A Rocco antecipa em 15 dias o lançamento brasileiro de Bons Tempos: Yesteryear, romance de estreia da jornalista americana Caro Claire Burke. A decisão ocorre após a alta procura pelo livro durante a pré-venda no país.
Livrarias de São Paulo e do Rio de Janeiro recebem exemplares já neste sábado, 15 de agosto. O lançamento oficial em todo o Brasil acontece na segunda-feira, 17 de agosto.
A procura também leva a editora a anunciar uma segunda edição antes mesmo da chegada oficial do título às livrarias.
Nos Estados Unidos, o livro alcança cerca de 1,4 milhão de cópias vendidas em apenas cinco meses. A obra também aparece entre os principais rankings literários, incluindo a lista de best-sellers do The New York Times e o BookTok Charts, ranking oficial do TikTok.
O sucesso editorial também desperta o interesse do cinema. A Amazon MGM Studios adquire os direitos para uma adaptação cinematográfica após uma disputa pelos direitos da obra. Anne Hathaway está confirmada como protagonista e produtora do filme.
Bons Tempos: Yesteryear satiriza as tradwives
A história acompanha Natalie, uma influenciadora digital que constrói um império baseado na imagem de uma vida doméstica aparentemente perfeita.
Ela apresenta aos milhões de seguidores uma rotina marcada por uma fazenda idílica, filhos, casamento, fé religiosa e uma estética cuidadosamente construída nas redes sociais.
Por trás das câmeras, porém, existe uma estrutura muito diferente daquela apresentada ao público. Babás, produtores e equipamentos industriais ajudam a sustentar a aparência de simplicidade e autossuficiência.
A personagem representa uma versão satírica do movimento tradwife, termo utilizado para designar mulheres que defendem um modelo tradicional de casamento e divisão de papéis familiares.
A narrativa explora justamente a distância entre essa representação idealizada e a realidade necessária para manter esse estilo de vida.
A vida de Natalie muda completamente quando ela acorda em 1855.

A casa permanece aparentemente familiar. O marido e os filhos também estão presentes. Porém, todos os confortos modernos desaparecem.
Não existe eletricidade. As crianças estão sujas. O marido deixa de ser o herdeiro pouco habilidoso que aparece nas redes sociais e assume o papel de fazendeiro.
Natalie precisa carregar lenha, lavar roupas à mão e lidar diretamente com o trabalho físico que antes aparecia apenas como parte de uma estética cuidadosamente produzida.
A situação gera uma série de dúvidas. Ela está dentro de um reality show? Viaja no tempo? É vítima de uma experiência? Está sendo testada por Deus ou pelo Diabo?
Enquanto tenta descobrir o que aconteceu, Natalie precisa enfrentar a possibilidade mais incômoda: viver de verdade a realidade que passou anos vendendo como perfeita.
O contraste entre a imagem digital e a experiência de 1855 sustenta o humor e a crítica do romance.
A obra utiliza a trajetória de Natalie para satirizar a obsessão contemporânea pela perfeição estética nas redes sociais.
A personagem transforma a própria família em conteúdo e apresenta uma versão idealizada da maternidade, do casamento, da religião e da vida rural.
O problema é que a estrutura necessária para manter essa imagem permanece escondida dos seguidores.
Quando Natalie perde a tecnologia e os profissionais que sustentam sua persona, a diferença entre performance e realidade fica evidente.
O romance também aborda as contradições do movimento tradwife. A protagonista defende uma vida doméstica baseada em valores tradicionais, mas constrói sua influência justamente a partir de uma indústria digital moderna.
Essa contradição permite que Caro Claire Burke explore temas como fama, tradição, fé, feminilidade e influência digital.
Anne Hathaway leva o fenômeno das livrarias para o cinema
A adaptação cinematográfica amplia a repercussão de Bons Tempos: Yesteryear antes mesmo da chegada da edição brasileira.
A Amazon MGM Studios compra os direitos do livro após uma disputa pelos direitos de adaptação. Anne Hathaway assume o papel principal e também participa da produção do longa.

A presença da atriz coloca a personagem de Natalie no centro de um projeto cinematográfico com potencial para alcançar o mesmo público interessado no fenômeno literário.
A adaptação também reforça a força comercial alcançada pelo romance em poucos meses.
Bons Tempos: Yesteryear marca a estreia literária de Caro Claire Burke, jornalista americana.
O livro combina sátira, humor ácido, elementos de suspense e uma narrativa de viagem no tempo para questionar a construção de identidades nas redes sociais.
A protagonista parte de uma posição de absoluto controle sobre sua imagem. Ela domina a narrativa sobre a própria vida e transforma cada detalhe em conteúdo.
A passagem para 1855 elimina esse controle e força Natalie a enfrentar situações que não podem ser editadas, filtradas ou delegadas.
A experiência transforma o livro em uma crítica à ideia de que uma vida perfeita pode ser construída apenas pela aparência.
Serviço
Livro: Bons Tempos: Yesteryear
Autora: Caro Claire Burke
Tradução: Anna Castro
Editora: Rocco
Páginas: 368
Dimensões: 16 x 2 x 23 cm
Preço: R$ 69,90
Lançamento oficial: 17 de agosto de 2026
Venda antecipada: livrarias selecionadas do Rio de Janeiro e de São Paulo a partir de 15 de agosto
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