Grande parte das pessoas já pensa no Rio de Janeiro. Verão intenso, corpos à mostra, clima de liberdade e encontros que escapam à rotina. Uma cidade que ama o improviso. Mas dados recentes sobre infidelidade no Brasil mostram que o epicentro do desejo e das conexões fora da monogamia está espalhado pelo país — e, em alguns casos, longe do imaginário óbvio.
Pesquisas divulgadas por plataformas especializadas em relacionamentos não convencionais revelam um mapa surpreendente do comportamento afetivo dos brasileiros.
De acordo com um levantamento do aplicativo Gleeden, o Brasil lidera o ranking de infidelidade na América Latina. A pesquisa, baseada na análise de mais de 1 milhão de usuários no país, aponta São Paulo como a cidade mais infiel do Brasil, seguida por Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e também o próprio Rio de Janeiro.

O estudo revela ainda padrões claros de comportamento digital: o maior volume de acessos ocorre às segundas-feiras, por volta das 23h, com sessões que duram, em média, duas horas. Entre os recursos mais utilizados estão presentes virtuais como coquetéis, cafés, beijos e champanhe, sinais de um engajamento que vai além do flerte superficial.
Enquanto o Gleeden traça um panorama consolidado da infidelidade no país, um segundo levantamento aprofunda o olhar sobre tendências sazonais.
A plataforma Ashley Madison divulgou recentemente um ranking das cidades brasileiras com maior crescimento proporcional de novos usuários durante o mês de novembro, período que antecede o verão.
O resultado aponta um domínio expressivo de Santa Catarina, com Florianópolis liderando a lista, seguida por Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau e Criciúma. Capitais como Brasília, Curitiba e Porto Alegre também aparecem entre as dez primeiras, indicando que o comportamento exploratório não está restrito a destinos turísticos óbvios.

Segundo a análise do Ashley Madison, o ranking foi elaborado com base em dados per capita, cruzando o número de novas inscrições com a população de cada cidade. O estudo sugere que fatores culturais, sociais e emocionais influenciam diretamente essas escolhas pela infidelidade.
Florianópolis, por exemplo, aparece tanto em rankings de inverno quanto de verão, indicando uma constância no comportamento dos usuários. Já cidades do Sudeste, que haviam se destacado em períodos anteriores, perderam espaço com a chegada do calor, quando o flerte se torna mais espontâneo e visível.
Para especialistas ligados às plataformas, esses dados refletem transformações profundas na forma como os brasileiros lidam com desejo, fidelidade e relacionamento. Silvia Rúbies, diretora de Comunicação e Marketing do Gleeden, destaca que cresce o número de pessoas que não enxergam mais a infidelidade apenas como ruptura, mas como parte de uma renegociação de afetos. Nesse contexto, práticas não monogâmicas passam a ser discutidas com mais abertura, especialmente quando envolvem transparência, consentimento e acordos claros entre os parceiros.
Por outro lado, apesar da visibilidade crescente das práticas não monogâmicas e do avanço das plataformas digitais que facilitam encontros fora das relações tradicionais, há especialistas em comportamento e saúde emocional destacando que a monogamia continua sendo um modelo legítimo, funcional e desejado por grande parte da população.

Relações baseadas em exclusividade afetiva e sexual oferecem, para muitos casais, maior sensação de segurança emocional, previsibilidade, construção de confiança e estabilidade a longo prazo — fatores associados à redução de conflitos, ao fortalecimento de vínculos e ao cuidado mútuo. Nesse sentido, a discussão contemporânea sobre fidelidade não invalida a monogamia, mas reforça a importância de escolhas conscientes, diálogo transparente e alinhamento de expectativas, independentemente do modelo adotado.
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Embora o tema ainda carregue tabus, os levantamentos indicam que o Brasil vive um momento de mudança. Entre memes, rankings e aplicativos, o que antes era tratado como segredo absoluto agora se transforma em dado, tendência e debate público. E, ao contrário do que muitos imaginam, nem sempre é o Rio que lidera esse movimento — mesmo que, à primeira vista, tudo pareça começar pela cidade mais sensual do Brasil…



