Thursday, September 24, 2020

Muito Amor pra Dar | Filme argentino namora com machismo e estereótipos

Muito amor pra dar (Corazon Loco) é um filme argentino dirigido e escrito por Marcos Carnevale. A princípio, deveria ser uma comédia, mas não é lá muito engraçada. Conta a história de Fernando, um médido traumatologista que mantém duas famílias, uma em Mar del Plata e outra em Buenos Aires. As metáforas são extremamente óbvias, como no início, onde a primeira mulher do salafrário corre o risco de ficar cega ao sofrer um acidente. A verdade é que ela está cega faz tempo.

As melhores coisas de Muito amor pra dar são as atuações de Soledad Villamil como Vera e Gabriela Toscano como Paula, as duas esposas do falastrão Fernando (Adrián Suar). Mas a direção não ajuda a tirar o melhor delas. O personagem Fernando é carinhoso – e mentiroso. O pior é que acha que está certo e que não está fazendo nada demais. No geral, é tudo extremamente estereotipado e segue o caminho do clichê fácil. As piadas em sua maioria não funcionam. Fernando começa o filme narrando que tem um problema: um coração maior do que o normal. Por isso, ama demais… Assim mostra o trailer, inclusive, o qual resume bem a película.

Apesar de tudo, é sempre bom ver Soledad Villamil em ação, a qual participou de ótimos filmes como O Segredo dos Seus Olhos (2009), e o maravilhoso O Mesmo Amor, a Mesma Chuva (1999), altamente recomendado.

Talvez em Muito amor pra dar seja possível falar de sororidade, a união entre as mulheres, mas creio que seria forçar algo de positivo em uma obra fútil que não traz nada de realmente novo e não funciona nem como denúncia de práticas desleais.

Enfim, veja o trailer:

Todavia, leia mais:

Ana Catão do Cosmogonia Africana| “Nossa missão é trazer essa história que foi varrida para debaixo do tapete”
Por fim, abaixo, ouça Luellem de Castro | “Feminismo é um conceito branco”

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