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Cena de "Ted Lasso"- Divulgação Apple TV
Cinema e StreamingCrítica

Ted Lasso: Episódio 5 traz espelhos, vergonha e uma grande reflexão

Por André Quental Sanchez
Última Atualização 2 de setembro de 2026
6 Min Leitura
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Cena de "Ted Lasso"- Divulgação Apple TV
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Abraçando finalmente o drama e o jogo, Ted Lasso entrega seu episódio mais maduro e dramaticamente potente em uma narrativa que começa, enfim, a movimentar suas peças

Chegando à metade da temporada, as peças do tabuleiro finalmente começam a se movimentar de diferentes formas: relacionamentos entram em conflito, o time feminino disputa seu primeiro grande jogo e algumas relações são colocadas à prova. Há até espaço para um aceno a um personagem bastante conhecido pelo público. Ainda assim, nada disso foi o que mais me pegou neste episódio.

Quando assisti, eu precisava extravasar. Mais do que isso, precisava daquele tipo de acolhimento que, às vezes, somente Ted Lasso consegue proporcionar. Talvez também por conta do meu estado emocional naquele momento, em menos de dez minutos eu estava chorando. E não era por algo que havia sido dito, mas justamente por aquilo que permanecia não dito.

Era a reação de uma treinadora que construiu para si uma personalidade durona e acabou ficando tão presa a ela que, quando percebe que seu próprio time faz perguntas aparentemente bobas para Ted, e não para ela, se sente diminuída. Alice Chilton finalmente recebe o holofote, e aquilo que poderia facilmente ser interpretado como antipatia, para mim, revela apenas uma pessoa profundamente quebrada.

Annelise Heywood e Mercedes Assad em cena de "Ted Lasso"- Divulgação APPLE TV

Annelise Heywood e Mercedes Assad em cena de “Ted Lasso”- Divulgação APPLE TV

Em diversos aspectos, Chilton remete a Nate. Ambos entendem de futebol muito mais do que Ted, ambos carregam uma raiva considerável em relação aos times que treinam e ambos parecem buscar, acima de qualquer coisa, reconhecimento. Querem ser vistos. Querem sentir que são úteis. Querem experimentar algo que, por diferentes motivos, não tiveram o suficiente ao longo da vida.

Mais para o final do episódio, até mesmo Ted percebe esse paralelo. E, diferente do que aconteceu com Nate, sua reação é justamente tentar interromper esse ciclo. Ele suspende Chilton, não como uma punição, mas como uma tentativa de proteger o time e, principalmente, a própria treinadora de seguir pelo mesmo caminho que Nate. É uma atitude corajosa, embora ainda seja cedo para saber quais serão suas consequências ao longo da temporada.

O episódio, enquanto isso, distribui conflitos para todos os lados. Roy se apaixona por um de seus encontros, Rebecca atravessa uma crise no relacionamento, Beard é aterrorizado pelo fantasma de Jane, Tracey Ullman retorna como uma Zelda mais contida e agora assumindo uma espécie de papel de conselheira, enquanto Keeley começa a lidar com uma constatação particularmente dolorosa: às vezes, aquilo que fazemos de melhor ainda não é suficiente para satisfazer nossas próprias ambições.

Mas, entre todas essas situações, nenhuma delas representa realmente o coração do episódio. O momento-chave está em um monólogo sobre vergonha. Sobre como a vergonha pode se tornar um peso tão grande que, em determinados momentos, o peso de se expor acaba sendo menor do que o próprio sofrimento de permanecer escondido.

Jason Sudeikis em cena de "Ted Lasso"- Divulgação Apple TV

Jason Sudeikis em cena de “Ted Lasso”- Divulgação Apple TV

Eu já estava em um estado emocional particularmente sensível quando esse monólogo começou. E, quando percebi, havia quebrado completamente. É justamente aí que reside parte da potência de uma produção como Ted Lasso: mesmo com seus altos e baixos, a série continua capaz de transmitir ao público a sensação de que existe uma saída. De que ainda é possível pedir ajuda, reconhecer nossas fragilidades e, principalmente, sermos enxergados.

O time feminino ainda não possui o mesmo carisma do elenco masculino, mas também estamos apenas começando a conhecê-lo. Continuo enxergando esta quarta temporada quase como uma nova primeira temporada, um reboot emocional e narrativo da própria série. E talvez seja justamente agora que a temporada começará a decidir se conseguirá nos conquistar de vez ou se perderá definitivamente nossa atenção.

Depois de alguns episódios que soavam distintos daquilo que estávamos acostumados a acompanhar, não necessariamente de maneira ruim, Ted Lasso finalmente começa a colocar nos trilhos aquilo que construiu até aqui. Não é perfeito. A segunda temporada continua sendo, para mim, um dos maiores acertos da série como um todo. Ainda assim, a quarta temporada encontra seu próprio valor ao assumir riscos, abordar temas mais delicados e apresentar novos personagens sem abandonar completamente aquilo que tornou a série especial.

Agora, mais do que apresentar essas novas peças, resta descobrir o que Ted Lasso fará com elas. E, pela primeira vez nesta temporada, existe a sensação de que o jogo realmente começou.

Disponível na Apple TV+, a quarta temporada de Ted Lasso já conta com quatro episódios lançados, com novos capítulos disponibilizados semanalmente até o início de outubro.

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André Quental Sanchez é formado em cinema e audiovisual, apresenta especialização em roteiro audiovisual, é crítico, redator e amante da sétima arte como um todo.

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