Representação encaminhada a organismos internacionais pede investigação, responsabilização e reforço de medidas de combate à discriminação em grandes eventos esportivos
O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) encaminhou uma representação formal à Organização das Nações Unidas (ONU) e à FIFA denunciando episódios de racismo, discriminação racial e discurso de ódio registrados durante a Copa do Mundo de 2026. O documento solicita que organismos internacionais acompanhem os casos e reforcem medidas de prevenção, investigação, responsabilização e reparação relacionadas às violações de direitos humanos ocorridas ao longo do torneio.
A iniciativa foi apresentada pela Relatoria Especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, ao Extremismo e ao Avanço das Células Neonazistas do CNDH e enviada ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (CCPR), à Relatoria Especial sobre Formas Contemporâneas de Racismo, ao Grupo de Trabalho da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos e ao canal oficial de denúncias da FIFA.
Segundo o Conselho, a denúncia é fundamentada em dados do Serviço de Proteção nas Redes Sociais da FIFA, responsável por monitorar conteúdos publicados durante a competição.
O levantamento analisou mais de seis milhões de publicações na fase de grupos da Copa do Mundo e identificou aproximadamente 89 mil conteúdos considerados abusivos. De acordo com o relatório citado pelo CNDH, 11% dessas publicações continham manifestações de caráter racial, evidenciando a persistência do racismo também no ambiente digital durante um dos maiores eventos esportivos do planeta.
Para a presidenta do CNDH, Ivana Leal, os números demonstram que o combate à discriminação racial continua sendo um desafio global.
Segundo ela, um evento que reúne diferentes povos e culturas deveria representar integração e respeito, reforçando a necessidade de políticas efetivas de prevenção, responsabilização e proteção das vítimas.
Na avaliação do relator especial do CNDH, Carlos Nicodemos, os episódios registrados extrapolam o universo esportivo e exigem uma resposta articulada em nível internacional.
Para o Conselho, o futebol reflete dinâmicas sociais presentes em diferentes países, tornando indispensável fortalecer mecanismos de proteção aos direitos humanos durante grandes competições internacionais.
O documento sustenta que a denúncia busca colocar o enfrentamento ao racismo estrutural e institucionalizado no centro das discussões internacionais, especialmente em eventos de grande alcance global.
Países-sede e FIFA também são alvo da representação
Além de relatar episódios de discriminação contra atletas durante a Copa do Mundo de 2026, a representação também questiona a atuação dos países que sediaram o torneio — Estados Unidos, Canadá e México.

Segundo o CNDH, esses Estados possuem obrigações previstas em tratados internacionais de direitos humanos para prevenir, investigar e responsabilizar autores de manifestações racistas ocorridas em seus territórios.
O documento também solicita que seja analisada a atuação da FIFA à luz dos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, defendendo o fortalecimento de mecanismos permanentes de prevenção, monitoramento e reparação de violações relacionadas às competições organizadas pela entidade.
Entre os episódios citados pelo Conselho estão manifestações racistas dirigidas a jogadores durante o Mundial, ataques registrados em plataformas digitais e declarações atribuídas a autoridades públicas.
Nos últimos anos, grandes eventos esportivos passaram a incorporar de forma crescente discussões relacionadas à proteção dos direitos humanos, combate ao racismo, inclusão e enfrentamento à discriminação.
Para o CNDH, a representação encaminhada à ONU e à FIFA pretende contribuir para o aprimoramento desses mecanismos, buscando que futuras competições contem com políticas mais eficazes de prevenção e resposta a episódios de violência racial e discurso de ódio.
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