Flip 2026 reúne escritores brasileiros e internacionais, ministra Margareth Menezes, Amyr Klink, Valter Hugo Mãe, Conceição Evaristo, debates sobre cinema, ciência, periferias, cordel e mais de uma centena de atividades espalhadas pelo Centro Histórico
Durante cinco dias, Paraty deixa de ser apenas uma das cidades históricas mais charmosas do país para se transformar em um grande palco dedicado aos livros, às ideias e aos encontros. Entre os dias 22 e 26 de julho, a 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) volta a ocupar igrejas, casarões coloniais, praças, museus e ruas do Centro Histórico com uma programação que ultrapassa as tradicionais mesas oficiais e envolve dezenas de casas culturais, editoras, instituições públicas e coletivos literários.
Mais do que um festival de literatura, a Flip tornou-se um espaço de discussão sobre o Brasil contemporâneo. Nesta edição, temas como memória, democracia, mudanças climáticas, inteligência artificial, patrimônio, cultura popular, literatura periférica, infância, audiovisual e mercado editorial aparecem lado a lado em uma programação que reúne autores consagrados, novos escritores, pesquisadores, artistas, cientistas e gestores culturais.
Quem visitar Paraty encontrará uma cidade inteiramente tomada pelos livros. A poucos metros de distância, é possível sair de uma conversa entre Valter Hugo Mãe e Carla Madeira, assistir a um debate sobre adaptação cinematográfica com Amyr Klink e Carlos Saldanha, acompanhar uma mesa sobre ecoansiedade ou participar de lançamentos de cordéis e encontros dedicados à literatura infantil.
A programação institucional deste ano será liderada pelo Ministério da Cultura, que amplia sua presença na Flip com a criação da Casa MinC, instalada no Auditório do Iphan, no coração do Centro Histórico.
A abertura acontece na quinta-feira (23), com a presença da ministra Margareth Menezes, que também participa da roda de conversa “Cultura e natureza: biodiversidade e diversidade cultural como leituras de mundo”, ao lado do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Ribeiro Capobianco.
Ao longo de três dias, o espaço reunirá representantes da Fundação Biblioteca Nacional, Fundação Casa de Rui Barbosa, Funarte e secretarias do Ministério da Cultura para discutir políticas públicas voltadas ao livro, leitura, preservação de acervos, patrimônio, circulação artística e os desafios do mercado editorial brasileiro.
A literatura de cordel ganha protagonismo na programação da Casa MinC, com mesas, oficinas, aulas-show, leituras comentadas e apresentações artísticas que reforçam o reconhecimento do gênero como patrimônio cultural brasileiro.
Antes disso, na quarta-feira (22), Margareth Menezes participa da abertura da Casa da Favela, espaço que, pelo quarto ano consecutivo, leva à Flip autores das periferias de todas as regiões do país. Em seguida, divide a mesa “Educação, Cultura e Periferias” com o ministro da Educação, Leonardo Barchini, em um debate sobre acesso à cultura, leitura e transformação social.
Grandes nomes da literatura contemporânea desembarcam em Paraty para a Flip 2026
Entre os autores internacionais mais aguardados desta edição está o português Valter Hugo Mãe, que chega à Flip 2026 para apresentar seu novo romance, O século dos imbecis.
Ao longo do festival, o escritor participa de diversos encontros ao lado de nomes como Carla Madeira, Marcelino Freire, Rui Couceiro, Alessandra Roscoe e Fernando Rocha, discutindo criação literária, imaginação, humanidade e os desafios da escrita contemporânea.
Outro destaque da programação da Globo Livros é Vitor Martins, um dos principais autores da literatura jovem brasileira, que participa de debates sobre afetos, diversidade e identidade, além da exibição da adaptação cinematográfica de seu romance Quinze Dias, seguida de conversa com o público.
Na Casa Estante Virtual, um dos espaços mais concorridos da programação paralela, mais de quarenta autores participam de debates gratuitos ao longo da semana. Entre eles estão Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz, Michel Alcoforado, Socorro Acioli, José Luís Peixoto, Vera Iaconelli, Marcelino Freire, Andrea Del Fuego, José Bortoluci e Renato Noguera.
Os encontros discutem desde ancestralidade e literatura queer até inteligência artificial, newsletters, livros usados, formação de leitores e os rumos do mercado editorial brasileiro.
Cinema também ocupa espaço na Flip 2026
A relação entre literatura e audiovisual será um dos temas centrais da edição de 2026.

