O Brasil aparece de forma recorrente entre os países que mais consomem conteúdo adulto online, segundo levantamentos de tráfego digital divulgados pelo Pornhub Insights. O dado, que se repete ano após ano, ajuda a compreender não apenas o volume de acessos, mas uma transformação mais profunda no comportamento do público brasileiro: o consumo desse tipo de conteúdo passou a ir além da imagem explícita, incorporando cada vez mais elementos narrativos, contextuais e de identificação emocional.
Essa mudança fica evidente em um ranking recente divulgado pela revista Bella da Semana, que analisou os acessos acumulados em sua plataforma ao longo de 2025. O levantamento aponta que os ensaios mais visualizados são aqueles que apresentam personagens bem construídos, com histórias claras e traços psicológicos reconhecíveis, capazes de criar uma relação mais duradoura com o público. Em vez do consumo rápido e descartável, cresce o interesse por conteúdos que oferecem uma experiência narrativa.
Segundo o CEO da revista, Alexandre Peccin, trata-se de uma virada estrutural no mercado. Para ele, o assinante contemporâneo busca mais do que estímulo visual no conteúdo adulto.

“Hoje, o público paga pela sensação de acesso real. Quando existe um personagem consistente, com contexto e história, o envolvimento é maior e o consumo se sustenta”, afirma. A lógica se aproxima de outros segmentos do entretenimento digital, nos quais identidade e storytelling passaram a ser ativos centrais.
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Os exemplos citados no ranking ilustram diferentes estratégias narrativas. Aline Limas, apresentada como “A Enfermeira”, leva para o ensaio sua trajetória profissional real, explorando o contraste entre cuidado, ambiente hospitalar e sensualidade. Já Buuniee, “A Carioca”, aposta no mistério e na sofisticação, preservando aspectos da vida pessoal como parte da construção do personagem. Flávia Barone, classificada como Destaque Nacional, representa um caso em que a imagem já consolidada nas redes sociais é aprofundada no ensaio editorial, enquanto Rô Bianchi constrói sua presença a partir de segurança, controle e domínio da própria narrativa.
Por outro lado, a influenciadora baiana Emelly Souza, de 23 anos, ganhou projeção nas redes sociais ao compartilhar um estilo de vida baseado no naturismo. Entre os conteúdos que publica estão práticas esportivas realizadas sem roupas, como saltos de paraquedas e atividades radicais, sempre defendendo a nudez em contextos não sexualizados e ligados à liberdade corporal.

Fechando a lista, Amanda Moretti, conhecida como “A Noiva Traída”, evidencia o peso da carga emocional como fator de engajamento. A narrativa de ruptura, vulnerabilidade e reconstrução orienta toda a proposta visual, ampliando a identificação do público com o conteúdo adulto. Para Peccin, esses casos confirmam uma tendência clara no Brasil: “Sempre haverá consumo baseado apenas na imagem, mas o crescimento está no conteúdo que cria conexão. Personagem, história e identidade passaram a ser decisivos”.
O cenário aponta para um mercado adulto cada vez mais alinhado às lógicas do storytelling contemporâneo e à busca por experiências mais complexas e envolventes.



