A CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte chega à sua 20ª edição em 2026 com uma programação que combina cinema, reflexão, formação e mercado. Entre os dias 22 e 27 de setembro, Belo Horizonte recebe filmes brasileiros e internacionais, debates, encontros, masterclasses e atividades voltadas à indústria audiovisual.
Com programação inteiramente gratuita, a edição comemorativa terá como eixo central a pergunta “Cinema latino-americano: O que será?”. A proposta busca discutir os caminhos da produção cinematográfica do continente diante de transformações políticas, econômicas, sociais e culturais.
Ao todo, serão exibidos 101 filmes, sendo 48 longas e 53 curtas-metragens, distribuídos em 69 sessões. A programação ocupará diferentes espaços da capital mineira e contará ainda com o 17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução, aproximando cineastas e produtores brasileiros de profissionais da indústria internacional.
Ao completar 20 anos, a CineBH reafirma uma característica que acompanha sua trajetória: discutir o cinema brasileiro em diálogo com o mercado, a coprodução e as possibilidades de circulação internacional.
A edição de 2026 amplia esse olhar para o cinema latino-americano. A temática “Cinema latino-americano: O que será?” parte das incertezas que atravessam o continente e de como mudanças políticas, redução de investimentos públicos, fragilização de políticas culturais e debates regulatórios podem interferir na produção e circulação dos filmes.
Segundo o coordenador curatorial Cléber Eduardo, as transformações do continente não determinam necessariamente os filmes produzidos, mas podem afetar e estimular escolhas cinematográficas.
A própria formulação da temática estabelece uma ponte histórica. O título recupera a canção “O que será?”, de Chico Buarque, lançada em 1976 e incorporada à trilha sonora de Dona Flor e Seus Dois Maridos, dirigido por Bruno Barreto.
Cinquenta anos depois, o filme será apresentado em uma sessão especial da CineBH. A comparação entre os dois momentos também ajuda a contextualizar as transformações do cinema latino-americano.
Se em 1976 muitos países da região viviam sob regimes militares e havia uma compreensão mais unificada do chamado Nuevo Cine Latino-Americano, a produção contemporânea apresenta uma diversidade muito maior de linguagens, territórios e experiências.
A curadoria entende essa multiplicidade como uma das características centrais do cinema latino-americano atual.
Uma das novidades da 20ª CineBH é a criação da Mostra Horizonte, competição dedicada a primeiros longas-metragens ou estreias de realizadores na direção de longas.
A seção reúne seis filmes de diferentes países e coloca em discussão os desafios enfrentados por cineastas que estão iniciando suas filmografias.
São eles:
- Si Vas Para Chile, de Amilcar Infante e Sebastián González Méndez (Chile);
- Cuba y la Noche, de Sergio Fernandez Borrás (Cuba/Espanha);
- El Sonido Es el Cuerpo, de Diego Andrés Murillo (Colômbia);
- Jankee, de Yamel Thompson (México/Argentina);
- Sabes de Mim, Agora Esqueça, de Denise Vieira (Brasil);
- Los Nadadores, de Sol Iglesias SK (Argentina/México/Estados Unidos).
A seleção evidencia diferentes formas de produção e deslocamentos geográficos, incluindo realizadores que desenvolvem seus trabalhos fora dos países onde nasceram.
A Mostra Território, competitiva da CineBH desde 2023, também passa por mudanças em sua quarta edição.
A seção deixa de restringir a participação a cineastas com até três longas-metragens e passa a receber realizadores em diferentes momentos de suas trajetórias.
O conceito de território continua sendo compreendido de maneira ampla, envolvendo dimensões geográficas, culturais e subjetivas.
A seleção reúne:
- Pukem Swa, de Samuel Moreno Alvarez (Colômbia);
- Nuestro Cuerpo Es una Estrella que se Expande, de Semillites Hernández Velasco e Tania Hernández Velasco (México);
- La Vida que Vendrá, de Karin Cuyul (Chile);
- Telúrica, a Íntima Utopia, de Mariana Lacerda (Brasil);
- Deserto Vértigo, de Rocío Barbenza (Argentina);
- Calle Cuba, de Vanessa Batista (Cuba).
Os filmes trabalham com espaços rurais, desertos, bairros, corpos, arquivos e diferentes formas de pertencimento, utilizando procedimentos documentais, ensaísticos e performáticos.
A curadoria das mostras Horizonte e Território é assinada por Cléber Eduardo, Ester Marçal Fér, Leonardo Amaral, Mariana Queen Nwabasili e Gustavo Maan.
