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Marco Túlio, thay Bergamim, Cauê Bueno e Andrei Soares em cena de "Authentic Games: No Império Desconectado"- Divulgação Imagem FIlmes
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Authentic Games: No Império Desconectado’ – aposta nos fãs e divide o público

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 30 de abril de 2026
5 Min Leitura
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Marco Túlio, thay Bergamim, Cauê Bueno e Andrei Soares em cena de "Authentic Games: No Império Desconectado"- Divulgação Imagem FIlmes
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Dirigido por Bruno Murtinho, Authentic Games: No Império Desconectado entende o seu público e entrega uma produção customizada diretamente para ele

Antes de analisar qualquer produção, é essencial compreender o público-alvo ao qual ela se destina. No caso de Authentic Games: No Império Desconectado, essa definição é bastante clara: trata-se de um filme pensado diretamente para os seguidores de Marco Túlio, criador de conteúdo com mais de 20 milhões de inscritos e uma presença consolidada que vai muito além do YouTube.

Partindo desse ponto, e considerando que grande parte de seu público é composta por crianças e jovens que cresceram acompanhando seus vídeos, a proposta do filme se torna mais compreensível. Diferentemente de animações de grandes estúdios como Disney ou DreamWorks, que frequentemente equilibram camadas narrativas para atingir tanto o público infantil quanto adulto, aqui a construção é quase inteiramente voltada para os mais jovens. Isso se reflete em diálogos simplificados, conflitos diretos e uma narrativa que prioriza o dinamismo em detrimento da profundidade.

Authentic Games: No Império Desconectado aposta fortemente no carisma de Marco Túlio como motor central da história. A estrutura narrativa remete a fórmulas já conhecidas, como a de um vilão poderoso que busca capturar o protagonista para seus próprios interesses, uma ideia que evoca, ainda que de forma distante, produções como Space Jam (1996, Joe Pytka).

Marco Túlio em cena de "Authentic Games: No Império Desconectado"- Divulgação Imagem FIlmes

Marco Túlio em cena de “Authentic Games: No Império Desconectado”- Divulgação Imagem FIlmes

No entanto, ao contrário de obras que conseguem dialogar com diferentes gerações, o filme permanece bastante restrito ao repertório de seu público original, o que pode torná-lo cansativo para espectadores mais velhos.

A trilha sonora, por sua vez, parece se inspirar fortemente em composições clássicas do cinema de aventura, especialmente aquelas popularizadas por John Williams em Star Wars (1977, George Lucas). Embora funcione como um elemento de familiaridade e grandiosidade, essa escolha também evidencia uma certa dependência de referências externas, sem necessariamente construir uma identidade própria marcante.

Com cerca de 65 minutos de duração, o filme tenta desenvolver um arco de redenção para seu protagonista, que começa a narrativa com atitudes egoístas e gradualmente aprende a valorizar o trabalho em equipe e o bem coletivo. No entanto, esse desenvolvimento é tratado de maneira superficial. Falta um conflito mais consistente ou momentos de pausa que permitam ao público absorver essa transformação, o que faz com que a jornada emocional pareça apressada e pouco impactante.

Em termos visuais, a estética 3D dialoga diretamente com o universo dos vídeos do canal Authentic Games, o que é um acerto ao manter a familiaridade para os fãs. As sequências animadas são o grande destaque da produção, com ritmo acelerado e cenas que privilegiam a ação constante.

Marco Túlio, thay Bergamim, Cauê Bueno e Andrei Soares em cena de "Authentic Games: No Império Desconectado"- Divulgação Imagem FIlmes

Marco Túlio, thay Bergamim, Cauê Bueno e Andrei Soares em cena de “Authentic Games: No Império Desconectado”- Divulgação Imagem FIlmes

No entanto, esse mesmo ritmo se torna um problema em certos momentos: a repetição de situações e soluções previsíveis reduz o impacto das cenas e pode gerar desgaste ao longo da exibição.

Ainda assim, o filme encontra pontos positivos em seu humor pontual e em personagens coadjuvantes que ajudam a sustentar o entretenimento. Algumas piadas conseguem ultrapassar a barreira etária e oferecem momentos de leveza também para o público adulto, ainda que de forma esporádica.

No fim, Authentic Games: No Império Desconectado se sustenta muito mais como um produto voltado aos fãs do que como uma obra cinematográfica que busca ampliar seu alcance. E talvez essa seja justamente sua maior qualidade.

Durante a pré-estreia em São Paulo, a forte presença de fãs e o entusiasmo do público deixaram claro que o filme cumpre seu principal objetivo: entregar uma experiência significativa para quem já acompanha Marco Túlio.

Mais do que uma narrativa complexa ou inovadora, trata-se de um presente direto para sua base de fãs. E, dentro dessa proposta específica, o filme acerta ao entender exatamente para quem está falando, mesmo que, fora desse público, seu impacto seja limitado.

Distribuído pela Imagem Filmes, Authentic Games: No Império Desconectado estreia nos cinemas no dia 14 de Maio.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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