Mesmo na zona de rebaixamento após a goleada sofrida diante do Palmeiras, o Vasco ainda tem confrontos diretos, jogos a menos e possibilidades reais de escapar. Mais do que isso: um clube do tamanho do Cruz-Maltino não pode aceitar derrotas como estratégia nem abrir mão de competições em que ainda pode disputar títulos
O Vasco perdeu para o Palmeiras, permanece no Z4 e a preocupação é absolutamente legítima. A goleada por 4 a 1 neste domingo deixou o time em situação desconfortável, na vice-lanterna, com 22 pontos. Mas uma coisa é reconhecer a gravidade do momento. Outra, completamente diferente, é decretar o rebaixamento em agosto.
O Vasco não está bem no Campeonato Brasileiro. Isso precisa ser dito sem tentar maquiar a realidade. É óbvio. O time perdeu jogos importantes, desperdiçou oportunidades e agora precisa reagir rapidamente.
Mas o campeonato ainda não acabou. E, principalmente, a tabela mostra que o problema do Vasco não é uma distância impossível de ser tirada.
É justamente aí que surge uma discussão que considero equivocada: a ideia de que o Vasco deveria praticamente abandonar a Copa do Brasil e a Copa Sul-Americana para se concentrar exclusivamente no Brasileirão.
Não concordo.
Aliás, acredito que o Vasco precisa fazer exatamente o contrário: continuar levando todas as competições a sério e recuperar, em cada jogo, a mentalidade de um clube que entra em campo para vencer.
Porque o maior perigo para um time grande não é disputar demais. É começar a se acostumar a perder.
O dado mais importante neste momento é olhar para o campeonato com um pouco menos de desespero e um pouco mais de contexto.
A derrota para o Palmeiras não foi um tropeço em um confronto direto contra um adversário da parte de baixo. Foi contra o líder do campeonato, em um jogo que, por mais doloroso que tenha sido o placar, não define sozinho o destino vascaíno. O Palmeiras chegou aos 51 pontos, enquanto o Vasco permaneceu com 22.
O que interessa ao Vasco agora é a parte de baixo da tabela.
Do 12º colocado para baixo, o campeonato continua embolado. Há vários clubes pressionados e envolvidos na mesma disputa. A diferença entre escapar e afundar pode mudar rapidamente em duas ou três rodadas.
E existe um detalhe fundamental: nem todos têm o mesmo número de jogos.
Remo, Internacional e Vitória, três equipes que estão próximas da luta contra o rebaixamento, têm partidas que pesam diretamente nessa disputa. E, por coincidência ou não, o Vasco ainda terá confrontos em São Januário contra esses adversários.
Isso importa, e muito.
Em uma briga de permanência, os chamados jogos de seis pontos não são uma expressão vazia. Uma vitória tira três pontos do adversário e coloca três na própria conta. O impacto psicológico e matemático é enorme. E aí sim a derrota por 3 a 0 para o Santos em casa foi pesada. Mas não o fim do mundo.
O Internacional, por exemplo, terminou a rodada com 25 pontos após empatar com o Atlético-MG. Já o Remo aparece entre os times diretamente envolvidos na parte inferior da classificação, perdeu para nosso freguês, o Fluminense.
E o Vasco não precisa fazer uma campanha de campeão brasileiro para escapar como muitos falam, pois há muitos times jogando pessimamente.
Vasco precisa colocar todos oa jogadores para treinar finalização, todo dia. Em cima do Léo Jardim.
O jogo do Vasco contra a Chapecoense pode mudar o cenário
Há ainda o jogo atrasado contra a Chapecoense.
O confronto foi adiado por causa do calendário da Copa Sul-Americana, como previa a programação oficial do Campeonato Brasileiro.
Isso significa que o Vasco ainda tem uma partida para disputar enquanto a classificação atual é observada.
Não é garantia de vitória. Futebol não funciona assim. Mas é uma oportunidade concreta e mais acessível.
Se o Vasco vencer a Chapecoense, soma mais três pontos e altera imediatamente a leitura da tabela. O time não precisa esperar uma sequência milagrosa de dez vitórias. A situação é dinâmica.
E o Mirassol, outro concorrente direto, também tem um jogo a menos e uma partida complicada contra o Flamengo no Maracanã, segundo o cenário apresentado para a rodada.
Ou seja: há pontos em disputa, confrontos diretos e pressão espalhada por vários clubes.
O Vasco não está sozinho no problema.
