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Cena de Meu Amigo Totoro- Divulgação Ghibli Fest
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Meu Amigo Totoro’ se mantém potente e emocionante

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 16 de setembro de 2025
6 Min Leitura
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Cena de Meu Amigo Totoro- Divulgação Ghibli Fest
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Dirigido por Hayao Miyazaki, Meu Amigo Totoro continua um delicado retrato de humanidade, infância e conforto

Não existem palavras que descrevam de forma justa a importância do Studio Ghibli e de Hayao Miyazaki para a cultura cinematográfica mundial. Apesar de não terem acumulado tantos prêmios quanto estúdios como a Walt Disney Animation Studios, em grande parte por se tratar de premiações de viés ocidental, produções como O Castelo Animado (2004, Hayao Miyazaki) e Meu Amigo Totoro (1988), apresentam sutilezas, simbolismos e profundidade que continuam muito à frente de boa parte das animações produzidas no Ocidente. Mais do que estímulos visuais, são obras sobre humanidade.

O terceiro longa do Studio Ghibli tornou-se rapidamente um dos símbolos do estúdio. A trama acompanha Satsuki e Mei, duas irmãs que se mudam com o pai para o interior, enquanto aguardam a recuperação da mãe. Nesse cenário de incerteza e fragilidade, as meninas encontram na floresta um guardião mágico: Totoro, um troll gigante que se torna fonte de alegria, conforto e segurança.

A história é minimalista, sem grandes conflitos externos, mas profundamente significativa. O verdadeiro drama está na insegurança das crianças diante da doença da mãe e na necessidade de aprender a lidar com o medo. Totoro surge, então, não como um herói tradicional, mas como guia e conforto, um símbolo daquilo que toda criança, e adulto, busca nos momentos de angústia.

Miyazaki utiliza recursos pouco usuais para o cinema infantil ocidental: silêncios que dizem muito, planos de contemplação da natureza e um ritmo que convida à imersão. A música tema, alegre e aparentemente infantil, já anuncia a leveza e a sensibilidade da obra, assim, em menos de 90 minutos, Meu Amigo Totoro conduz o espectador por um turbilhão de emoções: riso, ternura, preocupação e alívio.

Cena de Meu Amigo Totoro- Divulgação Ghibli Fest

Cena de Meu Amigo Totoro- Divulgação Ghibli Fest

A cena da chuva, talvez a mais icônica e conhecida de toda a obra, sintetiza tudo: a espera, o cotidiano, a curiosidade infantil e o encantamento de encontrar o extraordinário no simples, sendo neste equilíbrio entre dia a dia e fantasia que reside a força estética e narrativa do filme.

Muito já foi discutido sobre os significados presentes ao longo da produção. Totoro pode ser lido como a materialização do conforto, da esperança e da inocência, enquanto os “totorinhos” funcionam como reflexo da relação entre as irmãs, enquanto o Ônibus-Gato expande o universo mítico que só pode ser visto por aqueles que ainda preservam a pureza da infância.

Quando crescerem, Satsuki e Mei provavelmente não verão mais Totoro, do mesmo modo que seus pais. Mas não por ele deixar de existir, e sim porque já não precisarão dele. A mensagem é clara: rir, brincar, abraçar uma criatura fantástica e ter a consciência que tudo vai ficar bem, são etapas essenciais do amadurecimento.

Anos antes de Lilo & Stitch (2002, Chris Sanders e Dean Deblois) e Como Treinar o Seu Dragão (2010, Chris Sanders e Dean Deblois), Meu Amigo Totoro já havia entregado uma das mais belas histórias sobre a amizade entre uma criança e uma criatura fantástica. A diferença é que, em Miyazaki, não há inimizade, ameaça ou conflito central a ser superado, existe apenas o medo humano diante da vida real e a aceitação de que, com apoio, é possível seguir em frente.

Cena de Meu Amigo Totoro- Divulgação Ghibli Fest

Cena de Meu Amigo Totoro- Divulgação Ghibli Fest

Embora menos grandioso em escala do que A Viagem de Chihiro (2001), Meu Amigo Totoro é impecável em sua estrutura. Comédia, drama e fantasia lúdica se unem de maneira orgânica, em um espetáculo visual e emocional que permanece inalterável com o tempo, sendo tão marcante e confortável quanto no seu lançamento.

Não surpreende que Totoro tenha se tornado não apenas um ícone do Studio Ghibli, mas também do cinema como um todo. É um filme que nos convida a sentir, e que, por isso, permanece perfeito.

Meu Amigo Totoro marcou a pré estreia do Festival Ghibli. A primeira parte do festival ocorrerá entre os dias 18 de Setembro e 01 de Outubro, e passará 14 obras do estúdio incluindo A Viagem de Chihiro, Porco Rosso: O Último Herói Romântico (1994, Hayao Miyazaki), entre tantos outros clássicos.

Confira abaixo o trailer oficial do Ghibli Fest

A programação completa e os ingressos disponíveis pode ser encontrado no site da ingresso.com.

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Tags:animeCinemaConfortocríticaghibliGhibli Festhayao miyazakiINFANTILMeu Amigo TotoroPorco RossoTotoro
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