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Cena de "MInions e Monstros"- Divulgação Universal Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Minions & Monstros’ acerta na metalinguagem, mas abandona sua melhor ideia no meio do caminho

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 1 de julho de 2026
7 Min Leitura
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Cena de "MInions e Monstros"- Divulgação Universal Pictures
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Dirigido por Pierre Coffin, Minions & Monstros demonstra como a franquia pode alcançar novos ares, mas prefere manter a mesma narrativa de sempre.

Desde que Meu Malvado Favorito (2010, Pierre Coffin e Chris Renaud) nos apresentou esses subordinados amarelos que homenageiam Buster Keaton, e que as tias do Facebook tanto amam, os Minions se tornaram um império a ser considerado dentro do campo da animação. Apesar de nenhuma de suas produções ser realmente grandiosa em termos narrativos ou cinematográficos, o que realmente conta são os milhões na conta, ou no caso desta franquia, os bilhões.

Quando Minions & Monstros foi anunciado, tanto como uma ode a Hollywood quanto como um aceno aos clássicos filmes de monstros da Universal, eu já estava completamente vendido. Após 16 anos com as mesmas piadas, parecia que algo novo finalmente estava sendo preparado. Então começou a surgir uma enxurrada de materiais promocionais e, à medida que os acompanhava, percebi que, além daquilo, o filme dificilmente teria muito mais a oferecer.

Em parte, acertei; em outra, errei feio. Meu erro inicial foi subestimar a primeira metade do filme e a maneira como ela utiliza referências diversas e espirituosas a grandes sucessos do cinema mundial. Seja um George Lucas aprisionado dentro de um museu, nomes de Minions como Quentin, Federico e Steven, entre outros, que remetem diretamente a grandes diretores da sétima arte, ou referências a cenas e momentos marcantes da história do cinema, como o faroeste, o noir e tantos outros gêneros, Minions & Monstros parecia realmente ter algo a dizer, sem abrir mão do humor característico da franquia, até chegarmos ao arco dos monstros em si.

Cena de "MInions e Monstros"- Divulgação Universal Pictures

Cena de “MInions e Monstros”- Divulgação Universal Pictures

A partir do momento em que conhecemos Goobi, um pequeno Cthulhu lovecraftiano, já depois da metade dos curtos 90 minutos de duração, todas as cenas seguintes já haviam sido apresentadas em algum material promocional. Mais do que isso, considerando tudo o que pôsteres, divulgações, trailers e até o próprio título prometem, os monstros em si aparecem muito pouco. A homenagem ao cinema, que vinha sendo construída até então, era muito mais espirituosa, enaltecendo o ato de sonhar e celebrando a própria experiência cinematográfica.

Onde antes havia um cuidado e um estudo minucioso, retornam as piadas típicas dos Minions, com humor pastelão e uma bem-vinda energia de Looney Tunes que beira o absurdismo. Porém, a quebra de ritmo é tão evidente que a sensação é de que os realizadores não sabiam exatamente qual filme queriam contar e acabaram abraçando duas propostas diferentes. Uma poderia se tornar uma análise cômica sobre o cinema como um todo; a outra é um filme de monstros que remete ao humor básico dos Minions que já conhecemos, sem oferecer muito além disso.

Enquanto isso, a trama secundária acompanha Dick e outro grupo de Minions em busca de um novo chefe. Eles conhecem Zort, um atrapalhado homem vestido com uma armadura metálica que pretende dominar o mundo, mas coloca seus planos em pausa após se apaixonar por uma sufragista.

Apesar de, ao final, ambas as histórias convergirem em um caótico terceiro ato contra um monstro gigantesco chamado Irene, os melhores momentos de Minions & Monstros não são as grandes sequências de ação, o tradicional “humor banana” dos capangas amarelos ou mesmo as referências gratuitas à franquia presentes na cena pós-créditos. Os melhores momentos ocorrem quando o coração do filme está em construir uma reflexão sobre o cinema e sobre o estado atual da indústria, utilizando os Minions como ferramenta para dizer algo além do esperado.

Cena de "Minions e Monstros"- Divulgação Universal Pictures

Cena de “MInions e Monstros”- Divulgação Universal Pictures

Quanto à dublagem, apesar do talento de grandes nomes como Guilherme Briggs e Alexandre Moreno, é inegável que a ausência de sessões legendadas, com vozes que vão de Christoph Waltz e Jeff Bridges a Zoey Deutch e Jesse Eisenberg, é uma grande pena. Afinal, a própria estrutura do filme busca discutir o cinema, especialmente o norte-americano, e assisti-lo em sua língua original certamente acrescentaria outra camada à experiência.

Na trilha sonora, John Powell passeia por diferentes eras do cinema norte-americano, incluindo o período que culmina no advento do cinema sonoro, em 1927, proporcionando um grande mergulho nessas fases da história da sétima arte. Entretanto, embora a proposta seja mostrar como os Minions teriam transformado Hollywood e o sistema de estúdios, boa parte dessas ideias permanece apenas no subtexto. Henry e James são personagens interessantes ao abraçarem o contraponto artístico dos Minions, mas, no fim das contas, continuam sendo apenas Minions, e isso é uma pena.

Se existe algo que Pierre Coffin prova com Minions & Monstros, é a capacidade de utilizar esses personagens para abraçar histórias mais adultas e metalinguísticas. No entanto, essa claramente não era a prioridade. Afinal, os Minions nunca foram apresentados ao público dessa maneira, e talvez agora seja tarde demais para uma mudança tão brusca. Quem sabe no futuro?

Distribuído pela Universal Pictures, Minions & Monstros chega aos cinemas no dia 2 de julho.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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