A próxima rodada traz Vasco x Cruzeiro, em São Januário, no sábado, 29 de agosto. A partida já consta na tabela detalhada divulgada para a 25ª rodada.
Será um jogo difícil. O Cruzeiro vive uma sequência positiva e venceu o Flamengo por 2 a 1 no Mineirão, chegando à quarta vitória consecutiva. Mas a vitória vascaína é bem possível.
É justamente esse tipo de partida que o Vasco precisa aprender a enfrentar sem sentir o mental, sem desabar se levar gol. Assim como foi contra o Olimpia na Sul-Americana. 4 a 1, de virada.
Não existe mais espaço para entrar em campo pensando que determinado adversário é forte demais e que uma derrota seria natural.
O Vasco precisa parar de escolher os jogos em que acredita que pode ganhar.
Time que quer escapar do rebaixamento precisa pontuar contra adversários diretos, mas também precisa ser capaz de surpreender equipes da parte de cima.
A matemática do campeonato exige isso.
Por que abandonar a Copa do Brasil seria um erro?
Na quarta-feira, o Vasco recebe o Vitória em São Januário, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil.
E aqui está um ponto que me parece ignorado por parte do debate.
Por que exatamente o Vasco deveria abrir mão de uma competição em que está nas quartas de final? Alguns jornalistas insistem que o Vasco se apequene e abandone as Copas. O Gigante da Colina sempre foi copeiro, gente.
O Vitória acabou de perder o Ba-Vi para o Bahia por 2 a 0. O Vasco, por sua vez, tem São Januário como palco do primeiro confronto.
Não há nenhum motivo racional para tratar essa partida como um estorvo. Pelo contrário.
O Vasco está a poucos jogos de uma final e de uma possível taça. E o clube sabe que copas podem mudar temporadas inteiras.
O próprio Vasco chegou à final da Copa do Brasil na temporada passada. Portanto, não se trata de uma fantasia imaginar uma nova campanha longa no torneio.
A Copa do Brasil não é um amistoso de luxo.
É título, premiação. É moral elevada.
É a possibilidade de colocar o clube novamente no centro de uma decisão nacional.
Abrir mão disso por medo do Brasileirão significaria admitir, antecipadamente, que o elenco não consegue competir.
E essa é uma mensagem perigosa para transmitir.
E a Sul-Americana? Também não deveria ser sacrificada
O mesmo vale para a Copa Sul-Americana.
O Vasco mostrou que tem capacidade para competir internacionalmente. Em uma competição de mata-mata, a lógica é completamente diferente da de pontos corridos.
Uma sequência ruim no Brasileirão não determina automaticamente o desempenho em uma copa.
São jogos diferentes. Momentos diferentes. Pressões diferentes. Caramba, fizemos 4 a 1 no Olimpia, no Paraguai!

Um time pode estar irregular em uma competição e encontrar confiança em outra. Quantas vezes o futebol já mostrou isso?
A Copa Sul-Americana também oferece ao Vasco uma possibilidade real de conquista. Não existe garantia, obviamente. Mas estar vivo no torneio significa que o time deve lutar até o último minuto.
O Vasco não está participando dessas competições para cumprir tabela. Está participando para tentar ganhar.
Essa deveria ser a lógica.
Existe uma diferença entre administrar o elenco e desistir de competir. Rodízio pode ser necessário. Jogadores podem precisar descansar. Sim, claro.
A comissão técnica precisa avaliar desgaste, lesões e recuperação.
Tudo isso faz parte do futebol moderno. Mas uma coisa é poupar pontualmente. Outra é entrar em uma competição com a mensagem de que perder não importa.
Para mim, esse seria o maior erro possível.
O Vasco precisa recuperar uma cultura de vitória.
Não importa se o jogo é pelo Brasileirão, Copa do Brasil ou Copa Sul-Americana.
Não importa se o adversário está na parte de cima ou de baixo.
Não importa se o jogo acontece em São Januário ou longe do Rio.
O Vasco precisa entrar sempre para vencer.
Nem sempre vai conseguir. Evidentemente.
Mas precisa querer. E acertar o gol…
Porque um clube que começa a aceitar derrotas estratégicas corre o risco de levar essa mentalidade para o campeonato que supostamente decidiu priorizar.
Você não constrói confiança perdendo de propósito.
Você não cria um time vencedor dizendo aos jogadores que determinada competição não importa.
Você não mobiliza uma torcida como a do Vasco pedindo que ela aceite uma derrota em nome de uma estratégia que ninguém consegue garantir que dará certo.
