Ao usar este site, você concorda com a Política de Privacidade e termos de uso.
Aceito
Vivente AndanteVivente AndanteVivente Andante
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Font ResizerAa
Vivente AndanteVivente Andante
Font ResizerAa
Buscar
  • Cinema e Streaming
  • Música
  • Literatura
  • Cultura
  • Turismo
Brendan Fraser e Andrew Scott em cena de "Pressão"- Divulgação Universal Pictures
Cinema e StreamingCrítica

Crítica: ‘Pressão’ levanta a pergunta: como fazer um filme sobre o Dia D ser tenso quando todos já sabem o final?

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 27 de agosto de 2026
7 Min Leitura
Share
Brendan Fraser e Andrew Scott em cena de "Pressão"- Divulgação Universal Pictures
SHARE

Dirigido por Anthony Maras, Pressão transforma as 72 horas que antecederam o Dia D em um drama sobre decisões impossíveis, mas não consegue sustentar a tensão até o fim

Desde os primeiros minutos de Pressão, existe a sensação de que estamos diante de um aquecimento para algo muito maior. Dirigido por Anthony Maras e estrelado por Brendan Fraser, Andrew Scott e Kerry Condon, o filme acompanha as 72 horas que antecederam o Dia D, quando os responsáveis pela invasão da Normandia precisam decidir entre seguir com a operação ou adiá-la diante das condições climáticas desfavoráveis.

A discussão é, basicamente, um “ou vai, ou racha” que se estende por cerca de 100 minutos. A premissa é interessante e o elenco sustenta bem os conflitos, mas a produção acaba sendo tão dependente de um acontecimento que já conhecemos que sua tensão se dissolve rapidamente.

O próprio título apresenta um duplo sentido bastante eficiente. Pressão pode se referir tanto à pressão atmosférica, capaz de determinar o sucesso ou fracasso da operação, quanto à pressão psicológica que recai sobre aqueles responsáveis pela decisão. De um lado está Dwight D. Eisenhower, pressionado pelo peso de enviar milhares de homens para uma operação que pode resultar em uma quantidade devastadora de mortes. Do outro, James Stagg, o cientista climático encarregado de fornecer a previsão que ajudará a determinar o destino da invasão. É justamente nesse embate entre ciência, estratégia militar e responsabilidade humana que o filme encontra seu melhor material.

Brendan Fraser em cena de "Pressão"- Divulgação Universal Pictures

Brendan Fraser em cena de “Pressão”- Divulgação Universal Pictures

O problema é que o espectador já sabe como essa história termina. O Dia D aconteceu, a invasão da Normandia foi realizada e se tornou um dos acontecimentos decisivos da Segunda Guerra Mundial. Portanto, a tensão não pode depender exclusivamente da pergunta “o ataque vai acontecer?”.

Anthony Maras tenta compensar essa previsibilidade deslocando o conflito para seus personagens. Eisenhower precisa lidar com a culpa provocada pelas mortes ocorridas durante os treinamentos que antecederam a operação, enquanto Stagg entra em conflito com sua própria equipe e ainda carrega a preocupação com a esposa grávida. São elementos que humanizam os personagens e impedem que o filme se transforme simplesmente em um grupo de homens observando mapas e esperando a previsão do tempo.

Ainda assim, Pressão não consegue manter uma tensão constante. O roteiro apresenta conflitos que poderiam ganhar muito mais força, mas frequentemente os abandona antes de explorá-los completamente. A relação entre Kay Summersby, interpretada por Kerry Condon, e Eisenhower é um dos principais exemplos. Existe ali uma dinâmica capaz de acrescentar uma camada mais íntima ao protagonista, mas ela permanece subaproveitada.

O mesmo acontece com a relação entre Stagg e Krick, que começa como uma interessante disputa profissional e poderia evoluir de maneira mais orgânica para uma relação de respeito e amizade. Em vez disso, muitas dessas interações acabam funcionando apenas como mecanismos para movimentar a narrativa.

