The Forty-Year-Old Version é bem engraçado, e, ao mesmo tempo, provocador. A saber, já informo que foi o filme vencedor do prêmio de Melhor Direção no Festival de Sundance 2020. Mereceu. Com dois minutos eu já tinha dado algumas boas gargalhadas. Um crítico de cinema uma vez me disse que um filme tem que “entrar”. Ou seja, chegar firme, mostrar a que veio logo. Não acho que isso deva ser uma regra, mas aqui acontece. Radha Blank dirige, roteiriza e estrela esse filme divertido sobre uma artista e professora que está chegando aos 40 anos, perdeu a mãe e… e agora?
Inicialmente, na sociedade em que vivemos, é uma idade que tem uma marca de complicação. Tanto que um termo que dizem por aí é “crise dos 40”. Arrependimentos, orgulhos, escolhas. Quais amizades restaram? Você seguiu o caminho que era para seguir? Existia um caminho certo? Por fim, o que seria ser bem sucedido?
A autenticidade de Radha grita, ou melhor, canta, na tela. O filme mescla gêneros de uma forma muito eficiente. Parece que é de música, viaja pela comédia – romântica, inclusive – e também pelo drama. Além disso, é o retrato de uma artista que chega num limiar, olha no espelho e vê o que? Nós vemos carisma. Vemos Radha com seus medos e anseios aprendendo a cada passo dado. Sabemos que ali tem muito da vida dela entre homenagens e versos.
Aliás, não tem como não destacar a fotografia de Eric Branco em comunhão com a direção de arte de Katie Fleming. É bonito e funcional.
Jaque
Pessoalmente, em certos momentos do filme lembrei de Negra Jaque, uma rapper do Rio Grande do Sul que conheci no Rio Music Market 2019 e entrevistei. Mulher, negra, professora, que sabe usar como ninguém o hip hop como instrumento poético de transformação. Vale ouvir o que ela tem para falar:
Revisão
The Forty-Year-Old Version também é sobre bastidores do mundo artístico, teatro, ego. É sobre não ter idade para alcançar o que se precisa alcançar. É sobre ter a idade para alcançar o que se quer alcançar. E, nossa, repito, soltei algumas gargalhadas inesperadas com as referências de cultura pop que Radha traz quando você menos espera. O filme é sobre cores, mesmo sendo em preto e branco. Cores de novos caminhos, de uma maturidade viva. É tudo tão emocional e verdadeiro. Um dos melhores filmes que vi em 2020.