Dirigido por Kat Coiro, Eu & Você na Toscana oferece charme e romance
O sub-gênero da comédia romântica já passou por inúmeras reinvenções ao longo da história do cinema. Certos valores envelheceram mal, outros seguem firmes, mas o público aprendeu a reconhecer, e até antecipar, seus principais tropos. Especialmente aqueles popularizados entre o fim dos anos 80 e o início dos anos 2000, quando a repetição de estruturas narrativas era quase uma garantia de sucesso. É justamente dessa fonte que Eu & Você na Toscana bebe, sem muito esforço para ir além.
Ao contrário de propostas mais recentes que tentam subverter o gênero, aqui seguimos um manual bastante previsível: protagonista jovem e carismática em crise existencial, cenário europeu idealizado como espaço de autodescoberta, triângulos amorosos, ex-relacionamentos problemáticos e o inevitável dilema emocional entre razão e desejo. Nada exatamente novo, e pior, pouco reinventado.

Lorenzo de Moor em cena de “Eu & Você na Toscana” |Divulgação Imagem Filmes
A trama acompanha Anna, uma jovem que abandonou o sonho de ser chef e agora acumula frustrações. Após perder o emprego, conhece Matteo, um italiano rico e sedutor que menciona a existência de uma mansão vazia na Toscana. Inspirada, Anna viaja até o local e, ao ser descoberta pela família do rapaz, sustenta uma mentira: finge ser sua noiva. A situação se complica com a chegada de Michael, primo de Matteo, que coloca seus sentimentos à prova.
Existe aqui um claro diálogo com o público que consome romances idealizados e séries de apelo escapista. A escalação de Regé-Jean Page não é coincidência: ele funciona como um chamariz direto para esse espectador. No entanto, mesmo tocando em temas como luto, família e recomeços, Eu & Você na Toscana opta por uma abordagem superficial, apoiando-se excessivamente em um recurso narrativo já desgastado: a mentira como motor de conflito.
E esse é talvez seu maior problema. A mentira, quando mal trabalhada, enfraquece personagens e esgota a paciência do público. Poucas produções conseguem utilizá-la de forma sofisticada sem comprometer a narrativa. Aqui, ela não só sustenta a trama como também limita suas possibilidades, evocando uma estrutura que já parecia ultrapassada no início dos anos 2000.

Halle Bailey, Regé-Jean Page em cena de “Eu & Você na Toscana” |Copyright Universal Studios
Visualmente, a Toscana entrega aquilo que se espera: paisagens deslumbrantes, vinhedos, construções charmosas. Mas há uma sensação de artificialidade, como se o cenário fosse mais um cartão-postal do que um espaço vivo. Os personagens secundários seguem o mesmo caminho, recorrendo a estereótipos italianos que variam entre o funcional e o caricatural, com alguns momentos que podem até soar deslocados dependendo do olhar do espectador.
Narrativamente, o filme não tenta surpreender. Desde os primeiros minutos, fica claro qual será seu destino, e ele o segue com disciplina quase mecânica. Ainda assim, há pequenos respiros: interações pontuais, como a participação das mulheres na van, funcionam como comentários bem-humorados que ecoam a própria percepção do público. Participações especiais também ajudam a injetar alguma personalidade na história.
Com uma trilha que mistura pop contemporâneo e músicas italianas tradicionais, Eu & Você na Toscana entrega exatamente o que promete: uma experiência leve, confortável e despretensiosa. O problema é que esse conforto vem acompanhado de uma falta de ambição criativa que impede o filme de se destacar, ou mesmo de permanecer na memória por muito tempo.
Distribuído pela Imagem Filmes, Eu & Você na Toscana estreia nos cinemas no dia 11 de Junho.
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