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Alícia Sanz em cena de "Push: No Limite do Medo"- Divulgação
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Push: No Limite do Medo’ se perde entre sustos e furos de roteiro

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 9 de março de 2026
7 Min Leitura
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Alícia Sanz em cena de "Push: No Limite do Medo"- Divulgação
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Dirigido por David Charbonier e Justin Powell, Push: No Limite do Medo apresenta diversas tentativas de terror que nunca encontram chão firme.

Existem algumas produções em que a experiência cinematográfica é muito melhor do que o filme em si, principalmente quando assistidas ao lado de um grupo de pessoas com quem você pode rir de situações que não eram para rir, julgar decisões estúpidas e passar raiva junto com pessoas que sentem o mesmo que você. Para o bem ou para o mal, este é o caso de Push: No Limite do Medo.

Para a pré-estreia que ocorreu em São Paulo, a sessão foi transmitida a céu aberto no histórico Castelinho da APA, local onde, na década de 1930, aconteceu um massacre que até hoje não foi resolvido. Para a apresentação de um filme de terror de invasão domiciliar, que envolve o mistério da morte dos donos de um imóvel, além de toda a tensão e o misticismo em torno de uma mansão assombrada, em teoria, a escolha do lugar foi ideal e bastante convidativa como experiência cinematográfica. Na prática, nem tanto.

Alícia Sanz em cena de "Push: No Limite do Medo"- Divulgação

Alícia Sanz em cena de “Push: No Limite do Medo”- Divulgação

Como forma de construir tensão, Push: No Limite do Medo utiliza uma combinação de silêncio, ruídos extremamente altos e uma composição sonora tradicional de filmes de terror, intensificando a atmosfera em diversos momentos para que o espectador saiba que algo assustador está prestes a acontecer. Esse clima de horror aumenta ainda mais por conta do conflito claro entre a jovem Natalie Flores, corretora de imóveis grávida de oito meses, e um misterioso cliente que inicia um processo de perseguição e stalkeamento, indicando que conhece, e sabe muito, sobre aquele misterioso imóvel.

À medida que a projeção de Push: No Limite do Medo ocorreu a céu aberto, em um local de São Paulo de grande movimento e próximo ao Minhocão, a experiência em si, apesar de ter sido planejada com boas intenções, acabou se tornando mais interessante do que o próprio filme. A produção sai prejudicada pela iluminação intensa na tela, além dos barulhos e ruídos externos que constantemente tiravam a atenção da plateia, como um grito de “Gol!” por conta do jogo do Palmeiras que acontecia na mesma noite.

Esses momentos levaram o público ao riso e criaram uma experiência coletiva curiosa, porém trabalharam na contramão do próprio filme, que já não era particularmente grandioso para início de conversa.

A maior tensão de Push: No Limite do Medo não vem da casa supostamente mal-assombrada, mas sim do conflito direto entre uma mulher grávida e um homem branco, misterioso e violento que ameaça arrancar o bebê dela com uma faca. Porém, até chegar a esse conflito, a produção se arrasta em longos momentos de exploração pela casa, luzes que se acendem e se apagam, além de planos-sequência interessantes, mas que não apresentam grande utilidade além de demarcar os espaços da residência e cansar o espectador que anseia por algo além de jump scares baratos, um tempo precioso que poderia ter sido utilizado para evoluir sua protagonista.

Alícia Sanz em cena de "Push: No Limite do Medo"- Divulgação

Alícia Sanz em cena de “Push: No Limite do Medo”- Divulgação

Em Story: Substância, Estrutura, Estilo, Robert McKee define a jornada externa como a busca do protagonista por um objetivo concreto, sendo, no caso de Push: No Limite do Medo, a sobrevivência de Natalie Flores diante de um assassino aterrorizante, tudo enquanto o bebê prestes a nascer.

Ao mesmo tempo, McKee defende que a jornada interna corresponde à transformação emocional e psicológica provocada por essa busca. Porém, quando analisamos a jornada de Natalie, dificilmente encontramos uma base concreta para essa mudança, o que se torna um erro crucial. Sim, somos apresentados logo no início ao fato de que ela ainda sofre com o luto pela morte do namorado, mas, ao questionarmos qual seria sua verdadeira mudança psicológica ao longo da narrativa, é difícil encontrar algo realmente consistente.

À medida que o filme avança entre sustos baratos, decisões estúpidas e conveniências de roteiro, a produção sempre retorna a uma cinematografia que se torna escura demais em determinados momentos e a uma direção de arte que não passa muito da linha do “ok”. Assim, Push: No Limite do Medo nos faz rir quando deveríamos sentir medo e ficar com raiva em situações que deveriam emocionar. Afinal, apesar de mencionadas, as regras desse universo nunca são claramente explicitadas. Diante disso, por que o espectador deveria se importar?


Alícia Sanz em cena de “Push: No Limite do Medo”- Divulgação

Do que morreram os donos do imóvel? Como o assassino nasceu em 1929 e ainda está vivo? Qual é sua relação com os antigos proprietários da casa?

Para estas respostas, escolha a opção que preferir: ou David Charbonier e Justin Powell almejavam uma sequência que provavelmente jamais acontecerá, ou simplesmente demonstraram a incapacidade de estruturar uma história realmente coesa. O resultado é um filme que se fortalece em um clima de tensão que se esvazia assim que o filme acaba, e cabe ao público a tarefa de montar sua própria fanfic sobre os acontecimentos, o que, convenhamos, dentro de uma produção independente de horror, é provavelmente a última coisa que alguém deseja.

Distribuído pela Clube Filmes, Push: No Limite do Medo estreia nos cinemas no dia 5 de março.

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Tags:castelinho apaCinemacriticaDavid CharbonierJustin PowellPushPush No Limite do Medoterror
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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.
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