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escalação vasco x santos pedro emanuel
CríticaEsportes

Vasco e vitória! Gigante perdeu tempo com Renato Gaúcho; Pedro Emanuel é o técnico que precisávamos

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 3 de setembro de 2026
8 Min Leitura
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Fotos: Matheus Lima/Vasco.
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É verdade, e precisa ser dita… Vasco perdeu muito tempo com Renato Gaúcho. Basta acompanhar o que Pedro Emanuel está fazendo para perceber isso. Não estou falando apenas dos resultados, mas principalmente da maneira como o português está conseguindo fazer o time competir, mesmo com um elenco que continua tendo limitações bastante claras.

O Vasco chegou às semifinais da Copa do Brasil depois de eliminar o Vitória com duas vitórias e um agregado de 3 a 0. E, sinceramente, pelo que apresentou nos dois jogos, poderia ter sido mais. Jair Ventura vinha de eliminar Flamengo e Athletico no Barradão, mas encontrou pela frente um Vasco muito bem preparado por Pedro Emanuel, que conseguiu neutralizar o adversário tanto em São Januário quanto em Salvador.

O mais interessante é que o treinador não precisou colocar força máxima nos dois confrontos. Em São Januário, poupou jogadores, viu o Vasco ficar com um homem a menos e, mesmo assim, conseguiu fazer a equipe vencer uma partida que poderia ter terminado com uma vantagem maior. Na Bahia, repetiu a estratégia, preservou peças importantes e novamente apresentou um time organizado, competitivo e capaz de controlar o jogo.

É aí que começo a enxergar algo que há muito tempo não via no Vasco: um treinador interferindo diretamente nas partidas.

Pedro Emanuel tem uma leitura de jogo muito boa. Ele percebe o que está acontecendo, mexe na equipe e encontra soluções dentro das características que o elenco permite. Não está fazendo mágica, até porque não existe mágica com esse grupo. Está trabalhando. E parece estar trabalhando com vontade.

Isso também aparece na maneira como os jogadores estão se entregando. O Vasco tem um plano relativamente simples: todos precisam participar da marcação, competir por cada bola, jogar com intensidade e procurar Andrés Gómez quando recupera a posse. Só que fazer o simples funcionar exige organização, e é justamente isso que Pedro Emanuel está conseguindo construir.

O elenco continua sendo limitado. Não acho que uma sequência de bons resultados tenha mudado essa realidade. A diferença está na utilização das peças e na confiança que o treinador parece ter conseguido transmitir ao grupo. Alguns jogadores que vinham sendo muito criticados estão recuperando o futebol, e Lucas Piton é um exemplo muito claro disso.

VAMOS VIBRAR, MEU POVÃO SEMIFINALISTA! ????#VascoDaGama pic.twitter.com/nWin0OBvbj

— Vasco da Gama (@VascodaGama) September 3, 2026

Durante um bom tempo, Piton foi alvo de críticas pesadas. Agora, já não parece correto tratar suas boas atuações como algo pontual. Ele vem construindo uma sequência consistente e voltou a apresentar características que lembram o jogador que vimos no Vasco em 2023 e 2024. Quando um atleta consegue recuperar confiança e rendimento, também existe mérito de quem está comandando o trabalho.

Na defesa, a evolução também é evidente. Cuesta e Robert Renan estão formando uma dupla cada vez mais confiável, e a organização do time ajuda bastante nesse processo. Santiago Sosa tem participação fundamental nisso, porque funciona como uma espécie de seguro diante da zaga. Quando um dos zagueiros sai para acompanhar um atacante, ele aparece na cobertura e permite que os defensores sejam mais agressivos nos duelos.

Sosa é aquele cabeça de área que todo time gostaria de ter. Contra o Vitória, ganhou 10 dos 15 duelos que disputou, fez três desarmes, 11 cortes e terminou com 15 ações defensivas. Os números são excelentes, mas quem assistiu ao jogo percebeu algo ainda mais importante: ele protege a entrada da área com uma autoridade impressionante.

É o tipo de jogador que faz o trabalho muitas vezes sem chamar atenção para si. Está ali para impedir que o adversário entre pelo meio, ganhar a primeira bola, cobrir os companheiros e dificultar a vida de quem tenta jogar entre as linhas. Com Sosa funcionando dessa maneira, Cuesta e Robert Renan também conseguem atuar com mais confiança.

E tudo isso passa por Pedro Emanuel.

Não estou dizendo que o Vasco virou uma máquina ou que agora todos os problemas desapareceram. Seria irresponsável afirmar isso. O time ainda tem carências e vai encontrar adversários muito mais difíceis pela frente. Mas acho que já podemos reconhecer algo que há algumas semanas ainda era motivo de discussão: o Vasco tem um treinador.

E não digo isso apenas porque ele está vencendo.

Digo porque existe uma ideia de jogo. Existe leitura das partidas. Existe rodízio. Existe capacidade de preservar jogadores sem transformar a equipe em um time completamente diferente. Existe uma preocupação em fazer o elenco inteiro participar do processo.

Depois de tanto tempo vendo o Vasco abrir mão de competições, escolher prioridades e tratar determinados jogos como se fossem obstáculos inevitáveis, é muito bom assistir a uma equipe que entra para disputar aquilo que está à sua frente.

Pedro Emanuel está fazendo o que se espera de um treinador. Está tirando o máximo possível de um grupo que não é dos melhores do futebol brasileiro e, ao mesmo tempo, está fazendo os jogadores acreditarem que podem competir.

Talvez seja justamente por isso que a eliminação do Vitória tenha deixado uma sensação tão diferente. Não foi apenas uma classificação. Foi mais uma demonstração de que o Vasco pode ser competitivo mesmo quando não tem o melhor elenco.

E isso, para mim, vale muito.

O Vasco perdeu tempo com Renato Gaúcho. Hoje, olhando para o trabalho de Pedro Emanuel, essa impressão fica ainda mais forte.

Renato Gaúcho - Vasco da Gama x São Paulo pelo Campeonato Brasileiro realizado no Estádio São Januário em 18 de Abril de 2026. Fotos: Matheus Lima/Vasco
Renato Gaúcho – Fotos: Matheus Lima/Vasco

O português está mostrando jogo após jogo que tem controle do elenco, entende futebol e sabe preparar uma equipe para competir. Agora precisamos ver até onde ele consegue levar esse Vasco.

Mas uma coisa mudou. Finalmente, temos um treinador. E, para quem acompanha o Vasco há tanto tempo, isso não é pouca coisa.

E tem uma estatística que merece ser lembrada: nas últimas três edições da Copa do Brasil, apenas um clube esteve presente nas semifinais.

O Vasco da Gama.

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PorAlvaro Tallarico
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ com experiência em Jornalismo Esportivo. Autor dos livros "O que é Arte? Com a palavra, o artista", "A Paulistana de Ganesha", e outros.

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