O tamanho do Vasco continua existindo, apesar das crises
E há também uma questão que vai além da tabela.
O Vasco atravessa anos difíceis. Crises administrativas, problemas financeiros, rebaixamentos, reconstruções interrompidas e uma sucessão de frustrações marcaram a história recente.
Nada disso, porém, diminui o tamanho do clube.
O Vasco continua sendo o Vasco.
Um dos gigantes do futebol brasileiro. Apesar de, claramente, haver uma parte da mídia contra e com gana de apequenar o clube. Esses dizem para abandonar competições, colocam o time como já rebaixado e cujo único foco deve ser ficar na série A do Brasileiro…
Querem implantar mentalidade contínua de time pequeno no Vasco!
Um clube com uma história que não cabe na crise de uma temporada (várias, ok…).
E talvez seja justamente por isso que a mentalidade precise ser diferente.
Um clube pequeno pode olhar para uma quartas de final e pensar: “já chegamos longe”.
O Vasco não.
Um clube gigante olha para uma quartas de final e pensa: “faltam três adversários para o título”.
Essa diferença de mentalidade não ganha jogo sozinha. Não faz gol. Não impede erro defensivo. Mas ajuda a definir o ambiente.
O Brasileirão precisa ser tratado como prioridade — sem virar exclusividade
Aqui está, para mim, o ponto central.
Sim, o Campeonato Brasileiro é prioridade porque o Vasco precisa sair do Z4.
Isso não está em discussão. Cada rodada passa a ter um peso enorme. Cada confronto direto vale ouro.
Cada ponto desperdiçado pode custar caro. Mas prioridade não significa exclusividade.
O Vasco pode — e deve — lutar para permanecer na Série A enquanto avança na Copa do Brasil e na Sul-Americana.
Aliás, vencer nas copas pode ajudar o próprio Brasileirão.
Uma classificação melhora o ambiente. Cada vitória devolve confiança. Uma boa atuação recupera jogadores.
Uma campanha forte aproximar torcida e elenco.
O futebol não é uma conta matemática simples em que disputar três competições significa necessariamente perder pontos em uma delas.
O problema do Vasco não é estar vivo demais.
O problema é ter vencido pouco no Brasileirão.
A solução, portanto, não é jogar menos para perder menos.
Quem olha para o Vasco hoje e afirma, com absoluta certeza, que o rebaixamento está decidido está ignorando a natureza do Campeonato Brasileiro.
A situação é perigosa? Sim. A pressão aumentou? Muito. O time precisa melhorar? Imediatamente.
Mas ainda existem rodadas, jogos atrasados, confrontos diretos e muitos adversários igualmente pressionados. Tenho completa firmeza que Vasco não cai. Há times bem piores.
Outro fator que mantém o Vasco vivo é a quantidade de confrontos diretos que ainda terá pela frente. São seis partidas contra equipes envolvidas na luta contra o rebaixamento: Grêmio, fora de casa; Coritiba, em São Januário; São Paulo, fora; além de Remo, Internacional e Vitória, todos em São Januário. O último deles, contra o Vitória, será justamente na rodada final. Ou seja, o Vasco ainda tem a oportunidade de tirar pontos diretamente de adversários que disputam a mesma parte da tabela.
O próprio cenário da rodada mostra como a parte de baixo pode mudar rapidamente. A tabela não é estática e uma sequência curta de vitórias altera completamente a percepção sobre um clube.
Por isso, não faz sentido jogar a toalha em agosto.
O Vasco pode ganhar do Cruzeiro. Precisa buscar a vitória contra a Chapecoense no jogo atrasado.
Precisa aproveitar São Januário contra concorrentes diretos como Remo, Internacional e Vitória.
Precisa encarar a Copa do Brasil contra o Vitória como uma oportunidade.
E precisa seguir forte na Sul-Americana enquanto houver a possibilidade de chegar à taça.
O torcedor tem todo o direito de criticar, cobrar, se preocupar.
Mas o Vasco não pode se comportar como se já estivesse condenado.
Não está.
E talvez a maior resposta possível venha justamente de onde alguns querem que o clube desista: nas vitórias, independentemente da competição.
Porque o Vasco pode estar vivendo mais uma crise. Pode estar no Z4. Pode carregar cicatrizes recentes.
Mas não deixou de ser gigante. Nunca deixará.
E gigante não escolhe em qual campeonato vale a pena lutar.
Luta em todos.
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