E existe ainda um paradoxo interessante no centro de Pressão: por mais que todos estejam tentando controlar o destino da operação, ninguém realmente possui controle sobre o elemento mais importante da equação. A natureza é soberana. Eisenhower pode tomar decisões, Stagg pode interpretar os dados e os militares podem preparar toda uma operação, mas uma mudança no clima é suficiente para colocar tudo em xeque. Essa ideia poderia ser o grande motor dramático do filme, porém Maras nem sempre consegue transformá-la em tensão cinematográfica.

Andrew Scott em cena de "Pressão"- Divulgação Universal Pictures

Andrew Scott em cena de “Pressão”- Divulgação Universal Pictures

Tecnicamente, a produção é competente. A fotografia proporciona um mergulho eficiente nas salas de guerra e nos espaços fechados onde as decisões são tomadas, enquanto a direção de arte contribui para reproduzir o ambiente militar daquele período. A trilha sonora aposta em uma grandiosidade constante, conduzindo o espectador para um inevitável momento de catarse. Entretanto, quando finalmente chegamos ao Dia D, o filme parece incapaz de competir com referências muito maiores do gênero.

Mesmo com uma sequência que carrega escala e importância histórica, ela não alcança a visceralidade de O Resgate do Soldado Ryan (1999, Steven Spielberg). E essa comparação expõe ainda mais o principal problema da obra: não existe uma verdadeira sensação de descoberta ou de perigo quando o destino daquele acontecimento já está registrado nos livros de história.

Ao final, o que permanece são boas atuações, diálogos interessantes e a curiosidade de acompanhar um episódio menos explorado do planejamento do Dia D. Brendan Fraser e Andrew Scott carregam boa parte do peso dramático, enquanto o filme também apresenta um Eisenhower dividido entre a figura do líder determinado e o homem consciente das vidas que estão sob sua responsabilidade. O senso patriótico norte-americano, por sua vez, está presente de maneira constante, reforçando a construção heroica daquele momento histórico.

Pressão é, portanto, um filme eficiente, bem estruturado e tecnicamente competente, mas que não consegue transformar sua premissa em uma experiência verdadeiramente marcante. A ironia é que uma obra sobre homens submetidos a uma pressão histórica gigantesca acaba não conseguindo transmitir essa mesma pressão ao espectador. Quando os créditos sobem, fica a sensação de que havia um grande filme escondido dentro daquela sala de guerra, mas faltou ao próprio filme encontrar a maneira de fazê-lo explodir.

Distribuído pela Universal Pictures, Pressão chega aos cinemas brasileiros em 3 de setembro.

Siga-nos e confira outras notícias @viventeandante e no nosso canal de whatsapp!

Leia mais

  • Crítica: ‘Minha Filha é Um Zumbi’ aposta no amor entre pai e filha para reinventar o gênero
  • Crítica: ‘Só Por Uma Noite’ é comédia romântica tradicional em universo nada convencional
  • Crítica: ‘Muito Prazer’ transforma o absurdo em forma inteligente de discutir sexo e intimidade
Tags:Andrew Scott PressãoBrendan Fraser PressãoCinemacríticacrítica PressãoDestaque no ViventeDia D filmefilmes de guerra 2026Kerry Condon PressãoPressão Anthony MarasPressão críticaPressão filmePressão filme 2026
Compartilhe este artigo
Facebook Copie o Link Print
PorAndré Quental Sanchez
Me Siga!
André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

Vem Conhecer o Vivente!

1.7KSeguidoresMe Siga!

Leia Também no Vivente

Bastidores das filmagens de Divinas . Foto por Thais TavernaProdução Elo Studios em coprodução com Lifetime
Cinema e StreamingNotícias

‘Divinas’ vem aí falando de cinco mulheres e mães em busca por fé ritualística

Redação
3 Min Leitura
crítica filhos do ódio
Cinema e StreamingCrítica

Crítica | Com produção de Spike Lee, ‘Filhos do Ódio’ mostra história real

Alvaro Tallarico
3 Min Leitura
crítica quebra tudo a historia do rock na america latina netflix
CríticaMúsicaSéries

Quebra Tudo A História do Rock na América Latina na Netflix contra as ditaduras

Alvaro Tallarico
4 Min Leitura
logo
Todos os Direitos Reservados a Vivente Andante.
  • Política de Privacidade
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?