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Cinema e StreamingCrítica

Lanternas episódio 6 explicado! O presente entrega uma das maiores viradas da série

Por Alvaro Tallarico
Última Atualização 21 de setembro de 2026
10 Min Leitura
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HBO Max
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O sexto episódio de “Lanternas” dá um salto de quase uma década e leva a história para 2026. A mudança temporal altera completamente o cenário e mostra o que aconteceu com John Stewart e Hal Jordan depois dos acontecimentos anteriores.

John agora é um arquiteto bem-sucedido. Ao lado do irmão Marcus, trabalha na construção de grandes abrigos de segurança para cidades ameaçadas por ataques de alienígenas e supervilões. A profissão funciona como uma consequência direta do trauma de Rushville e dos acontecimentos envolvendo Superman em Metrópolis.

Hal, por outro lado, passou anos preso depois que John retirou seu anel. Quando finalmente retorna a Rushville, tenta reconstruir a própria vida. A série revela que ele passou a bater de porta em porta para perguntar aos moradores como poderia ajudar. É uma tentativa silenciosa de reparação depois de tudo o que aconteceu.

O reencontro entre Hal e John acontece por uma armação da mãe de John, Bernadette. Ela liga para o filho dizendo que Hal quer se desculpar. A conversa, porém, está longe de ser uma reconciliação.

Hal entende que já pagou pelo passado. John não. Para ele, Hal caiu, pessoas morreram e as consequências continuam presentes. A tensão entre os dois mostra que a relação nunca foi simplesmente uma disputa entre herói e vilão. Existe ressentimento, culpa e uma história mal resolvida.

É justamente quando parece que os dois finalmente terão a chance de enfrentar esse passado que Hal aparece morto.

“Lanternas” passou boa parte da temporada me deixando com uma sensação boa. Eu entendo a proposta e reconheço a qualidade. Fico feliz de perceber a série sendo sucesso e alcançando pessoas que nunca se interessaram por quadrinhos e mal tinham ouvido falar sobre Lanterna Verde. É uma grande vitória da obra.

Contudo, ainda assim esperava que a série assumisse o tamanho do universo que escolheu adaptar. O sexto episódio finalmente faz isso, e com uma confiança que transforma a percepção de tudo o que veio antes.

Depois de uma construção mais contida, a série começa a juntar as peças espalhadas pela temporada. Starro, Batman, Superman, Carol Ferris, Guy Gardner e Sinestro entram no radar, não como uma coleção gratuita de referências, mas como sinais de que aquela história nunca esteve limitada à investigação de Hal Jordan e John Stewart. “Lanternas” finalmente abre a porta para um universo muito maior.

From one Lantern to another. #Lanterns pic.twitter.com/ZwnBItYOPO

— HBO Max (@hbomax) September 21, 2026

E era uma das coisas que eu estava esperando como fã de quadrinhos e fã do Lanterna Verde desde muito tempo.

O mais interessante é que, quando a mitologia cresce, os personagens não desaparecem. Pelo contrário. É a relação entre Hal e John que sustenta tudo e dá sentido a essa expansão.

Kyle Chandler encontrou um Hal Jordan muito particular e excepcional. Seu personagem é arrogante, inconveniente, autodestrutivo e aparentemente irresponsável, mas a série vem trabalhando uma ideia mais interessante: talvez parte dessa postura seja uma máscara. Hal sabe mais do que demonstra, e Chandler consegue transmitir isso sem transformar o personagem em um sujeito misterioso o tempo inteiro. Há desgaste naquele Hal, experiência e a marca de alguém que já viu coisas demais e aprendeu a esconder o que sente atrás do álcool, da ironia e da imprudência.

É uma versão diferente de Hal Jordan, mas não me parece uma traição ao personagem. Pelo contrário, é uma tentativa de descobrir o que existe depois do herói.

Aaron Pierre também ganha força a cada episódio. John Stewart começou a temporada muito mais fechado, rígido e preso às próprias convicções. Agora, começa a entender que ser Lanterna não significa apenas seguir protocolos. É preciso improvisar, confiar e aprender, e a relação com Hal funciona justamente porque John não se transforma simplesmente em um discípulo. Ele absorve algumas coisas, questiona outras e constrói seu próprio caminho.