Paz Encina é a grande homenageada da edição
A cineasta paraguaia Paz Encina será homenageada pela 20ª CineBH e receberá o Troféu Horizonte.
Nascida em Assunção e formada em direção cinematográfica pela Universidad del Cine de Buenos Aires, Encina construiu uma filmografia profundamente relacionada à memória e à história do Paraguai.
A cineasta ganhou reconhecimento internacional em 2006 com seu primeiro longa, Hamaca Paraguaya, exibido na mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes, onde recebeu o prêmio da FIPRESCI.
O filme, falado em guarani, acompanha um casal de camponeses idosos que aguarda o retorno do filho enviado para a Guerra do Chaco.
A obra também marcou a história do cinema paraguaio por ser o primeiro longa realizado no país desde 1978.
Em 2026, Hamaca Paraguaya completa 20 anos, coincidindo com a edição comemorativa da CineBH.
A mostra também exibirá Ejercicios de Memoria (2016), construído a partir das lembranças dos filhos do opositor da ditadura de Alfredo Stroessner, Agustín Goiburú, e Carta a un Viejo Master (2024), coprodução com o Brasil em que Encina estabelece uma carta cinematográfica para o cineasta Eduardo Coutinho.
As três sessões terão bate-papos com a diretora.
Além disso, Paz Encina participará de uma masterclass durante o evento.

A Mostra Vertentes reúne filmes brasileiros contemporâneos e terá pré-estreias nacionais acompanhadas de bate-papos.
Entre os títulos selecionados estão:
- Pele de Rinoceronte, de Marcelo Maia;
- Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar;
- Leite em Pó, de Carlos Segundo;
- Yellow Cake, de Tiago Melo;
- Entre o Sucesso e a Lama, de Cristiano Burlan;
- O Filho da Puta, de Otto Guerra, Tanya Anaya, Sávio Leite e Érica Maradona;
- Reparação, de Marcus Curvelo;
- Adulto/Homem, de Pedro Diógenes;
- Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha, de Janaína Marques.
A curadoria é de Marcelo Miranda e Rubens Anzolin.
Outro recorte especial será Olhares da Argentina, que apresenta El Príncipe de Nanawa, de Clarisa Navas, Caigan las Rosas Blancas, de Albertina Carri, e Nuestra Tierra, de Lucrecia Martel.
A programação de curtas contemporâneos reúne 18 produções brasileiras, organizadas em três sessões de Curtas Contemporâneos e na tradicional sessão Curtas no Almoço.
Os filmes passam por ficção, documentário, animação e experimentação e abordam questões relacionadas a território, gênero, identidade, relações familiares e afetivas, conflitos sociais e ambientais.
A seleção contempla produções de Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e São Paulo.
Ao todo, são 11 estados representados, abrangendo as cinco regiões brasileiras.
A seleção foi realizada por Rubens Fabricio Anzolin e Marcelo Miranda.
Retrospectiva relembra 20 anos de CineBH
Para celebrar as duas décadas do evento, a CineBH preparou uma Retrospectiva 20 anos.
A seleção recupera filmes brasileiros importantes exibidos ao longo da trajetória da mostra e permite observar mudanças estéticas, econômicas e de mercado no audiovisual brasileiro.
Entre os destaques estão:
- A Via Láctea (2007), de Lina Chamie;
- Lóki: Arnaldo Baptista (2008), de Paulo Henrique Fontenelle;
- Mate-me Por Favor (2015), de Anita Rocha da Silveira;
- Corpo Elétrico (2017), de Marcelo Caetano;
- Sol Alegria (2018), de Tavinho Teixeira e Mariah Teixeira.
A retrospectiva também ajuda a observar como o próprio evento se transformou ao longo de 20 edições.
A Mostra Praça apresenta dois longas dirigidos por artistas conhecidos principalmente por seus trabalhos como atores.
São eles Querido Mundo, de Miguel Falabella e Hsu Chien, e Sexa, de Glória Pires.
A programação inclui ainda a animação mineira Ana, En Passant, de Fernanda Salgado, e Folclórica, aventura de Rodrigo Aragão produzida com bonecos e marionetes.
Os títulos serão exibidos na Praça da Liberdade em programas voltados para toda a família.
A Mostra A Cidade em Movimento, que chega à 11ª edição, apresenta a produção independente de Belo Horizonte e região metropolitana.
Com o tema “Abecedário da Existência”, a mostra reúne cinco programas, com 15 curtas e dois longas-metragens, abordando relações com espaço, corpo, questões ambientais, linguagem e formas de existência coletiva.
CineBH também investe na formação de novos públicos
A programação dedicada às crianças e estudantes inclui as sessões do Programa Cine-Expressão – A Escola vai ao Cinema e a Mostrinha.