Na Casa da Cultura, o navegador Amyr Klink participa do painel “100 DIAS – Entre o livro e o filme”, acompanhado pelo diretor Carlos Saldanha, pelo ator Filipe Bragança, pelas roteiristas Elena Soarez e Thais Tavares, com mediação de Marcelo Tas.
A conversa revela os bastidores da adaptação cinematográfica de Cem Dias Entre Céu e Mar, clássico da literatura de viagem brasileira que chega aos cinemas em outubro.
No dia seguinte, Amyr retorna ao festival para uma sessão de autógrafos da nova edição do livro, publicada pela Companhia das Letras.
Outra discussão voltada ao audiovisual acontece na Casa República. A produtora Matizar Filmes promove a mesa “É assim que escrevemos biografias”, reunindo as roteiristas Patrícia Andrade, responsável por cinebiografias como 2 Filhos de Francisco, Nise e atualmente pelos filmes sobre Marília Mendonça e Roberto Carlos, e Janaina Tokitaka, autora de séries como De Volta aos 15. O encontro debate os desafios de transformar personagens reais em narrativas cinematográficas.

Uma das novidades desta edição é o Solar da Ciência, iniciativa da Editora ICH que aproxima pesquisadores do grande público.
Durante quatro dias, neurocientistas, matemáticos, biólogos, físicos e divulgadores científicos discutem temas atuais de forma acessível.
Entre os encontros mais aguardados está “Ecoansiedade, você sofre com isso?”, que analisa como as mudanças climáticas vêm afetando a saúde mental, especialmente entre crianças e adolescentes.
A programação também inclui conversas sobre cérebro, biodiversidade, matemática, memória, ciência na cultura pop, oficinas para crianças, teatro e lançamentos de livros voltados à divulgação científica.
A Flip de 2026 também amplia o espaço dedicado às infâncias e à literatura inclusiva.
A escritora e narradora Clara Haddad estreia no festival lançando Na Minha Casa, livro ilustrado que propõe uma reflexão sobre pertencimento, memória e identidade. Além da sessão de autógrafos, ela participa de debates sobre formação de leitores, criação de livros ilustrados e biblioterapia.
Na Casa Escreva, Garota!, a escritora Maria Paz participa da mesa “Mulheres que narram as periferias do Brasil”, discutindo como a literatura pode romper estereótipos e ampliar o olhar sobre as comunidades brasileiras a partir de seu romance Refavelar.
Enquanto isso, a Casa da Favela reúne cinquenta autores periféricos de diferentes estados brasileiros, consolidando-se como um dos espaços mais importantes da programação paralela para discutir diversidade, inclusão e democratização da leitura.
Cordel ocupa diferentes espaços da cidade na Flip 2026
A literatura de cordel atravessa boa parte da programação da Flip.
Além das atividades na Casa MinC, o público poderá acompanhar oficinas, lançamentos de livros, performances, saraus e mesas na Casa do Cordel e no Coreto da Praça do Cordel, com autores como Zé Salvador, Dalinha Catunda, Severino Honorato, Cleusa Santo, Edmaria, João Gomes de Sá e diversos representantes das academias de cordel do país.
As atividades reforçam a importância do gênero como patrimônio cultural e mostram como a tradição nordestina dialoga com novas gerações de leitores e escritores.
Além da programação oficial, praticamente todos os casarões do Centro Histórico recebem atividades independentes promovidas por editoras, universidades, fundações, produtoras culturais e coletivos literários.
É justamente essa multiplicidade que faz da Flip uma experiência única: em poucos metros, o visitante encontra lançamentos de livros, debates sobre democracia, mesas de poesia, performances, ciência, cinema, música, literatura infantil e encontros espontâneos entre autores e leitores.

Paraty transforma sua arquitetura colonial em cenário para uma das maiores celebrações da literatura em língua portuguesa, reunindo diferentes gerações de escritores e ampliando, ano após ano, os diálogos entre literatura e outras manifestações culturais.
Serviço – Flip 2026 – 24ª Festa Literária Internacional de Paraty
Quando: 22 a 26 de julho de 2026
Onde: Centro Histórico de Paraty (RJ)
Casa MinC – Auditório do Iphan
Praça Monsenhor Hélio Pires (Praça da Matriz), 318
23 a 25 de julho | 10h às 21h
Destaques
- Abertura com a ministra Margareth Menezes
- Cultura e Natureza, com Margareth Menezes e João Paulo Ribeiro Capobianco
- Panorama do Mercado Editorial
- O direito à leitura
- Quem lê o Brasil?
