A música se transforma em instrumento de memória em Palmares: a Herança Musical, cine-documentário que revisita a história de Zumbi dos Palmares por meio da criação artística. Realizado pelo Instituto Cultural Cultne, o filme acompanha o compositor Altay Veloso durante o desenvolvimento da trilha sonora de Auto Zumbi dos Palmares, obra que conecta a resistência negra à transmissão de conhecimentos e tradições entre gerações.
A produção reúne artistas, pesquisadores e especialistas em cultura afro-brasileira para refletir sobre o significado histórico de Palmares e a permanência de seu legado na identidade brasileira. Entre os participantes estão Antônio Pitanga, Isabel Fillardis, Péricles, Déo Garcez, Flávio Gomes, Helena Theodoro, Paulo César Feital, Teresa Cristina e Zezito de Araújo.
Com mais de 450 músicas no repertório, Altay Veloso constrói as composições a partir de uma perspectiva que aproxima a experiência musical da memória histórica. O artista, conhecido também por Alabê de Jerusalém, utiliza o processo criativo como caminho para abordar a resistência negra e a importância de manter vivas as narrativas que marcaram a formação do país.
“A música tem a capacidade de atravessar o tempo e manter vivas histórias que não podem ser esquecidas”, afirma Altay. Para o compositor, transformar a trajetória de Zumbi em música e audiovisual permite aproximar novas gerações da força e do legado da população negra.
Parte das composições nasceu em um ambiente distante da rotina dos estúdios. Altay utilizou a natureza como cenário para o desenvolvimento das músicas, trabalhando às margens de um rio em seu sítio, localizado em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro.
O filme também registra os bastidores das gravações em estúdio. As câmeras acompanham os artistas durante a interpretação das canções e revelam encontros, performances e momentos intimistas que normalmente não chegam ao público. A proposta é mostrar não apenas o resultado musical, mas também as escolhas, as trocas e as experiências que dão forma à obra.
A abordagem combina observação documental, registros performáticos, depoimentos e imagens dos espaços em que as composições surgiram. Dessa maneira, a produção aproxima o espectador das etapas de criação e das diferentes perspectivas sobre a história de Palmares.
A direção geral é assinada por Dom Filó, fundador do Instituto Cultural Cultne, e David Obadia, que também dirigiu um documentário sobre Gerson King Combo. A equipe aposta na experiência musical como fio condutor para abordar a dimensão histórica e simbólica da resistência negra.
“Nossa proposta não era captar apenas informações sobre o maior líder quilombola de todos os tempos, mas trazer a dimensão emocional e simbólica que parte da observação do processo criativo e da escuta sensível dos artistas”, explica Dom Filó.
A participação de artistas e especialistas contribui para construir diferentes leituras sobre a resistência negra e seus reflexos na cultura brasileira. Os depoimentos e as interpretações musicais integram uma narrativa que relaciona passado e presente, destacando a importância de preservar a memória das comunidades negras.
Ao colocar a criação artística no centro do documentário, Palmares: a Herança Musical propõe uma aproximação entre história e música. A trilha de Auto Zumbi dos Palmares funciona como ponto de partida para discutir como os saberes e as experiências coletivas atravessam o tempo.
A iniciativa também reforça o papel do audiovisual na preservação e na circulação de referências culturais. Em vez de se limitar a uma exposição histórica, o filme acompanha artistas enquanto eles transformam suas interpretações em composições e performances.
Sessões gratuitas em três cidades durante o Mês da Consciência Negra
O público pode assistir a Palmares: a Herança Musical em sessões presenciais com a participação de Altay Veloso. A programação começa em Maceió, no dia 9 de novembro, passa por Salvador no dia 11 e termina no Rio de Janeiro em 13 de novembro.
As exibições integram as atividades do Mês da Consciência Negra e terão entrada gratuita. Para garantir o ingresso, será necessário fazer a retirada uma hora antes de cada sessão, conforme as orientações divulgadas pela organização.
Depois da circulação presencial, o documentário também será disponibilizado no Canal Futura e nas plataformas digitais do ecossistema Globo. A distribuição amplia o acesso à obra e permite que o público acompanhe a proposta musical e histórica para além das cidades que recebem as primeiras apresentações.
O projeto é uma realização do Instituto Cultural Cultne, aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura, sob o PRONAC nº 258414, e conta com patrocínio master da Globo por meio do mesmo mecanismo de incentivo.
Ao recuperar a memória de Zumbi dos Palmares pela criação musical, o documentário aproxima a história da resistência negra de diferentes linguagens artísticas. A obra aposta na força da música para manter essa herança em circulação e ampliar o diálogo com as novas gerações.
Serviço
Documentário: Palmares: a Herança Musical
Maceió
- Data: 9 de novembro de 2026
- Horário: 19h
- Local: Cine Arte Pajuçara
Salvador
- Data: 11 de novembro de 2026
- Horário: 19h
- Local: Cine Teatro 2 de Julho
Rio de Janeiro
- Data: 13 de novembro de 2026
- Horário: 18h30
- Local: Teatro Léa Garcia, no Centro Cultural Correios
Entrada: gratuita, com retirada de ingresso uma hora antes de cada sessão.
Mais informações: palmaresmusical.com.br
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