (Lancelot), Tuca Moraes (o Gato) e Luiza Moraes (Elsa). A montagem ainda conta com números de pirofagia, rapel e dança vertical, coordenados pelas especialistas Adelly Costantini e Lana Borges.
A tradução impecável do texto é da escritora Maria Julieta Drummond de Andrade, garantindo que cada linha da ironia e da crueza de Schwartz chegue afiada aos ouvidos do público de hoje.

Serviço
Espetáculo: O Dragão, de Eugène Schwartz
Direção: Luiz Fernando Lobo
Companhia: Companhia Ensaio Aberto
Temporada: Em cartaz até 08 de junho de 2026
Horários: Sextas, sábados, domingos e segundas, às 20h (Abertura da casa 1h antes)
Local: Armazém da Utopia (Armazém 6, Cais do Porto, s/nº – Rio de Janeiro/RJ)
Lotação: 300 lugares
Duração: 105 minutes
Classificação Indicativa: 12 anos
Ingressos:
- R$ 60,00 (Inteira)
- R$ 30,00 (Meia-entrada)
Valores sociais para grupos disponíveis sob consulta via WhatsApp.
Vendas Online: Sympla ou pelo WhatsApp: (21) 97976-0046
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