O samba de raiz vai ganhar um novo endereço na Zona Sul do Rio de Janeiro. No feriado de 12 de outubro, o Glorioso Cultural, no Catete, recebe a estreia do projeto Samba Livre, Leve e Solto, comandado por Paulão Sete Cordas. A proposta reúne músicos experientes, homenagens a compositores históricos e um repertório que poderá mudar a cada apresentação.
A roda começa às 20h, com abertura da casa às 18h, e pretende se estabelecer como um encontro quinzenal às segundas-feiras. Os ingressos custam R$ 50 na bilheteria, com vendas antecipadas pela Sympla.
Mais do que apresentar sucessos conhecidos, Paulão quer recuperar composições menos lembradas, explorar diferentes arranjos e abrir espaço para a participação do público. A ideia é preservar a tradição sem transformar o samba em uma experiência presa ao passado.
O projeto também coloca em evidência a relação entre gerações de compositores, instrumentistas e intérpretes. No repertório, nomes como Cartola, Nelson Cavaquinho, Pixinguinha e Noel Rosa convivem com Paulinho da Viola, Ney Lopes e canções mais recentes.
Paulão Sete Cordas reúne músicos e promete uma roda diferente a cada edição
Referência como violonista, maestro e arranjador, Paulão Sete Cordas assume a direção musical do projeto. Sua proposta parte da liberdade que sempre caracterizou as rodas de samba, nas quais o repertório pode se transformar conforme o encontro entre músicos e público.
“O samba de raiz precisa respirar e se renovar a cada encontro. Temos uma base sólida com os grandes clássicos, mas a ideia do Samba Livre, Leve e Solto é justamente ter essa liberdade”, explica o músico.
Segundo Paulão, a cada quinzena o grupo pretende recuperar raridades, atender aos pedidos dos presentes e experimentar novas possibilidades musicais.
“A cada quinzena vamos buscar raridades nos baús dos mestres, atender aos pedidos do público e experimentar arranjos no calor da roda. Nenhuma segunda-feira será igual à outra”, afirma.
A formação reúne Agenor Oliveira, na voz; Léo Pereira, no cavaquinho e voz; Ramón Araújo, no violão de sete cordas; Tiago Souza, no bandolim; e Bidu Campeche e Valdir Ribeiro, na percussão.
A presença de Agenor é um dos elementos centrais da proposta. Parceiro de composição de Nelson Sargento, ele terá a missão de conduzir sambas em coro, valorizando a participação coletiva.
“É tradição viva, emoção sem ensaio”, resume o cantor.
Essa característica aproxima o projeto de uma das práticas mais importantes da cultura do samba: a transmissão de repertórios e conhecimentos pela convivência entre músicos, compositores e frequentadores das rodas.
No Catete, a intenção é manter essa dinâmica em um espaço cultural que receberá o público a cada duas semanas.
De Cartola e Nelson Cavaquinho ao choro de Pixinguinha
A seleção musical percorre diferentes momentos da história do samba brasileiro, sem deixar de lado o choro e suas conexões com a música popular.
Pixinguinha e Jacob do Bandolim aparecem entre as referências instrumentais, enquanto Noel Rosa e Lupicínio Rodrigues representam outras vertentes da composição brasileira.
O repertório também contempla Paulinho da Viola, Nelson Sargento, Wilson Moreira, Ney Lopes, Zé Ketti e Ary Barroso, artistas cujas obras ajudam a contar a história das transformações do samba ao longo do século XX.
Entre as canções previstas estão Amor Proibido e Tive Sim, de Cartola, além de A Flor e o Espinho e Juízo Final, associadas à obra de Nelson Cavaquinho.
Paulinho da Viola aparece com Só o Tempo e Leva o Recado. A tradição da Portela também estará presente por meio de Monarco, com Coração em Desalinho e Se Eu For Falar da Portela.
Já Silas de Oliveira será lembrado com Apoteose ao Samba e Senhora Tentação, composições que representam a força poética de um dos grandes nomes da história das escolas de samba.
O projeto ainda prevê músicas como Quando a Gira Girou e Seu Balancê, aproximando o repertório tradicional de sucessos de outras gerações.
A variedade é importante para a identidade da roda. Em vez de restringir a programação a um período ou estilo, Paulão pretende explorar a riqueza de uma música que se desenvolveu por diferentes caminhos.
O diálogo entre samba e choro também abre espaço para os instrumentistas. O violão de sete cordas, o cavaquinho e o bandolim poderão assumir protagonismo em determinados momentos, enquanto a percussão sustenta a cadência das apresentações.
Essa combinação permite que a roda transite entre interpretações coletivas, passagens instrumentais e momentos de maior participação do público.
Um dos momentos mais significativos do Samba Livre, Leve e Solto será dedicado a Nelson Sargento, compositor, cantor e referência histórica da Estação Primeira de Mangueira.
A homenagem tem uma ligação direta com Agenor Oliveira, que dividiu composições com o sambista. Entre elas estão Sinfonia Imortal e Saudade.
O repertório também reserva espaço para Agoniza Mas Não Morre, uma das canções mais emblemáticas de Nelson Sargento e uma declaração sobre a capacidade de resistência e renovação do samba.
A presença dessa obra ajuda a compreender o sentido do novo projeto. Ao mesmo tempo que reverencia compositores históricos, a roda pretende mostrar que suas músicas continuam encontrando intérpretes, ouvintes e novas possibilidades de execução.
A homenagem não se limita, portanto, a recordar uma trajetória individual. Ela se conecta à própria história das escolas de samba, dos terreiros, dos encontros entre compositores e da circulação de canções entre diferentes gerações.
O repertório de Nelson Sargento também estabelece uma ponte com os demais artistas escolhidos por Paulão, especialmente aqueles que fizeram das rodas e das escolas de samba espaços fundamentais de criação.
Ao reunir essas referências em uma programação quinzenal, o Samba Livre, Leve e Solto procura construir uma continuidade entre memória e produção musical contemporânea.
A estreia acontece em uma segunda-feira de feriado, mas a proposta é manter o encontro regularmente no Catete. A cada edição, o repertório poderá ganhar outras composições, arranjos e participações.
Com direção musical de Paulão Sete Cordas e Agenor Oliveira entre os intérpretes, o projeto chega à Zona Sul carioca apostando na experiência coletiva que caracteriza o samba: músicos próximos do público, canções compartilhadas e espaço para o improviso.
A produção executiva é de Paulo Cesar Figueiredo, da Orum Produções Artísticas, com coordenação artística de Elfi Kürten Fenske. O projeto conta com apoio cultural do Coletivo Sindicato do Samba e de Camilo Árabe.
Serviço
Samba Livre, Leve e Solto — Estreia
Data: 12 de outubro de 2026, segunda-feira, feriado
Periodicidade: quinzenal, às segundas-feiras
Local: Glorioso Cultural
Endereço: Rua do Catete, 97, Catete, Rio de Janeiro (RJ)
Abertura da casa: 18h
Início da roda: 20h
Ingressos: R$ 50 na bilheteria; consultar valores promocionais na venda antecipada
Venda antecipada: Sympla — evento Samba Livre, Leve e Solto
Instagram: @sambalivrelevesolto e @gloriosocultural
Formação musical: Paulão Sete Cordas (direção musical), Agenor Oliveira (voz), Léo Pereira (cavaquinho e voz), Ramón Araújo (violão de sete cordas), Tiago Souza (bandolim), Bidu Campeche e Valdir Ribeiro (percussão).
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