- Rede das Artes
- Programação dedicada à literatura de cordel
- Oficinas, performances, rodas de conversa e lançamentos
Casa da Favela
Rua Tenente Francisco Antônio, 28
22 de julho
- 14h – Abertura oficial
- 15h – Educação, Cultura e Periferias, com Margareth Menezes e Leonardo Barchini
Casa Estante Virtual
Rua Marechal Santos Dias, 139
22 a 26 de julho
Principais convidados
- Conceição Evaristo
- Eliana Alves Cruz
- Michel Alcoforado
- Socorro Acioli
- José Luís Peixoto
- Marcelino Freire
- Vera Iaconelli
- Renato Noguera
- Andrea Del Fuego
Mesas sobre mercado editorial, IA, ancestralidade, literatura queer, formação de leitores, livros usados e escrita.
Casa da Cultura
23 de julho | 17h
100 DIAS – Entre o Livro e o Filme
Com Amyr Klink, Carlos Saldanha, Filipe Bragança, Elena Soarez, Thais Tavares e mediação de Marcelo Tas.
Bar Atlântico
24 de julho | 17h às 19h
Sessão de autógrafos da nova edição de Cem Dias Entre Céu e Mar, com Amyr Klink.
Casa República
Rua Dona Geralda, 25
24 de julho | 10h
Poesia numa hora dessas?
25 de julho | 17h
É assim que escrevemos biografias
Com Patrícia Andrade, Janaina Tokitaka e Karla Monteiro.
Solar da Ciência – Memorial do Paço
Rua Dr. Samuel Costa, 299
23 a 26 de julho
Entre os destaques:
- Ecoansiedade, você sofre com isso?
- Ciência & Cultura Pop
- Histórias de um cérebro inquieto
- Matemática bem-humorada
- Teatro Constante & Finito
- Atividades infantis e encontros com cientistas.
Casa Gueto
Rua Benedito Telmo Coupê, 277
Destaques:
- Clara Haddad lança Na Minha Casa
- Debates sobre literatura infantil
- Formação de leitores
- Biblioterapia
- Sarau América Latina
Casa Escreva, Garota!
Rua Samuel Costa, 240 (piso superior)
25 de julho | 19h20
Mulheres que narram as periferias do Brasil
Com Maria Paz, Eunice Maciel e mediação de Marina Hadlich.
Casa do Cordel – Museu de Arte Sacra
Programação dedicada ao cordel, patrimônio imaterial, educação, poesia, leitura compartilhada, teatro em cordel, filosofia, centros culturais e lançamentos literários.
Globo Livros
Confira a programação completa:
23 de julho | Quinta-feira
10h — Casa da Arquitetura
Quando o século
Com Valter Hugo Mãe e Carla Madeira
Endereço: Rua Dona Geralda, 351
15h — Caixa de Histórias
Amores possíveis
Com Vitor Martins, Airton Souza e Diogo Bercito
Mediação: Rodrigo Batista
Endereço: Rua Dona Geralda, 140
24 de julho | Sexta-feira
15h — Casa de Portugal
Quando os livros transformam territórios – livrarias e festivais literários
Com Rui Couceiro, José Luiz Tahan, Pedro Matias e Ricardo Duque
Mediação: Ana Marta Cattani
Endereço: Rua Dona Geralda, 152
15h30 — FlipEduca | Mezanino do Cinema da Praça
Morte e vida na literatura – diálogos com a escola
Com Valter Hugo Mãe, Alessandra Roscoe e Cris Gazotto
17h — Caixa de Histórias
O que nos torna humanos
Com Valter Hugo Mãe e Rui Couceiro
Mediação: Guilherme Amado
Endereço: Rua Dona Geralda, 140
17h — Central Flipinha
Quinze dias que chegaram até aqui
Com Vitor Martins e o Coletivo FlipZona
25 de julho | Sábado
14h — Casa da Arquitetura
O futuro como biblioteca: palavras, utopias e distopias
Com Rui Couceiro, Eliana Alves Cruz e Vivien Merciel Suarez
Mediação: Jorge Sobrado
Endereço: Rua Dona Geralda, 351
16h — Casa PublishNews
Identidade e protagonismo: escrevendo nossas histórias
Com Vitor Martins e Lucas Barros
Mediação: Mônica Ramalho
18h30 — Cinema da Praça
Exibição do filme Quinze Dias
Com fala introdutória de Vitor Martins
19h — Casa Paratodos
Afinidades poéticas transatlânticas
Com Valter Hugo Mãe e Marcelino Freire
Mediação: Simone Paulino
Endereço: Rua Dr. Samuel Costa, 254
26 de julho | Domingo
10h — Casa da Arquitetura
Todos os séculos para a cultura
Com Valter Hugo Mãe e Fernando Rocha
Endereço: Rua Dona Geralda, 351
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