Dirigido por Zach Cregger, A Hora do Mal apresenta uma narrativa não cronológica que, por meio de diferentes pontos de vista, leva o espectador a uma jornada arrepiante
Na mitologia eslava, Baba Yaga é representada como uma criatura velha, sábia e enrugada. Apesar de demonstrar docilidade para com quem a merece, é frequentemente retratada como uma força antagônica em diversos contos e histórias, sendo vista como uma bruxa e devoradora de crianças. Ao longo do tempo, consolidou-se como uma das mais icônicas bruxas da literatura oral e escrita, tendo sido explorada em produções como Hellboy (2019, Neil Marshall) e no clássico Mulheres que Correm com os Lobos (1989, Clarissa Pinkola Estés). Sua figura segue como inspiração para diversas representações da bruxaria até os dias de hoje.
Baba Yaga, o folclore tradicional e os contos de fadas como um todo, incluindo guerreiros em cavalos brancos, princesas destemidas e bruxas aterrorizantes, sempre serviram de base para cineastas audaciosos, desde Georges Méliès até Zach Cregger em sua obra mais recente.
A Hora do Mal se inicia com uma narração em off que apresenta de forma concisa tudo o que o público precisa saber. Entre essas informações, destaca-se o fato de que, às 2h17 da manhã, todas as crianças de uma sala do ensino fundamental saíram para a rua e desapareceram na escuridão, restando apenas um misterioso e silencioso garoto chamado Alex Lilly.

Josh Brolin em cena de A Hora do Mal- Divulgação Warner Bros
Dividido em seis capítulos, A Hora do Mal adota a estrutura de filmes como Pulp Fiction: Tempo de Violência (1995, Quentin Tarantino), Magnólia (2000, Paul Thomas Anderson) e Deu a Louca na Chapeuzinho (2006, Cory Edwards, Tony Leech, Todd Edwards), que seguem a lógica da anti-trama, conforme exemplificado por Robert McKee, sendo uma narrativa fragmentada e composta por realidades inconsistentes, conduzindo o público por pontos de vista variados que, em conjunto, compõem um intrigante quebra-cabeça de horror.
Com uma estrutura mais clássica e direta do que outros filmes contemporâneos do gênero, como O Babadook (2014, Jennifer Kent), mas sem pender para o exagero blockbuster de obras como o novo Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (2025, Jennifer Kaytin Robinson), A Hora do Mal se destaca como uma produção independente com um meticuloso cuidado na decupagem, continuidade e um design de som exemplar, além de uma trilha sonora, composta por sons agudos e tensos, que cria uma atmosfera constante de inquietação.
A narrativa avança com cada capítulo encerrando em cenas angustiante e enigmáticas que, isoladamente, causam desconforto, mas não revelam muito. Essas peças só fazem sentido no capítulo final, o mais aterrorizante e, paradoxalmente, o mais cômico da produção, por conta do absurdo e das sacadas brilhantes de Cregger, que não faz o filme virar um Terrir por si, porém, traz um merecido alívio após interações mais tensas.
O ponto forte do filme reside na construção de clima, elemento essencial para um bom terror, provocando o espectador a especular sobre os rumos da história, combinando elementos clássicos com marcas consagradas do gênero, como crianças possuídas e pesadelos alimentados por culpa e ressentimento. Esse aspecto é central nos arcos de Josh Brolin e Julia Garner, protagonistas que não evoluem necessariamente em função de mudanças pessoais, mas sim a partir da resolução do mistério e das reações emocionais ao enfrentarem luto, raiva e perda.

Julia Garner em cena de A Hora do Mal- Divulgação Warner Bros
Em questão de ritmo, A Hora do Mal se alonga um pouco mais do que deveria, podendo ser capaz de sentir suas longas duas horas após um certo momento, e trazendo certas incongruências de roteiro em certos momentos, porém, que ao seu final, não afeta o fator emoção, que o filme mira a todo momento, e acerta no alvo diversas vezes.
A Hora do Mal é uma produção da New Line Cinema e estreia nos cinemas brasileiros em 7 de agosto de 2025.
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