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Negra Palavra – Poesia do Samba: um espetáculo que exalta a poesia dos sambistas

Por
Caroline Teixeira
Última Atualização 17 de setembro de 2025
7 Min Leitura
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Tópicos
  • A força da palavra em cena
  • Sincronia e intensidade no palco
  • O brilho de Olívia Araújo
  • Figurinos e ambientação
  • Um convite à escuta atenta
  • A celebração em roda de samba
  • A importância cultural do espetáculo
  • Leia Mais

O samba é uma das maiores riquezas culturais do Brasil, mas nem sempre é reconhecido em toda a sua profundidade poética. A peça “Negra Palavra – Poesia do Samba”, apresentada no Teatro III do CCBB Rio de Janeiro, veio para reafirmar que os grandes sambistas são, acima de tudo, grandes poetas. Mais do que um musical, o espetáculo é uma verdadeira celebração da ancestralidade, da música e da palavra, dando corpo e voz a letras que atravessam gerações

Na última segunda-feira, tive a oportunidade de assistir à montagem e posso afirmar: trata-se de uma experiência única, capaz de emocionar e, ao mesmo tempo, despertar reflexão sobre como muitas vezes cantamos sambas de memória, sem nos dar conta da profundidade de seus versos.

A força da palavra em cena

O espetáculo constrói sua narrativa a partir da recitação e da interpretação das letras de sambas clássicos e contemporâneos. Em tom de poesia, canções de Cartola, Paulinho da Viola, Arlindo Cruz, Leci Brandão, Nei Lopes e outros mestres são revisitadas e ressignificadas no palco. Ao ouvir versos declamados sem o acompanhamento musical, o público é convidado a mergulhar na beleza pura da palavra, revelando a força literária presente em cada composição.

Essa proposta é um dos maiores acertos da peça: mostrar que o samba é, além de música, literatura viva, feita de metáforas, imagens poéticas e narrativas que falam de amor, dor, resistência e esperança.

Sincronia e intensidade no palco

O elenco é formado por seis atores homens e uma atriz, que constroem uma performance marcada pela sincronia, pelo ritmo e pela intensidade das interpretações. O jogo de vozes, o revezamento entre poesia e canto e a interação entre os artistas criam um espetáculo dinâmico, que prende a atenção do público do início ao fim.

Cada ator traz sua própria energia para o palco, e juntos formam um corpo cênico coeso, que se movimenta como uma roda de samba: ora em uníssono, ora em solos carregados de emoção. Essa sincronia dá ainda mais força à proposta de valorizar a palavra como protagonista.

O brilho de Olívia Araújo

Um dos destaques da noite é a atuação de Olívia Araújo, única mulher em cena. Sua presença traz equilíbrio e potência ao espetáculo. Com uma entrega visceral, Olívia transita entre a delicadeza e a firmeza, conduzindo o público por momentos de intensa emoção. Sua interpretação revela não apenas domínio técnico, mas também uma profunda conexão com a ancestralidade feminina presente no samba.

É impossível não se emocionar ao vê-la dar vida a versos de sambistas mulheres como Dona Ivone Lara e Leci Brandão, mostrando como o feminino sempre foi fundamental na história desse gênero musical.

Figurinos e ambientação

O figurino, simples e sofisticado ao mesmo tempo, valoriza a identidade do elenco e cria uma atmosfera intimista. As roupas em tons neutros permitem que a palavra seja o verdadeiro destaque da cena, mas também trazem um ar de elegância que dialoga com a poesia do espetáculo.

A iluminação e a ambientação completam a experiência: com jogos de luz que destacam ora o coletivo, ora o individual, o palco se transforma em espaço de memória, resistência e celebração.

Elenco e direção.

Um convite à escuta atenta

Ao final da peça, fica a sensação de que o público foi convidado a escutar de verdade o samba, prestando atenção em cada palavra. Muitas vezes, ao cantar em rodas ou ouvir no rádio, deixamos que a melodia se sobreponha à letra. Mas “Negra Palavra – Poesia do Samba” mostra que os sambistas são verdadeiros cronistas da vida brasileira, poetas que transformaram a experiência cotidiana em arte eterna.

A celebração em roda de samba

E como não poderia deixar de ser, o espetáculo culmina em uma verdadeira roda de samba. Nesse momento, o clima do teatro se transforma: os atores convidam o público a cantar, bater palmas e literalmente cair no samba. É uma explosão de alegria coletiva, que reforça o caráter comunitário do gênero e encerra a noite com energia contagiante.

A importância cultural do espetáculo

Mais do que um espetáculo teatral, “Negra Palavra – Poesia do Samba” é um ato de valorização da cultura negra e da poesia popular brasileira. Ele reafirma o samba como patrimônio imaterial e como veículo de resistência e identidade.

Assistir à peça é mergulhar em uma história coletiva, onde cada palavra declamada carrega séculos de memória e ancestralidade. É reconhecer que o samba, muitas vezes marginalizado, é também literatura, filosofia e poesia.

“Negra Palavra – Poesia do Samba” é uma obra indispensável para quem ama cultura brasileira. Com atuações intensas, sincronia impecável, figurinos elegantes e a emocionante participação de Olívia Araújo, o espetáculo se consolida como uma das mais belas homenagens já feitas ao samba e aos seus poetas.

E quando a noite termina em roda de samba, fica claro que esse gênero é mais do que música: é comunhão, é celebração, é poesia em movimento. Ao sair do teatro, a certeza é de que nunca mais ouviremos sambas da mesma forma: cada letra será um convite à reflexão, cada verso, uma poesia viva.

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Tags:ccbbDestaque no ViventeNegra palavraOlívia AraújoPoesia do sambasambaTeatro
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PorCaroline Teixeira
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Caroline Teixeira é estudante de Psicologia e Psicanálise, apaixonada por palavras, cultura e boas relações, acredita que a arte pode ser uma ótima ferramenta para a evolução da psique humana.
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