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Crítica | ‘Mundo Estranho’ é muito mais do que aparenta

Por Rodrigo Adami
Última Atualização 21 de fevereiro de 2023
6 Min Leitura
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A Disney tem feito uma divulgação bem fraca de sua nova animação Mundo Estranho, até os trailers não empolgaram tanto. O que é uma pena, pois além de um visual incrível ela tem mensagens muito mais fortes e necessárias do que pode parecer. Na superfície é só mais um filme sobre família que foca no problema com pais que querem definir o futuro dos filhos. Mas no fundo é sobre a relação humana com a natureza e com seus iguais.

A família Clade era conhecida por ter grandes exploradores, e por isso, forte candidata a descobrir o que havia por trás de montanhas intransponíveis. Sem veículos capazes de voar por cima delas ou qualquer tecnologia que ao menos ajudasse a resolver esse mistério, Searcher Clade faz dessa sua missão de vida. Mas seu filho, Jeager Clade, e o resto da expedição abandonam esse sonho ao descobrir uma planta que mudou a vida de seu povo. Vinte e cinco anos se passam e Jeager precisa sair em uma nova aventura, onde descobre um novo mundo abaixo da terra.

A animação é inspirada nas revistas pulp, de onde surgiram clássicos como Zorro, Tarzan e John Carter. No início do longa temos até cenas em que a animação simula o visual dessas artes no papel de celulose barato. Assim como nas revistas, o que temos aqui é uma grande aventura fantástica que provavelmente vai prender a atenção das crianças. Mas para os adultos há camadas muito mais importantes para serem pensadas.

Representatividade em sua perfeição

Ethan, o filho de Jeager, é gay. E isso não traz nada de ruim ao personagem em nenhum momento do filme, não há questionamentos, e melhor ainda, ele não é estereotipado. Logo no começo conhecemos o crush dele e vemos como os amigos e os pais tratam essa relação com normalidade. Isso já mostra como roteiristas e até animadores souberam lidar com o personagem perfeitamente. É até absurdo isso ser um ponto que precisa ser elogiado. Mas vivemos em um mundo estranho onde não é comum grandes empresas lidarem bem com personagens LGBTQIA+.

Mas não é só por isso que Ethan é o melhor personagem. Ele representa o adolescente muito mais consciente do que as gerações anteriores sem perder a inconsequência comum da idade. Ethan percebe muito claramente as ações estúpidas dos mais velhos, sejam elas com relação aos problemas comuns a todos, quanto advindas do ressentimento entre Searcher e Jeager. É ele quem já tinha a mentalidade necessária para resolver o conflito maior do filme que ameaçava todo seu povo.

A mensagem ecológica e comunitária

A civilização mostrada em Mundo Estranho é uma utopia que conseguiu conciliar tecnologia, meio ambiente e colaboração. Todos ganharam com a descoberta de Jeager nas montanhas, uma planta que trouxe energia elétrica de forma limpa. Nos 25 anos que se passam, a tecnologia deu um salto e todos vivem bem, mas as plantações que trouxeram o progresso estão morrendo. É isso que move a aventura e uma das maiores mensagens do filme, a natureza precisa de equilíbrio. As ações do homem afetaram aquele ecossistema abaixo da terra e para resolver eles precisam colocar o bem do todo acima de suas necessidades.

Algumas pessoas acharam o visual das criaturas genérico, mas eles fazem todo sentido dentro do filme. Todo conceito visual é muito bem pensado e funcional. Mesmo sem olhos ou bocas, pelo menos capazes de expressar emoções, as criaturas conseguem ser cativantes ou amedrontadoras. Splat é o destaque aqui, ele é praticamente um slime vivo e tão carismático quanto o Flubber. Até sua função inicial de carrasco faz sentido quando entendemos seu mundo. E após essa compreensão é interessante o exercício de pensar o significado de cada uma dessas criaturas fantásticas.

Conclusão

Não dá para saber se a falta de divulgação foi o medo da reação negativa de parte do público ao saber do protagonismo de um personagem gay em animação infantil. Mas seria muito bom se Mundo Estranho conseguir chamar atenção quando estrear. Precisamos de mais animações sem medo de representar mais do que famílias héteros e brancas e que saibam tratar seus personagens com normalidade.

Aqui a mãe faz coisas de mãe sem ser a simples dona de casa e os personagens homossexuais são engraçados sem ser uma caricatura ofensiva. É uma animação perfeita para uma geração que precisa crescer com menos preconceitos e mais consciência de coletivo e meio ambiente.

Mundo Estranho estreia dia 24 de novembro nos cinemas. Fique com o trailer:

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https://www.youtube.com/watch?v=Ix2Ly0_vwGg?
Tags:Animação DisneyCrítica Mundo Estranhodisney
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PorRodrigo Adami
Estudante de Comunicação Social com foco em Cinema. Além dos filmes, amo quadrinhos e vídeo games, sempre atrás de boas histórias.

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