Wednesday, October 21, 2020

Testemunha Invisível | CRÍTICA

Testemunha Invisível (Il Testimone Invisibile) é um filme italiano interessante em especial para aqueles que gostam de estórias de detetives, mentiras e crimes. O longa-metragem começa com imagens aéreas de prédios e ruas de Milão. A trilha sonora de Fabio Barovero complementa a exibição desde os momentos iniciais, dando o tom, preparando o espectador. Certamente, desperta curiosidade e vamos acompanhando desenrolar dos fatos.

Vemos o protagonista Adriano Doria (Riccardo Scamarcio em boa atuação) como um poderoso empresário em Milão. O cara tem uma bela família com esposa e filha e, também, uma amante. Todavia, está em prisão domiciliar, acusado de um assassinato após ser flagrado em um quarto de hotel com um corpo coberto de dinheiro.

Primeiramente, parece um filme de amantes, ou seja, fica rapidamente claro que a mentira é o grande tema, algo confirmado pelos diálogos. Em certo momento, uma personagem fala: “tudo é relevante”. Realmente, a estória requer alguma atenção aos detalhes, sendo até possível descobrir o rumo que irá seguir. Ainda assim, o diretor Stefano Mordini consegue prender o espectador na maior parte do tempo.

Mente que nem sente

O roteiro é dele e de Massimiliano Catoni e no geral está redondo, sem ser inovador, contudo, não busca isso, parece mais procurar entreter e traz alguns pontos e citações que podem estimular algumas reflexões. Porém, não é essa a ideia. De certa forma, nos faz sentir como detetives, mas não do naipe de um Sherlock Holmes, porque a trama não exige tanto. Inclusive, essa é uma refilmagem de “Um Contratempo”, de Oriol Paulo, considerado o Shayamalan espanhol.

A fotografia soturna de Luigi Martinucci favorece a aura de suspense, uma constância de melancolia e falsidade, sem alegria, sem amor, e fortalece o recado que salta na tela: “não há salvação sem sofrimento”. Fabrizio Bentivoglio como o determinado Tommaso se destaca. Miriam Leone entrega as nuances que Laura precisa, dependendo dos pontos de vista divergentes. Aliás, outro destaque vai para as reviravoltas que ocorrem e essas distintas perspectivas que vão surgindo. Ao final, vamos juntando algumas peças e pistas fornecidas desde o início, permitindo a junção do quebra-cabeças e tomando nossa conclusão. Uma das cenas finais, um plot twist, talvez seja desnecessária e, ao mesmo tempo que sugere uma surpresa, faz lembrar outro tipo de filme.

A saber,  Testemunha Invisível, distribuído pela Pagu Pictures, pode ser visto a partir do dia 30 de janeiro nos cinemas brasileiros.

Trailer:

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