O Cine-Expressão apresenta 15 curtas-metragens selecionados de acordo com as diferentes faixas etárias.
A curadoria considera aspectos como temática, conteúdo visual, linguagem, diálogos e complexidade narrativa.
Já a Mostrinha oferece sessões voltadas para toda a família e terá, entre seus destaques, a exibição de Folclórica na Praça da Liberdade.
A proposta é aproximar crianças e estudantes do audiovisual e apresentar diferentes formas de narrativa e expressão cinematográfica.
Paralelamente à programação cinematográfica, a CineBH recebe o 17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução.
Considerado o principal evento de mercado dedicado à coprodução do cinema brasileiro realizado no país, o programa selecionou 37 projetos para 2026.
Foram 375 inscrições, número recorde na história do evento.
Os projetos estão divididos em cinco categorias:
- Horizonte: 10 projetos de longas de ficção em desenvolvimento;
- DocBrasil: seis documentários;
- Foco Minas: seis projetos mineiros;
- Work in Progress: cinco filmes em processo de finalização;
- Paradiso Multiplica: dez projetos de ficção.
Os trabalhos representam 11 estados brasileiros, com Minas Gerais liderando, com dez projetos, seguido por São Paulo, com nove, e Pernambuco, com cinco.
O Brasil CineMundi terá mais de 50 convidados de 15 países.
Participam profissionais da Alemanha, Argentina, Áustria, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, Espanha, França, Itália, México, República Dominicana, Senegal e Uruguai.
Uma das novidades desta edição são as sessões de pitching, programadas para 23 de setembro.
Serão apresentados diretamente a convidados e representantes do mercado 22 projetos das categorias Horizonte, DocBrasil e Foco Minas.
Esses trabalhos também participam do Lab de Desenvolvimento e de rodadas de negócios.
Os cinco projetos selecionados para Work in Progress participam igualmente das reuniões com representantes da indústria internacional.
O WIP ainda oferece sessões fechadas para apresentação dos cortes atuais dos filmes e consultorias especializadas.
Já os dez projetos da categoria Paradiso Multiplica recebem mentorias de roteiro com os Talentos Paradiso.
O aumento das inscrições foi um dos destaques desta edição do Brasil CineMundi.
Segundo o produtor Paulo de Carvalho, integrante da comissão de seleção, houve crescimento de 45% nos projetos em desenvolvimento e de 90% entre os inscritos no Work in Progress.
Para ele, o resultado pode estar relacionado tanto aos efeitos de políticas recentes de financiamento, incluindo projetos apoiados pela Lei Paulo Gustavo, quanto às atividades de formação e aproximação desenvolvidas pelo próprio Brasil CineMundi.
O crítico e pesquisador Pedro Butcher, também integrante da seleção, associa o crescimento à continuidade do programa e à confiança conquistada ao longo dos anos.
A seleção também apresenta diversidade temática e regional, com projetos de realizadores afro-brasileiros e LGBTQIA+ e presença de atrizes que estão estreando na direção.
Entre os exemplos está a atriz Nash Laila, selecionada na categoria Horizonte com Dona da Minha Cabeça.
Entre os projetos da categoria Horizonte estão Boi de Conchas, de Daniel Barosa; BPM: Batidas pelo Mundo, de Gabriel Marcos; Caroca, de Bigmark; Cavalo, de Valentina Homem; Dona da Minha Cabeça, de Nash Laila; Gosto de Amora, de Erik Gasparetto; Kiki – Uma Ponte Entre Mundos, de Dario Aldana, Werá Alexandre e Patrícia Para Yxapy; Muganga, de Rodrigo Ribeyro; Mulheres Berrantes, de Luciana Sacramento e Thamires Vieira; e Olhos de Yara, de Lincoln Péricles (LK).
Na categoria DocBrasil foram selecionados A Senhora Dirce, de Thais Carvalho; Aña, de Mariana Lacerda; Costurando Beiradas de Rio, de Camila Kzan; Em Nome do Pai e do Filho, de Gabriel Freire; O Presidente Negro, de Gabriel F. Marinho; e Primas, de Bruno Gularte Barreto.
A categoria Foco Minas reúne A Luta que Não Pode Parar, de Ewerton Belico; Coração Americano, de Aiano Bemfica; O Recado do Fogo, de Mariana de Melo e Yasmin Guimarães; Sobrevivente de Guerra, de Marcelo Lin; Vulgo Carmen, de Duda Gambogi; e Zona de Autosalvamento, de João Borges.