A cena envolvendo o truque de Hal com o anel resume bem essa evolução. É uma pequena recompensa para quem acompanhou a relação dos dois desde o começo e mostra como a experiência de Hal já começa a fazer parte da formação de John, sacou?

“Lanternas” também parece finalmente confiar no próprio espectador.

A série não precisa explicar cada referência, sublinhar cada pista ou anunciar a importância de tudo. Batman e Superman são mencionados, Starro surge no horizonte, Carol Ferris e Guy Gardner entram em cena e Sinestro volta a ocupar espaço. Para quem conhece a DC, cada nome abre uma possibilidade; para quem não conhece, as informações simplesmente fazem parte daquele universo.

Essa é a diferença entre uma referência colocada para arrancar aplausos e uma referência que ajuda a construir mundo. Aqui, elas ampliam a história.

“Lanternas” demora para chegar ao ponto em que pode respirar como uma história de Lanterna Verde. Enquanto isso, fãs mais xiitas, nerdolas, ficam pelas redes sociais reclamando e chamando a série de woke.

Entendo até, afinal, a escolha por começar como um thriller policial é defensável, mas, em determinados momentos, a série parecia esconder justamente aquilo que tornava sua premissa especial. O episódio 6 corrige parte desse problema sem abandonar a investigação ou os personagens. Apenas deixa o universo crescer ao redor deles.

Até o humor, que poderia parecer deslocado em uma história tão sombria, começa a funcionar melhor. “Lanternas” não quer ser apenas uma história policial realista nem uma aventura espacial tradicional. A produção está tentando misturar essas duas linguagens, e o episódio mostra que essa combinação pode funcionar quando a série não tem medo de assumir sua natureza de história em quadrinhos.

Nem tudo funciona perfeitamente. Algumas escolhas envolvendo Hal e o anel certamente vão dividir os fãs, enquanto a entrada de determinados elementos da mitologia pode parecer tardia para quem esperava um mergulho mais rápido no universo dos Lanternas. Ainda assim, prefiro uma série que arrisque suas próprias regras a uma que simplesmente reproduza aquilo que já conhecemos.

O sexto episódio tem essa coragem e existe algo particularmente satisfatório em perceber que a demora parece calculada. Várias informações que pareciam pequenas agora ganham outro peso, enquanto personagens que pareciam cumprir funções específicas começam a revelar outras camadas. “Lanternas” faz o espectador olhar para trás e reconsiderar o caminho percorrido.

The trailer for 'LANTERNS' Episode 7 has arrived!

Premieres September 27 on HBO Max. pic.twitter.com/29VKRBR8Gd

— DC Film News (@DCFilmNews) September 21, 2026

Para mim, esse é um dos sinais de que uma série está funcionando.

Não é a quantidade de easter eggs que torna este episódio especial, mas a sensação de que eles pertencem a um universo que finalmente começou a se revelar. Depois de seis episódios, “Lanternas” deixa cada vez mais de parecer apenas uma história policial com Lanternas Verdes e passa sutilmente a funcionar, de fato, como uma história sobre Lanternas Verdes.

E, considerando tudo o que foi plantado até aqui, os dois episódios finais chegam com uma responsabilidade enorme: provar que essa porta foi aberta na hora certa.

Até aqui, a série parecia interessada principalmente em apresentar seus personagens. Agora começa a construir uma conspiração que conecta Rushville, os Lanternas, Sinestro e o restante do universo da DC.

Fancy meeting you here. #Lanterns pic.twitter.com/gxK9IKJwxr

— HBO Max (@hbomax) September 21, 2026

O sexto episódio é, portanto, uma mudança de escala. “Lanternas” continua sendo uma série sobre pessoas, famílias, culpa e pequenas cidades. Mas agora existe algo maior escondido por trás dessa história.

Hal morreu. John encontrou seu legado. Guy Gardner chegou. Sinestro escapou.

E o universo começa, finalmente, a se abrir.

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PorAlvaro Tallarico
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Jornalista especializado em Jornalismo Cultural pela UERJ com experiência em Jornalismo Esportivo. Autor dos livros "O que é Arte? Com a palavra, o artista", "A Paulistana de Ganesha", e outros.

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