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Rodrigo Santoro, Johnny Massaro, Miguel Martines e Rebeca Jamir em cena de "O Filho de Mil Homens"- Divulgação NETFLIX
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘O Filho de Mil Homens’ é obra de poesia, dor e conforto

Por
André Quental Sanchez
Última Atualização 24 de novembro de 2025
6 Min Leitura
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Rodrigo Santoro, Johnny Massaro, Miguel Martines e Rebeca Jamir em cena de "O Filho de Mil Homens"- Divulgação NETFLIX
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Dirigido por Daniel Rezende, O Filho de Mil Homens utiliza o realismo fantástico e o silêncio para contar uma forte história de pertencimento e afeto

Assim como Gabriel García Márquez, Valter Hugo Mãe apresenta um estilo próprio de autoralidade literária que dificulta qualquer adaptação audiovisual: linhas do tempo não cronológicas, personagens profundamente humanos, além de um senso de fantástico que, dependendo do tom adotado, pode destoar do restante e soar artificial. Porém, da mesma forma que a Netflix conseguiu realizar uma excelente adaptação de Cem Anos de Solidão (2024, Alex García López, Laura Mora), ela novamente transpõe com maestria aquilo que muitos consideravam inadaptável, desta vez com O Filho de Mil Homens (2025, Daniel Rezende).

Em um ano especialmente benéfico para o cinema nacional, desde a vitória de Ainda Estou Aqui (2024, Walter Salles) no Oscar, até sucessos populares como Homem com H (2025, Esmir Filho) e fenômenos como O Agente Secreto (2025, Kleber Mendonça Filho), a produção de Daniel Rezende passou abaixo do radar de muitos. Seja por ter sido realizada para um serviço de streaming, por sua janela diminuta nos cinemas ou pelo apagamento causado pelo brilho solar da produção de Kleber, o fato é que, de várias formas, sua narrativa é mais potente do que aquela que é amplamente considerada “o filme nacional do ano”.

A produção acompanha Crisóstomo, Rodrigo Santoro, um pescador que carrega o peso de nunca ter conseguido ser pai. Na procura por um filho sem pai, já que ele próprio é um pai sem filho, Crisóstomo encontra Camilo, Miguel Martines, um órfão de apenas 12 anos. Enquanto constroem essa nova família, eles se unem a Antonino, Johnny Massaro, um jovem gay, e a Isaura, Rebeca Jamir, uma mulher que foge da própria culpa. Dessa união improvável, todos encontram o afeto e o amparo que tanto desejavam.

Rodrigo Santoro e Rebeca Jamir em cena de "O Filho de Mil Homens"- Divulgação NETFLIX

Rodrigo Santoro e Rebeca Jamir em cena de “O Filho de Mil Homens”- Divulgação NETFLIX

O Filho de Mil Homens abraça o drama, a poesia e a melancolia de maneira que amplia a narrativa para o próprio âmago do ser humano, nos conduzindo por uma jornada que une naturalismo e realismo fantástico de forma orgânica e profundamente sensível, à medida que seus protagonistas lidam com a solidão e com o medo de não pertencimento, como se sempre devessem algo a alguém.

Com linhas cronológicas distintas, interações diversas e núcleos amplos de personagens, o filme mantém lento ritmo de poesia e contemplação, algo já presente na adaptação de Márquez e retomado aqui na transposição da obra magna de Valter Hugo Mãe. Trata-se de um filme que exige sensibilidade, observação e abertura para contemplar as dores silenciosas desses personagens, expressas em um olhar, em um gesto contido, ou no medo do toque, algo tão natural ao ser humano e, ao mesmo tempo, tão traumático para seus personagens.

Do figurino de cores monocromáticas e atributos simbólicos idealizado por Manuela Mello, à cinematografia fria dura e grandiosa de Nico Mascarenhas, tudo em O Filho de Mil Homens contribui para transmitir um sentimento de ausência, como se, nesse tempo e lugar não definidos, os personagens estivessem sempre em débito com alguém, seja Antonino com sua mãe conservadora, Isaura com seu papel de esposa, entre outros, gerando um senso de tristeza que também revela beleza e alegria ao acompanharmos suas jornadas.

Rodrigo Santoro, Johnny Massaro e Rebeca Jamir em cena de "O Filho de Mil Homens"- Divulgação NETFLIX

Rodrigo Santoro, Johnny Massaro e Rebeca Jamir em cena de “O Filho de Mil Homens”- Divulgação NETFLIX

A narração de Zezé Motta adiciona uma atmosfera de conto de fadas que facilita a compreensão dos acontecimentos. O tempo e o lugar indefinidos, a poesia visual e lírica presente nos nomes dos capítulos e o realismo fantástico, que vai da concha mágica de Crisóstomo, ao sotaque francês que a mãe de Isaura adquire e não consegue abandonar, colaboram para uma construção simbólica, sensível e profundamente humana, tornando a produção bem mais potente do que o retrato da ditadura presente em O Agente Secreto.

Embora a obra de Kleber Mendonça Filho seja, de fato, a produção mais forte entre as indicações brasileiras ao Oscar 2026, em especial por conta de sua campanha ter se iniciado no começo do ano e por sua premiação em Cannes, O Filho de Mil Homens é igualmente potente. Dramaticamente, talvez seja até mais forte, pois fala com franqueza de dores e sentimentos essencialmente humanos, entregando personagens honestos, vulneráveis e que se unem por meio de suas solidões, algo bonito de se enxergar, e que não será facilmente esquecido, seja em seu aspecto visual, seja em sua dimensão simbólica.

Atualmente, O Filho de Mil Homens está disponível na Netflix.

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Tags:Cinemacinema brasileirocinema nacionalcríticaFilhoFilho de Mil Homensgabriel garcia marquezO Agente Secretorealismo mágicoRodrigo SantoroValter Hugo Mãe
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