No Work in Progress estão Bom Retorno, de Breno Alvarenga; Filme de Apostas, de Lincoln Péricles (LK); Fogo Adentro, de Daniel Calil e Renato Ogata; O Rio Sabe o Nosso Nome, de André Lorenz Michiles; e Sol a Pino, de Ana do Carmo.
Já a categoria Paradiso Multiplica apresenta Chama, de Sofia Marinho; Depois do Cerco, a Colina, de Raíssa B. Kaspar; Dias de Glória, de Asaph Luccas; Difícil Traduzir o Silêncio, de Eleonora Loner e Gabriel Faccini; Em Lugar Algum, de Luiz Otávio Pereira; Entrelinhas, de Bruna Aguiar e Antonio Victor Simas; O Barulho dos Outros, de Maria Navarro; Saudade é Coisa que Ninguém Escuta, de Stefano Lopes; Última Parada, de Cris Ventura; e Verde, Amarelo, de Bruna Giuliatti e Richard Tavares.
Entre 23 e 26 de setembro, o Seminário Internacional Entre Cinemas – CineBH + CineMundi 2026 ocupa o Cine Theatro Brasil.
A programação reúne cineastas, produtores, agentes de mercado, gestores, pesquisadores, curadores e profissionais da indústria brasileira e internacional.
Os debates serão organizados em quatro eixos:
Pensar o Cinema, dedicado a linguagem, identidade, diversidade, territórios e imaginários;
Construir os Projetos, com foco em desenvolvimento, qualificação e pitching;
Conectar Territórios e Mercados, voltado para internacionalização, coprodução, políticas e redes;
Fazer os Filmes Circularem, dedicado a festivais, agentes de vendas, mercados e públicos.
A abertura acontece em 23 de setembro, com o debate “Cinema Latino-Americano: O que será?”, acompanhado de masterclass de Paz Encina.
As rodas de conversa também terão como tema a presença das mulheres no audiovisual, reunindo profissionais de diferentes gerações e áreas.
As comemorações dos 20 anos também chegam ao campo editorial.
Durante o encerramento do Seminário, em 26 de setembro, serão lançados os livros “Territórios do Cinema – CineBH 20 anos” e “O Cinema Brasileiro no Mundo”, publicação do Brasil CineMundi que celebra as 17 edições do encontro.
As obras abordam criação, pensamento crítico, políticas audiovisuais, desenvolvimento de projetos, mercado, internacionalização e circulação.
A 20ª CineBH também amplia seu alcance por meio da internet.
Em parceria com o Itaú Cultural, a plataforma IC Play receberá uma seleção especial da programação.
O site oficial do evento disponibilizará ainda um recorte da Mostra Retrospectiva 20 anos, permitindo que espectadores de diferentes regiões tenham acesso a parte do conteúdo.
A iniciativa reforça a proposta de democratizar o acesso ao cinema brasileiro e ampliar a formação de público.
Onde acontece a CineBH 2026?
A programação será distribuída por diversos espaços de Belo Horizonte, incluindo a Fundação Clóvis Salgado, com o Cine Humberto Mauro, Sala Juvenal Dias, Teatro João Ceschiatti e Jardim Interno.
Também fazem parte da programação o Cine Theatro Brasil, o Cine Belas Artes, a Sala de Cinema Minas Tênis Clube, o Cine Santa Tereza, o Teatro Sesiminas, a Casa da Mostra e a Praça da Liberdade.
A abertura oficial será realizada em 22 de setembro, terça-feira, às 20h, no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil, com a pré-estreia nacional de “Se Eu Fosse Vivo… Vivia”, novo longa do cineasta mineiro André Novais Oliveira, da produtora Filmes de Plástico.
A noite também marcará a homenagem a Paz Encina.
Serviço
20ª CineBH – Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte
17º Brasil CineMundi – Encontro Internacional de Coprodução
Quando: 22 a 27 de setembro de 2026
Entrada: gratuita
Locais: Fundação Clóvis Salgado, Cine Theatro Brasil, Cine Belas Artes, Sala de Cinema Minas Tênis Clube, Cine Santa Tereza, Teatro Sesiminas, Casa da Mostra e Praça da Liberdade
Abertura: 22 de setembro, às 20h, no Grande Teatro do Cine Theatro Brasil
Destaque: pré-estreia nacional de Se Eu Fosse Vivo… Vivia e homenagem à cineasta Paz Encina
Informações: (31) 3282-2366
Site oficial: CineBH
A 20ª CineBH e o 17º Brasil CineMundi integram o Cinema sem Fronteiras 2026, programa internacional de audiovisual idealizado pela Universo Produção, que também reúne a Mostra de Cinema de Tiradentes e a CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto.
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