‘Paraíso’ de Sérgio Tréfaut | Crítica

Paraíso

Palácio do Catete, Rio de Janeiro ano 2019 (Pré-pandemia). Paraíso Representa um lugar onde encontramos paz, harmonia e mansidão. Estar ali transcende tempo e espaço; e raros são, na terra, os locais que te transportam para um bem estar tão puro.

O Palácio encrustado no coração do Catete, faz todo o bairro se irradiar. Todavia, é vital à sua população, e certamente um ponto de refúgio em meio ao caos da cidade grande.

Além disso, foi naquele lugar que primeiro pisei em terras cariocas aos 10 anos de idade. Me lembro do maravilhamento com sua arquitetura e a forma como a noite iluminava seu casarão. Talvez seja este o motivo para que tenham surgido as serestas, nos fins de tarde, quando as lembranças de tempos distantes tornam-se mais fortes e nítidas.

O Tempo

O desejo do autor em eternizar estes encontros parece reconhecer que na vida existam momentos quase mágicos que permitem o encantamento daqueles que se encontram naquele exato tempo e espaço.

Não se trata de um local sem imperfeições, longe disso, trás em si mazelas de seu povo, nega-se a alentar a vida dos que não podem parar, cheio de vulnerabilidades que tão somente tornam-se características de um paraíso na terra.

Das serestas interrompidas por um vírus avesso à confraternizações saudáveis, fica a saudade do que não vivemos e um gosto amargo das decisões por tanto tempo postergadas. Mudanças de vida que se tardam por uma crença fixa em um tempo que pode nunca chegar.

Lição

Portanto, que sirva de lição aos jovens de corpo como eu e aos jovens de alma com mais de 60, para que não desistamos de buscar estes instantes de valiosa felicidade, pois muitos não tiveram nem terão a oportunidade.

A brevidade e “fulminância” da vida foram escancaradas, e talvez nos daremos conta de termos esperado muito mais do que deveríamos para estar exatamente aonde nos sentimos completos e prontos para partir sem remorso ou lamentação.

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